Elementos do Cerrado podem agregar valor na decoração e no paisagismo

Vegetação típica em estados como Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal é boa opção para residências

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postado em 06/11/2012 14:20 / atualizado em 07/11/2012 15:06 Redação Lugar Certo DF /Correio Braziliense
Neste projeto de paisagismo, Rosalba optou por conservar elementos do Cerrado, sem prejuízo da beleza do jardim - Rosalba da Matta Machado/Divulgação Neste projeto de paisagismo, Rosalba optou por conservar elementos do Cerrado, sem prejuízo da beleza do jardim


Troncos tortos, folhas ressecadas e marrons, períodos bem demarcados de chuva e seca. Assim, o Cerrado é comumente descrito pelos brasileiros e, ainda mais, pelos brasilienses. Entretanto, o que talvez não se recorde de imediato é que o bioma acumula muito potencial, por vezes inexplorado e, melhor, de maneira sustentável. Aos poucos, a natureza do Cerrado é valorizada. Árvores e flores nativas começam a aparecer na decoração de casas e jardins.

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Segundo a engenheira agrônoma e dona de empresa de paisagismo Rosalba da Matta Machado, a maioria das pessoas tem o costume de, automaticamente, limpar todo o terreno antes de analisar o que pode ser preservado. “O bom de se deixar um pouco da vegetação original é que o jardim, depois de pronto, fica com áreas sombreadas e muitos pássaros”, comenta.

As espécies nativas mais apropriadas, no caso do paisagismo, são o ipê amarelo cascudinho, pequizeiro, buriti, jerivá, mangaba, baru, guariroba, cagaiteira e outros pés de frutas regionais. O segredo para não deixar o jardim com cara de Cerrado selvagem é simples: basta usar normalmente grama e outras forrações também.

Banco traz rusticidade sem perder o toque contemporâneo à área de lazer (Grace Elissa/Divulgação) - Grace Elissa/Divulgação Banco traz rusticidade sem perder o toque contemporâneo à área de lazer (Grace Elissa/Divulgação)



Toque especial na decoração


Para a decoradora de eventos Valéria Leão Bittar, os galhos retorcidos do Cerrado têm enorme potencial de efeito decorativo. Ela afirma que é possível pegar a estrutura de árvores abandonadas e pintá-la de preto e vermelho, por exemplo, simulando corais. “Ipês amarelos também ficam lindíssimos para o uso decorativo. Cria-se um ambiente elegante, sem perder o toque da região”, afirma.

Um cuidado, porém, é de não incluir excessivamente elementos do Cerrado num único ambiente. “Deve-se misturar tons opostos, pois o Cerrado é muito forte e impactante. Ele pode dar, também, uma impressão escura”, adverte. Valéria fala que esse estilo ainda não é muito requisitado justamente pela dificuldade de se combinar objetos, tons e texturas. Ainda, admite que nem todo mundo é mesmo fã do estilo.

Cerrado tipo exportação

Tunico Lages é um artesão que, há 20 anos, trabalha com madeiras nativas do Cerrado. Ele faz mesas, cadeiras e complementos, como cabideiros, luminárias, bancos e espreguiçadeiras, apenas de restos mortos ou não utilizáveis. Desses, a maioria foi prejudicada por queimadas ou desmatamentos. Após a coleta das madeiras, seguindo a legislação do Ministério do Meio Ambiente, Tunico estuda e trata o material para melhor aproveitá-lo. “Algumas madeiras são mais resistentes, então servem para ser bancos num ambiente externo. Já outras, serão mais aproveitadas como estantes numa sala”, explica.

A decoradora de eventos Valéria Leão Bittar explica como usar o Cerrado em benefício da decoração sem perder a elegância - Carlos Moura/CB/D.A Press A decoradora de eventos Valéria Leão Bittar explica como usar o Cerrado em benefício da decoração sem perder a elegância


Apesar de terem sido danificadas, as peças, normalmente troncos, com o tratamento especial dado, podem ser extremamente duráveis. As madeiras mais utilizadas por Tunico provêm de sucupira, jacarandá do Cerrado, tamboril, angico do Cerrado, além de vinháticos e perobas.

Há menos de dois meses, durante viagem particular aos Estados Unidos, as peças de Tunico chamaram a atenção da galeria de arte Thomas Heyes, em Los Angeles. Resultado: ele exportou alguns móveis e quase todos já foram vendidos. Com a recepção surpreendente, a galeria realizou uma nova e maior encomenda.

“Por incrível que pareça, meu trabalho nunca foi tão bem recebido quanto nos Estados Unidos. Vendo minhas peças há anos em feiras por Brasília e sempre encontrei certa resistência por parte dos brasilienses”, lamenta. O artesão crê que os naturais do DF não dão tanto valor ao trabalho por serem daqui, posto que os móveis são muito procurados por estrangeiros, como diplomatas. “Falta consciência de brasilidade”, acredita.

Veja mais opções de paisagismo e decoração que utilizam elementos do Cerrado na galeria de fotos


Dicas A gerente do herbário, Roberta Chacon, e a diretora de fitologia do Jardim Botânico de Brasília, Mariana de Souza, mostram que, com alguns cuidados, é possível ter uma bela planta do Cerrado em casa.

• Respeite a característica solar das plantas, pois, naturalmente, há as de sol e as de sombra;
• Dê espaço para a raiz crescer já que costuma ser mais profunda que a das floras de outros biomas brasileiros;
• Corrija a forte acidez do solo e neutralize a concentração de alumínio com calcário dolomítico, porque contém mais magnésio;
• Adube o solo com nutrientes, especialmente NPK (nitrogênio, fósforo e potássio).

Espreguiçadeira feita por Tunico Lages na Casa Cor 2010 - Grace Elissa/Divulgação Espreguiçadeira feita por Tunico Lages na Casa Cor 2010


Dificuldade de se achar matéria-prima
Não é fácil achar mudas de árvores e flores nativas, pois as plantas do Cerrado levam tempo para crescer e florescer. Primeiramente, se expandem em profundidade com a raiz ao subsolo. Depois, ficam um bom tempo apenas como ‘toco’. Devido à presente demora de ficarem prontas para venda, muitos produtores não crêem que sejam financeiramente recompensadoras em relação a espécies de outras regiões. Para se ter idéia, um ipê tem de ficar um ano no viveiro antes de ser disponibilizado ao público e pode levar até seis anos para dar flor. Já a sucupira cresce apenas 20 centímetros no período de quatro anos.

De acordo com o paisagista e diretor da Escola de Paisagismo de Brasília, José César Utida, apesar de a tarefa de esperar não ser tão fácil assim, ela vale a pena. “Temos de aceitar a seca, pois ela também pode ser linda”, argumenta. Utida alega ainda que, pelo fato de Brasília ser formada por gente de todo o país, muitas pessoas querem reproduzir o jardim da época de infância, com características específicas do estado de origem, e acabam por descartar o típico do Distrito Federal.

Falta apoio
Quebrar a dormência das sementes é difícil. Por isso, a demora de crescerem, se desenvolverem e o alto custo de produção em viveiros. Apesar das pesquisas importantes de instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), especialistas afirmam que ainda há lacunas em relação às plantas nativas com potencial paisagístico.

Para Roberta, gerente do herbário do Jardim Botânico de Brasília, é preciso focar na eficiência da germinação e propagação de sementes. “A reprodução in vitro, por exemplo, poderia resolver o problema do tempo”, sustenta.
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