Madeira ganha cada vez mais espaço graças às diversas possibilidades de aplicação

Versátil, material é há muito tempo usado na decoração. Confira como e onde ela é bem-vinda

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postado em 27/01/2013 12:32 / atualizado em 28/01/2013 15:45 Júnia Leticia /Estado de Minas
O produto natural pode ser usado com elegância de áreas externas e de lazer aos tradicionais móveis internos. Até como revestimento de paredes o material mantém o charme e a sensação de conforto - EDUARDO ALMEIDA/RA STUDIO O produto natural pode ser usado com elegância de áreas externas e de lazer aos tradicionais móveis internos. Até como revestimento de paredes o material mantém o charme e a sensação de conforto

Que a madeira deixa os ambientes mais aconchegantes e requintados, muita gente já sabe. Versátil, o material pode ser empregado em pisos, revestimentos de paredes, portas, janelas, móveis e muito mais. Opção que confere charme aos espaços e que sempre teve lugar na decoração, seu uso nunca esteve tão em alta como agora.

Na hora de empregá-la, é preciso saber que existe uma infinidade de espécies de madeira, cada uma com suas particularidades no uso, como explica o professor do curso de design de interiores da Fumec Romeu Rodrigues Pereira. “As características das madeiras variam de acordo com a espécie. Massaranduba, angelim-pedra, cedro, mogno, ipê, louro-vermelho, jatobá, muiracatiara e teca são algumas das que são comercializadas.”

No design, características como o odor, responsável pelo cheiro agradável, a cor, que pode variar de um tom esbranquiçado até um pardo bem escuro, e a textura, percebida pelo diâmetro dos poros, são bem valorizadas. “Além dessas, tem a figura, que é a responsável direta pela beleza da madeira, pois são esses desenhos que dão o caráter decorativo a elas.”

A arquiteta Renata Basques cita o freijó, o cumaru, a sucupira e o carvalho. “O interessante da madeira é que ela, além de trazer aconchego e remeter à natureza, aquece o ambiente e pode ser utilizada em diversos tipos de acabamentos. Pode vir lixada, ebanizada, laqueada, com veios rústicos. Enfim, é um material muito versátil e útil.”

"Há uma tendência de usar madeiras certificadas e lâminas em MDF com texturas e acabamentos semelhantes aos naturais" - Rodrigo Aguiar, designer de interiores
Segundo o designer de interiores Rodrigo Aguiar, hoje também está em alta o uso da madeira com o selo verde, que é o certificado Forest Stewardship Council (Conselho de Manejo Florestal, em português). “Esse conselho foi criado para incentivar a conservação ambiental e o desenvolvimento sustentável das florestas no mundo.”

Independentemente da espécie escolhida, saber combiná-la é uma tarefa que requer bom gosto para que o excesso não deixe o ambiente muito carregado. “Além disso, é preciso ter cuidado para escolher o tipo de madeira para cada ambiente. Em áreas molhadas, como cozinha e banheiro, ela deve ser evitada. Mas nas salas e nos quartos é sempre bem-vinda. No teto, além de proporcionar aconchego, tem a função de isolante acústico”, explica Rodrigo.

No caso de se querer usar o material em ambientes úmidos, como cozinhas e banheiros, Romeu Pereira diz que é importante que sejam usadas madeiras secas em autoclave e submetidas a tratamento impermeabilizante. “O verniz marítimo é bastante usado, mas já existem opções à base d’água, menos impactantes para a natureza.”

MOBILIDADE

Para quem optar por usá-la no piso, é necessário analisar como será o uso e a movimentação no espaço. “Isso porque, em ambientes de alto tráfego, pisos de madeira clara tendem a se desgastar mais rapidamente. Melhor optar por espécies de tons mais escuros ou pela madeira de demolição”, aconselha Romeu Pereira.

Em banheiros e cozinhas, onde deve ser usada uma madeira mais seca e resistente, a sugestão de Renata Basques é optar pelo camaru, se for em um detalhe no teto. “É interessante, também, aplicarmos um verniz náutico, para maior durabilidade”, indica a arquiteta.

Na sala de estar, de jantar e no quarto, o uso da madeira já é mais diversificado, como diz Renata. Segundo a arquiteta, pode-se utilizá-la em painéis, revestimentos de paredes, móveis e até adornos. “Respeitando somente o restante da decoração empregada. Se tem madeira no piso, pensar em não utilizar uma espécie muito escura no mobiliário. Mas cada caso é um caso.”

Conforto em todo lugar
O aconchego possibilitado pelo uso do material faz com que a madeira seja bem-vinda em vários espaços da casa, mesmo que só em detalhes

Marcenaria planejada permite aproveitar ao máximo o espaço dentro de casa. Peças podem ajudar a esconder defeitos nas paredes do imóvel, como desníveis indesejados e cabos e fios de eletrônicos  - EDUARDO ALMEIDA/RA STUDIO Marcenaria planejada permite aproveitar ao máximo o espaço dentro de casa. Peças podem ajudar a esconder defeitos nas paredes do imóvel, como desníveis indesejados e cabos e fios de eletrônicos


Como resultado de investir na madeira, além de aconchego e sensação de aquecimento no ambiente, há a vantagem de ter contato com um material que é mais agradável ao toque e o fato de ser um isolante térmico natural. “Ela pode ser muito bem conjugada com outros materiais, provocando tanto efeitos de contraste – com materiais mais ‘tecnológicos’, como o aço inox –, quanto efeitos de adição, com produtos rústicos, como o tijolo aparente”, comenta o professor do curso de design de interiores da Fumec, Romeu Pereira.

Além de remeter à natureza, a arquiteta Renata Basques diz que, quando bem utilizada, a madeira consegue deixar o ambiente mais nobre e possibilita soluções inteligentes para o imóvel. “Quando fazemos uma marcenaria planejada, conseguimos esconder portas de lavabos que estão na sala, camuflar defeitos aparentes.”

Assim, os bons resultados na decoração e a possibilidade de uso bem diversificado da madeira atingem todos os gostos. “Podemos usar os MDFs, as lâminas naturais e até a madeira maciça em mesas e cadeiras pela sua resistência e durabilidade. Hoje, temos uma tendência muito grande em usar as madeiras certificadas e as lâminas em MDF, que têm texturas e acabamentos muito próximos dos naturais”, diz o designer de interiores Rodrigo Aguiar.

Romeu Pereira confirma a tendência ao uso ambientalmente correto do material. “Assim, espécies alternativas às tradicionais, provenientes de manejo sustentável, madeiras de fontes certificadas pelo selo FSC, dos mais respeitados do mundo, e madeiras de demolição têm sido cada vez mais utilizadas.”

Com um bom design, o produto ajuda a personalizar o ambiente com elegância - EDUARDO DE ALMEIDA/ RA STUDIO Com um bom design, o produto ajuda a personalizar o ambiente com elegância
Priorizar o uso de madeira proveniente de material sustentável é um bom critério a ser seguido. “A tendência é de utilizarmos cada vez mais MDF, com aplicação de lâminas e laca, e deixar as madeiras de uso sustentável e ecologicamente corretas como uma alternativa para o espaço. Muitos designers de móveis, como de cadeiras e mesas, estão com essa preocupação”, comenta Renata.

Apesar de sempre ter tido seu espaço garantido na decoração, o uso da madeira está cada vez mais alinhado à preocupação com o meio ambiente. “A utilização de materiais provenientes de manejo sustentável, que garantem o uso racional das florestas, é uma obrigação para as fábricas de mobiliário. O consumidor tem uma preocupação maior com a proveniência do material empregado nos móveis, o que acaba agregando valor para as peças também”, explica a arquiteta. Apesar dessas indicações, não há proibições no que se refere ao emprego da madeira, mas sim cuidado para tornar o ambiente aconchegante sem excessos.

BRILHO Para valorizar toda a beleza dos detalhes da madeira, a iluminação é uma boa alternativa, que deve ser empregada de maneira adequada. “É importante que elementos especiais, como painéis de madeira revestindo uma parede, tenham uma iluminação específica que os destaque no ambiente, mas sem ‘queimá-los’ pelo excesso de luz e de calor, quando são usadas lâmpadas inadequadas. Frequentemente, soluções de iluminação indireta dão melhores resultados”, explica Romeu.

De acordo com Renata Basques, a iluminação deve ser idealizada como um todo, seja em apartamento, casa ou espaço comercial, e para valorizar os pontos positivos do ambiente. “Não existe uma especificação no que diz respeito à iluminação mais adequada ou apropriada com a madeira. Ela deve ser pensada para valorizar o material, como no caso de painéis, mesas de centro e móveis de design.”

Na dose certa

A arquiteta Renata Basques diz que há procura por peças ecologicamente corretas - EDUARDO ALMEIDA/RA STUDIO A arquiteta Renata Basques diz que há procura por peças ecologicamente corretas
O custo do uso da madeira em projetos de decoração geralmente é a principal desvantagem do material. Em alguns casos é bem susperior a outros tipos de produtos disponíveis e a necessidade de manutenção mais frequente, como o lixamento e reaplicação de verniz a cada dois anos, no caso de elementos em áreas externas, também deve ser considerada antes da escolha.

Para a arquiteta Renata Basques, a grande vantagem está na marcenaria planejada, que possibilita grandes efeitos. “Como esconder defeitos e valorizar ambientes com painéis. A única desvantagem que consigo pensar é a respeito da montagem de uma marcenaria planejada, porque temos que ter tempo, já que é quase um trabalho artesanal. Mas o resultado supera todo o desgaste.”

Entretanto, para que a composição seja acertada, no caso de uma marcenaria planejada, é preciso pensar em todos os itens a serem guardados no espaço. Outro macete é executar um bom projeto, com detalhes de encaixes, acabamentos, puxadores etc. Além disso, contratar um bom profissional para executar o projeto é fundamental.

Se a opção for por utilizar a madeira com outro material, é necessário cuidado com os excessos, como indica Romeu Pereira. “Mesmo o uso exagerado de madeira escura pode deixar um ambiente muito pesado e sombrio. Além disso, o uso de baixa qualidade, ou que não foi seco adequadamente, vai comprometer em muito a durabilidade e o acabamento”, adverte o professor.

Investir no material demanda dinheiro e o preço vai variar de acordo com a espécie. A madeira serrada é vendida em metros cúbicos. A sucupira custa atualmente cerca de R$ 1,2 mil, o ipê, R$ 1,3 mil, e o cumaru, R$ 1,5mil. O mogno, uma das mais valorizadas, custa R$ 4 mil. Quanto ao projeto, os profissionais cobram entre R$ 700 e R$ 1 mil por ambiente.

ECONOMIA A arquiteta Renata Basques recomenda o freijó como boa opção de madeira com preço mais em conta em relação às outras. “Ela pode ser escurecida, clareada, deixar os veios aparentes, enfim, temos muita opção em relação ao freijó e é um material de custo bom”, comenta.

Para não correr o risco de ter o trabalho danificado antes mesmo da montagem do ambiente, também é necessário tomar algumas precauções no decorrer da obra, pois a madeira risca com grande facilidade. Por isso, é importante que elas sejam protegidas após a instalação e que acabamentos, como verniz, resinas ou sinteko, sejam executados por último.
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