Casa Mineira

Morada de estilista em Nova Lima proporciona sensação total de liberdade

Projeto original de Carico no Vila Del Rey foi ampliado em reforma e manteve traços inovadores

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postado em 07/05/2013 10:35 Laura Valente /Estado de Minas
Idealizado no projeto original, o pé direito alto, com parede em vidro, tanto revela a imponência do imóvel quanto o integra à paisagem exterior: uma área com árvores frutíferas e mata preservada - Leandro Couri/EM/D.A Press Idealizado no projeto original, o pé direito alto, com parede em vidro, tanto revela a imponência do imóvel quanto o integra à paisagem exterior: uma área com árvores frutíferas e mata preservada

Há 20 anos, a estilista Adriana Bedran, na época mãe de um casal de crianças, comprou um terreno no condomínio Vila Del Rey, em Nova Lima, e encomendou um projeto totalmente inovador ao arquiteto Carico: uma casa tipo loft, com 500 metros quadrados de área construída, mas o mínimo de estrutura em alvenaria. A partir do pedido, o profissional criou estrutura em vigas de aço, madeira e vidro, e, no lugar de paredes convencionais, optou pelo uso de telhas térmicas, espécie de sanduíche isolante (com duas camadas de alumínio e uma de poliuretano), que além de ser moderno à beça, reduz tanto a chance de mofo quanto a necessidade de manutenção constante com pintura, por exemplo. “Pensei em uma casa com ambientes amplos e sem paredes inteiras para não perder a área de circulação. Também não gosto de divisão de ambientes, corredores, o que o Carico interpretou como desejo de sensação de liberdade. Para tanto, privilegiou uma circulação aberta entre as áreas e pé-direito alto, com cume de oito metros, entre outras características”, explica a proprietária. Sucesso, o projeto – a primeira casa construída com assinatura de Carico – chegou a ser apresentado em duas bienais internacionais de arquitetura.


Anos mais tarde, com os filhos próximos à idade adulta, Adriana sentiu necessidade de uma reforma. Desta vez, entregou o projeto à dupla de arquitetos Cristiano Sá Motta e Ricardo Gruner, que preservaram a ideia inicial, mas ampliaram a área construída com o acréscimo de uma nova sala íntima fora do corpo da casa, a introdução de uma suíte/estúdio para o rapaz, também no conceito loft, e repaginaram parte da cozinha, da fachada, das suítes do casal e da filha, já moça.

A sala original, com piso em mármore aurora prata, remanescente de uma já extinta empresa de Ouro Preto, recebeu mesa em braúna maciça, desenhada pela dupla de arquitetos com inspiração em similares usados em mosteiros da Espanha medieval. Na cozinha, além de extrair uma parede para garantir vista e circulação direta para o jardim frontal da casa, eles desenharam todo o mobiliário, cujo leiaute é funcional e moderno. A mesa em ferro oxidado ganhou tampo de vidro e porta-temperos. Alterações também foram realizadas no lavabo, “encapado” com madeira e papel de parede da Designers Guild, de Londres. Uma sala íntima, com home theater e lareira automática (em que pedras vulcânicas ficam incandescentes), toda revestida em vidro e pedras foi criada do lado de fora, funcionando como uma extensão da casa, mas com passagem que exige contato direto com a grama que cobre todo o entorno do imóvel.

Na parte superior, a suíte do casal tem piso em madeira de demolição. Com paredes externas também em vidro, abriga um grande closet criado com contêineres de telha térmica. No ambiente, a intervenção de Motta e Gruner privilegiou o banheiro, recriado com uma grande bancada externa com duas cubas, além de duas cabines íntimas separadas. Ainda no segundo andar, o quarto da moça foi ampliado: ganhou um closet e um banheiro mais espaçoso.

A surpresa final fica por conta da suíte do rapaz, criada pela dupla de arquitetos na parte inferior, aproveitando tanto uma das paredes da piscina quanto o espaço abaixo do deck da área de lazer, com direito à vista privativa para a mata. O espaço de 110 metros quadrados comporta o ambiente de dormir, além de uma mistura entre escritório, estar e estúdio de música. Com tanto espaço privilegiado pelo visual externo, iluminação natural e circulação de sons, pessoas, aromas e até de bichos que pintam por lá, a sensação é de total liberdade.

Projeto polêmico

Com parede frontal toda de vidro e pé direito com mais de oito metros, o quarto do casal tem vista para a mata. Segundo a proprietária, em noites de lua cheia ganha um colorido prata especia - Leandro Couri/EM/D.A Press Com parede frontal toda de vidro e pé direito com mais de oito metros, o quarto do casal tem vista para a mata. Segundo a proprietária, em noites de lua cheia ganha um colorido prata especia
Totalmente inovador para a época, meados dos anos 1990, o projeto causou muita polêmica entre os vizinhos de Adriana, como lembra o arquiteto Carico. “Chegaram a tentar embargar a obra, já que acreditavam que naquela estrutura diferente, com aspecto de galpão, funcionaria uma fábrica e não uma casa residencial”, recorda.

No entanto, arquiteto e proprietários seguiram em frente. “Não gosto de dizer que fomos pioneiros, mas realmente participamos do início desse tipo de construção no Brasil”, reflete Carico. O arquiteto informa ainda que, naqueles idos, já havia casas no estilo galpão/loft nos arredores de Londres e de NY. “Como as cidades cresceram demais, pessoas mais descoladas passaram a ocupar galpões de antigas fábricas e o conceito foi difundido. Mas, ali, em um condomínio de alto padrão, a proposta realmente causou muita estranheza.”

Além de economia de tempo, já que a estrutura da casa foi erguida em menos de um mês, também o tipo de matéria-prima usada no lugar da tradicional alvenaria representou excelente custo/benefício. “Eles conseguiram erguer um imóvel de 600 metros quadrados de área com custos bem legais. E o melhor é que os proprietários adaptaram-se totalmente à inovação”. Outra questão polêmica veio do sanduíche de telhas de alumínio usado como revestimento. “Antes de ficar fosco pelo uso, a telha refletia a luz em imóveis vizinhos. Daí também houve reclamação, até o tempo passar e esquecerem o assunto”.

Destacado com prêmios em bienais e em revistas especializadas, o projeto deu o que falar. “Nunca foi uma unanimidade, alguns amam, outros odeiam. De qualquer forma, até hoje é um trabalho do qual me orgulho e pelo qual sou grato de ter realizado. Imagine que mais de duas décadas depois ainda é comentado, ainda toca as pessoas”.
A reforma introduziu decks de madeira em parte do gramado e em frente à sala íntima. Além de integrar ambientes, a solução amplia a área de circulação e capacidade de receber visitas no imóvel - Leandro Couri/EM/D.A Press A reforma introduziu decks de madeira em parte do gramado e em frente à sala íntima. Além de integrar ambientes, a solução amplia a área de circulação e capacidade de receber visitas no imóvel
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Marcio - 07 de Maio às 11:36
CAda um com seu gosto... Eu achei horrível... Aberto demais.. Espaços transparentes demais...

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