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Excesso de elementos e exagero marcam o estilo kitsch na decoração

O estilo nasceu a partir da produção artística e cultural destinada a abranger uma maior parte da população

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Reprodução/Internet/mabelleduchess.com.br

O kitsch é um estilo de decoração que está mais presente no dia a dia do que as pessoas imaginam, mas que nem sempre é reconhecido pelo nome. Muito questionado na arquitetura e na decoração, o kitsch nasceu a partir do fenômeno conhecido como sociedade de massa, na qual a produção artística e cultural era destinada a abranger uma parte maior da população.

Reprodução/Internet/reciclagemjardinagemedecoracao.blogspot.com
"Na época em que esse movimento surgiu, acontecia a ruptura da sociedade contemporânea, caracterizada pela mudança dos costumes e valores. A nova era passava a ser conhecida como sociedade de consumo e foi a partir daí que o kitsch apareceu, em plena massificação e alienação cultural. Por isso há toda essa discussão sobre o assunto", esclarece Lucille Amaral, arquiteta e professora do Curso Técnico em Design de Interiores do CEPDAP (Centro de Educação Profissional de Design, Artes e Profissões).

Segundo a professora, a principal característica do kitsch é o exagero e o uso excessivo de elementos, como diversos quadros em uma mesma parede ou a mistura de vários estilos em um mesmo ambiente. "É essa relação com o exagero que muitos associam ao brega. No entanto, na maioria das casas, é comum você verificar um elemento considerado kitsch, como pinguins de geladeira, anões de jardim, flores artificiais ou até mesmo imitações de obras de arte. Isso não significa que a pessoa tenha mau gosto para decorar, pois estamos lidando com a cultura de massa. Nesse caso, a amplitude e a oferta são tão grandes que não se pode dizer que não tenham valor", explica.

Reprodução/Internet/ponttolavabo.com.br
No caso de edificações, Lucille comenta que muitos prédios novos utilizam elementos do kitsch como adornos exagerados e frontões, que passam a falsa ideia de nobreza, tornando-se mais atrativos comercialmente. "Isso deixa o edifício aparentemente mais comercial, pois o consumidor não reconhece essa jogada de venda. Mas para os profissionais da área é um problema, pois deturpa a arquitetura. Além disso, o uso de artifícios como esses pode passar para o consumidor final a falsa interpretação de que o imóvel tem estilo, o que é totalmente equivocado", avalia.

Para aqueles que não têm receio em exagerar na decoração, a arquiteta dá dicas de como usar determinados elementos. "Se a intenção é algo kitsch, deve-se exagerar na quantidade e variedade de cores de almofadas, por exemplo, ou ainda, pintar uma parede com cor forte e acrescentar diversas molduras de fotografias de diferentes épocas. Se forem objetos bem escolhidos, podem sim ter seu ponto positivo de destaque na decoração", ensina Lucille.

Tags: decoração

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