Sustentabilidade chega ao lares com a decoração verde

O crescimento da consciência ambiental chegou também nas residências. Com isso, aumentam-se as possibilidades de torná-las ecologicamente corretas e especialmente belas

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postado em 10/03/2013 07:24 / atualizado em 11/03/2013 10:33 Júnia Leticia /Estado de Minas

 

A designer de interiores Ívia Maia defende o reaproveitamento de restos de madeira (detalhe) para montar painéis decorativos - Eduardo de Almeida/RA Studio A designer de interiores Ívia Maia defende o reaproveitamento de restos de madeira (detalhe) para montar painéis decorativos

A sustentabilidade está na moda e a arquitetura, mesmo que lentamente, vem acompanhando esse movimento. Embora o Brasil ainda não tenha uma legislação específica para materiais ecoeficientes, por que não construir verde? Com criatividade, podemos transformar o que achávamos ser lixo em peças de decoração. O que não falta por aí são produtos para colocar essa ideia em prática.

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Como exemplo de iniciativas que têm como foco o reaproveitamento de materiais na decoração está o uso de caixotes de madeira, que vêm sendo utilizados como prateleiras e criados-mudos; e os paletes, estruturas de madeira, metal ou plástico, utilizadas para movimentação de cargas. Os artigos que resultam do emprego de materiais como esses recebem o nome de ecoprodutos.

A designer de interiores Ívia Maia explica que ecoproduto é qualquer artigo ou bem de consumo que tenha sido reciclado. “Produzido a partir de matéria-prima sustentável e que cause o mínimo de impacto ao ambiente durante o processo de fabricação. Pode ser artesanal ou industrializado, desde que não polua e não agrida o meio ambiente, inclusive no pós-uso”, esclarece.

Esses produtos têm ganhado destaque graças ao crescente interesse da população na preservação do meio ambiente, segundo o arquiteto e urbanista Fernando Lima, do escritório Estela Netto Arquitetura e Design. “A utilização dos produtos ecológicos tem sua origem principalmente a partir da conscientização da população, incentivada, é claro, pelo maior interesse dos empresários em satisfazer os clientes, o que permite a produção em maior escala e viabiliza o ecoproduto economicamente.”

Um bom exemplo desse tipo de iniciativa é o aproveitamento de restos de madeira, como aponta a designer de interiores Mirlene Sales. “Encontrados em marcenarias ou fábricas do setor moveleiro e normalmente descartados, eles podem ser trabalhados formando painéis decorativos, tampos de mesas, mosaicos de madeiras, bancos, revestimento de paredes, entre outros. São várias as possibilidades, basta usar a criatividade”, cita.

RESULTADO
Para criar um móvel diferenciado reciclando materiais ou mesmo para colocar revestimentos sustentáveis em casa é necessário cuidar para que a peça seja adequada aos demais móveis que há no espaço, como diz a engenheira e designer de ambientes Flávia Freitas. “É preciso pesquisar sobre produtos novos lançados no mercado e matérias-primas diferenciadas para conseguir resultado à altura de cada necessidade.”

De acordo com Flávia, atualmente é possível criar vários ambientes sustentáveis com muito bom gosto. "A utilização de caixotes de feira, bambus e painéis feitos com paletes dá um charme ímpar ao ambiente. Com criatividade e estilo, muitos produtos podem ser usados como matéria-prima sustentável para a decoração, com um resultado surpreendente".


Revestimento vinílico no piso e parede, feito a partir de PVC reciclado, montado pelo arquiteto Fernando Lima - Arquivo pessoal Revestimento vinílico no piso e parede, feito a partir de PVC reciclado, montado pelo arquiteto Fernando Lima


Observados esses critérios, não há restrições quanto ao emprego da solução no designer de interiores. “Esse tipo de mobiliário, acabamento ou peça decorativa pode ser utilizado em qualquer ambiente, desde que haja harmonia e integração ao projeto”, acrescenta Flávia Freitas.

Fernando Lima observa que, cada vez mais, os ecoprodutos estão presentes em todos os segmentos do mercado. “Desde a especificação de materiais e produtos com sua origem ecológica e consumo inteligente a adaptações feitas por meio da reutilização de artigos antigos para novo uso, como aquele móvel que você herdou de família ou até mesmo de pente-fino em um antiquário.”

DIFERENCIAL GARANTE ESTÉTICA

O fato de ganhar destaque na decoração não necessariamente significa que investir em ecoprodução é algo caro (Líder Interiores / Divulgação) 
O fato de ganhar destaque na decoração não necessariamente significa que investir em ecoprodução é algo caro


Como material a ser aproveitado é o que não falta no meio ambiente, a dúvida é: como utilizá-lo na decoração? Há algo que não seja recomendado? A designer de interiores Ívia Maia defende a sua utilização. “Atualmente, na decoração tudo é possível, desde que haja consciência, harmonia e um conceito bem elaborado, para que o ecoproduto não seja inserido de forma a parecer resto ou lixo e que o recurso torne-se, inclusive, o diferencial do projeto, a peça-chave”, diz.

Os resultados obtidos com o uso do ecoproduto na decoração podem ser variados, como aponta a também designer de interiores Mirlene Sales. “Pode ter tanto o efeito comum, usual, quanto entrar como uma peça marcante, com estilo próprio. Independentemente do resultado, a tendência é aumentar cada vez mais seu uso, visto que o mundo caminha para um momento sustentável e essa consciência se torna um estilo de vida. É elegante e inteligente pensar na preservação do meio ambiente.”

Flávia Freitas, engenheira e designer de ambientes, confirma essa tendência, que é mundial. “A sustentabilidade e a preservação da natureza estão sempre presentes nos projetos de arquitetura e paisagismo. Empresas são criadas a partir de desenvolvimento de pesquisa e inovação e descobrem novos produtos ou matérias-primas sustentáveis para o mercado. A própria feira de Milão (Itália) está trazendo a cada ano mais materiais e empresas sustentáveis, com um produto bem-acabado e designs excepcionais.”

E o fato de ganhar destaque na decoração, chamando a atenção até mesmo de grandes empresas do setor, não necessariamente significa que investir em ecoprodutos é algo caro. “Existem soluções práticas e baratas, como utilizar objetos e móveis reciclados, pisos de madeira de reflorestamento e tijolos de solo-cimento ou de solo-cal. Utilizar elementos perdidos, transformando-os em obras decorativas, como, por exemplo, fazer uma poltrona com pneus de carro e usar rastelo de jardinagem para fazer um suporte de taças”, aponta Flávia.

CHIQUE Com a gama de produtos encontrados hoje no mercado, podemos esperar espaços cada vez mais bonitos, harmoniosos e chiques, de acordo com Fernando Lima. “Além, é claro, de ter a consciência limpa por contribuir para um mundo mais sustentável em vez de prejudicá-lo. Hoje podemos utilizar os ecoprodutos para quase todas as soluções na arquitetura. Como a mais prática, podemos citar a reutilização de artigos subtilizados para a confecção de um novo material para novo uso, como o caso dos pallets e caixotes de madeira.”

“Podemos encontrar caixotes de madeira em feiras de frutas e verduras, pallets em depósitos e lixos de empresas que usam este tipo de produto, escadas rústicas em construções e em empresas que trabalham com reciclagem de matérias-primas como garrafas, fibra de coco e pneus”, indica Flávia.

Para o arquiteto e urbanista Fernando Lima, é possível encontrá-los com facilidade, já que grandes empresas de todo o mundo trabalham com linhas de itens ecológicos em sua produção, segmento que ganha cada vez mais espaço. “Podemos encontrar ecoprodutos em supermercados, lojas de departamento, mobiliário e, como dito anteriormente, nos antiquários.”

Nesse processo de busca, Mirlene Sales ressalta a necessidade de unir visão da sustentabilidade com estética. “Eles devem ter uma ligação estética com o resto do ambiente. Não devem ser inseridos pelo simples fato de serem ecoprodutos.”

Viável e vantajoso

Revestimento e piso vinílico fabricado com materiais reciclados dão charme e conforto ao ambiente (Daniel Mansur/ Divulgação) 
Revestimento e piso vinílico fabricado com materiais reciclados dão charme e conforto ao ambiente


Consciência social e ambiental e a possibilidade de ter itens diferenciados na decoração. Essas são algumas das vantagens de investir nesses recursos, segundo Ívia Maia. “Porém, ainda estamos em um processo de valorização dos ecoprodutos. O custo desses produtos é alto para as empresas, tanto pelos processos industriais, quanto pela mão de obra”, diz.

Apesar de o Brasil ainda estar engatinhando nesse processo, Fernando Lima acredita que não existem desvantagens no emprego de ecoprodutos. “Eles muitas vezes têm o custo relativamente mais alto do que aqueles que não têm a preocupação ecológica, devido à sua política de produção e logística, mas nada que assuste o consumidor e que inviabilize a opção por eles”, defende.

Para ter uma noção de preço, Mirlene Sales informa que um painel de Oca Brasil, empresa especializada em revestimentos ecológicos, por exemplo, tem um custo aproximado de R$ 420 o metro quadrado (m²). “O ecobloco (fabricado com resíduos da construção civil) custa em torno de R$ 55, a peça de 50cm x 50cm.”

De acordo com Flávia Freitas, o valor da consultoria de um projeto que utiliza materiais recicláveis depende da proposta que o cliente quer para o seu espaço e elementos inseridos no projeto. “Já a execução pode ficar mais em conta. Nesses casos, o valor está na criatividade e qualidade do profissional”, explica.

Segundo a designer, como em qualquer projeto, contar com a ajuda de um profissional leva ao melhor uso do espaço. “Combinações corretas, plantas adequadas, composições criativas, reciclagem de materiais, circulação, vasos e cachepôs harmoniosos, destaques corretos para peças decorativas, iluminação que amplie as sensações do ambiente e crie uma nova atmosfera à noite, evitando excessos ou exageros, tudo isso poderá fazer diferença com a contratação do profissional correto para o desenvolvimento de um projeto sustentável”, diz Flávia.

Ívia Maia ressalta que o profissional é a peça-chave e elementar para o sucesso de um projeto e a boa utilização de todos os materiais necessários para sua composição. “Assim sendo, é imprescindível a sua ajuda e orientação, para escolher e saber aplicar o ecoproduto no local certo e de forma consciente, ampliando o valor que um produto dessa origem tem para a sociedade.”

Eles estão no auge


Rafael Cândido - Designer de interiores


“Produtos elaborados sem agredir o meio ambiente e os seres vivos.” Assim o designer Rafael Cândido resume o que são os ecoprodutos, que, segundo ele, vêm sendo utilizados crescentemente devido ao esgotamento dos recursos naturais, “que se torna cada vez mais evidente”, completa.

Para o urbanista Fernando Lima, ecoprodutos cabem em qualquer projeto (Arquivo pessoal) 
Para o urbanista Fernando Lima, ecoprodutos cabem em qualquer projeto


Quais materiais podem ser utilizados pelo design nesse tipo de decoração e como isso pode ser feito?
Diversos são os materiais que se encaixam no termo ecoproduto. Entre eles, chapas duras feitas de restos de material – como a caixa de leite e o tubo de pasta de dente –, pisos feitos de pneus velhos, madeiras artificiais feitas a partir do lixo. Existem também alguns bem conhecidos, como a madeira de demolição e os dormentes de estradas de ferro.

Quais são os critérios para escolher ecoprodutos e onde eles podem ser empregados?

Deve ser verificado se em sua descrição consta que é um produto ecológico e escolher fornecedores de confiança. Eles podem ser empregados nas mais diversas situações, como salas de estar e jantar e quartos. Em ambientes comerciais, como lojas e escritórios, também ficam fantásticos.

Quais são as soluções mais práticas e baratas atualmente para quem quer utilizá-los?

O ecoproduto traz um pouco a ideia do “faça você mesmo”, um jeito simples de conseguirmos peças interessantes e únicas. Você pode utilizar um palete como mesinha de centro ou painel da cama, por exemplo, ou caixotes da feira para criar uma grande estante.

Onde esses produtos podem ser comprados?
Em lojas especializadas e na internet. Mas ainda é um produto mais caro que os comuns, por ser muito específico. Um profissional pode indicar bons fornecedores, evitando gastos excessivos, além de identificar se o produto é realmente verde.

 

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600
 
Douglas - 11de Março às 15:22
Muito show! Parabéns as designers.

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