Casa Cor espera 50 mil pessoas para ver ambientações contornadas pela identidade única do mestre

Público deve ser 20% maior que em 2012, revelando ao mundo a obra consolidada de Niemeyer na Pampulha, na capital e no estado

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postado em 20/09/2013 09:53 / atualizado em 20/09/2013 12:12 Joana Gontijo /Lugar Certo
A paisagem privilegiada da Lagoa da Pampulha é um dos atrativos do evento - Joana Gontijo/EM/D.A Press A paisagem privilegiada da Lagoa da Pampulha é um dos atrativos do evento

Nas 18 oportunidades anteriores que a Casa Cor esteve em Belo Horizonte, os melhores profissionais do estado participaram da montagem de 80 mil m² de evento, distribuídos em quase 900 ambientes. “Casa Cor é a demonstração anual da criatividade e competência desses profissionais, que atrai um público crescente e cada vez mais focado, alavancando de forma espetacular o mercado de decoração, arquitetura de interiores e paisagismo”, afirma João Grillo. Este ano, são esperadas 50 mil pessoas durante os 32 dias, 20% a mais do que em 2012. Na última edição na capital, o perfil do público foi caracterizado pela faixa etária predominante entre 20 e 39 anos, com 71% dos visitantes pertencentes à classe A e 26% à classe B, sendo que 92,8% deles estavam ou pretendiam construir e reformar, e 43% identificaram algum elemento que gostariam de ter em casa.

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No caso específico de 2013, a casa selecionada, uma verdadeira obra de arte modernista, demandou um cuidado extremo de preservação da estrutura original, já que é tombada como patrimônio cultural. Para isso, uma equipe de consultores foi exclusivamente designada para assegurar que todas as regras fossem seguidas neste sentido, durante o planejamento da ocupação do imóvel. “O nosso escritório, Begiato e Leal Arquitetura, foi selecionado (o que é uma honra para nós) para estabelecer critérios, diretrizes e orientações técnicas e conceituais para a realização do evento. Temos experiência em bens tombados e patrimônio, então fizemos as críticas necessárias para estimular as intervenções”, conta Edwiges Leal. A introdução da mostra na residência, continua, aconteceu de forma contemporânea, em interferências mais decorativas do que propriamente a criação de volumes ou elementos que pudessem prejudicar a leitura do espaço. “A ideia não era entrar no trabalho dos arquitetos - cada um faria a sua concepção -, mas o norte foi em não maquiar a arquitetura, deixando-a ser interpretada, transparente, de maneira inequívoca, sem colocar dúvidas no espectador”, explica a arquiteta.
A arquitetura sinuosa de Niemeyer revela várias surpresas durante o percurso - Joana Gontijo/EM/D.A Press A arquitetura sinuosa de Niemeyer revela várias surpresas durante o percurso

No entendimento de Eduardo Begiato, a importância da obra de Niemeyer dispensa comentários. Para ele, esta homenagem que a Casa Cor faz ao arquiteto em uma edificação residencial, que está entre as poucas residências de sua autoria, permite que mais pessoas conheçam o trabalho dele em Belo Horizonte, ainda mais sendo uma casa familiar. “A questão de ambientar parte do princípio de imaginar o que a faríamos em um espaço de tanta qualidade como se fosse uma festa, um evento. Então intervimos, fazemos a “festa”, sem necessariamente ter que criar o espaço; ele já está aí. A casa já esta aí. Dentro dela, as coisas aconteceram durante 60 anos, e o que se quer mostrar é que elas podem continuar acontecendo”, salienta.

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A festa do modernismo
Na Suíte do Casal, o visitante é recepcionado por um grande painel curvo - Thiago Ventura/EM/D.A Press Na Suíte do Casal, o visitante é recepcionado por um grande painel curvo

Ao adentrar o abrigo do casal, a primeira coisa que se nota é uma imponente curva. Na suíte de Eduarda Corrêa, o painel ondulado fabricado em ripas de madeira sobrepõe a parede original por trás da cama fazendo, logo a frente de quem chega no ambiente, um cumprimento a Oscar. Outro painel apresenta trabalhos gráficos típicos da época da criação da casa, perfazendo o local do antigo armário. A composição geral dos 55 m², assim, tem visual altamente modernista, integralmente inspirado na década de 1950, sem modismos. “Quis fazer uma homenagem às curvas de Niemeyer, então criei este painel
Eduarda Corrêa lembra o homenageado usando peças da década de 1950 mescladas ao design nacional - Thiago Ventura/EM/D.A Press Eduarda Corrêa lembra o homenageado usando peças da década de 1950 mescladas ao design nacional
principal, com o diferencial da iluminação por trás, dando um ar mais aconchegante e intimista”, diz Eduarda. A curvatura do painel foi, segundo a profissional, o princípio da distribuição do dormitório, feita com a intenção de dividir os espaço negando as retas como, exemplifica, a escrivaninha em diagonal.

Na Suíte do Casal, móveis de design brasileiro que carregam nomes consagrados e valorizam a característica palhinha são mesclados a peças antigas, datadas dos anos 1950, como o simpático ventilador de ferro sobre a mesa em um canto. Eduarda cita ainda a poltrona que reedita o desenho original concebido para a inauguração de Brasília, no Itamaraty, assinada pelo designer Geraldo de Barros, produzida em madeira certificada, depois da proibição do uso de madeiras como o jacarandá, material inicial da poltrona. A escrivaninha detentora do prêmio do Museu da Casa Brasileira é adornada na parede logo acima por uma coleção de xilogravuras de Burle Marx, parceiro em diversas vezes de Oscar Niemeyer, que se completam no ambiente com obras de arte pertencentes a um colecionador particular. “O fato do evento acontecer em uma casa de Niemeyer é o grande diferencial deste ano. É o que atrai, porque é uma casa muito bonita. Tem este resgate do passado, esta pegada da cultura regional mineira. O que só acrescentou e valorizou o trabalho dos profissionais.”
O Lounge do Conforto é o espaço ideal para curtir um bate papo no fim de tarde - Thiago Ventura/EM/D.A Press O Lounge do Conforto é o espaço ideal para curtir um bate papo no fim de tarde

A antiga área de circulação ao descer as escadas, e passar, no andar inferior, para a lavanderia, agora é o charmoso Lounge do Conforto, um recanto para gastar o tempo, descansar, ler, tomar um chá ou um desfrutar de um convidativo bate papo. O designer de interiores Luiz Carlos Landim e a arquiteta e designer Marlene Decicino, integrantes pela primeira vez da Casa Cor, introduzem o espaço ideal para o convívio em um fim de tarde. “Aqui não é um quarto bacana, não é uma super sala; é uma passagem. No projeto original da casa, esta área não era nada, apenas o acesso a uma quadra e um jardim. Agora o
Luiz Carlos Landim e Marlene Decicino renovaram o ambiente que era apenas uma área de passagem no projeto original - Thiago Ventura/EM/D.A Press Luiz Carlos Landim e Marlene Decicino renovaram o ambiente que era apenas uma área de passagem no projeto original
trouxemos para a realidade da moradia de uma família real, criando um lounge”, frisa Luiz Carlos. Com formas despojadas e requinte nos materiais, o ambiente se mantém fiel às decisões de Niemeyer, e tira proveito das pastilhas e pedras São Tomé nas paredes, seguindo a linha terral no restante da composição.

Materiais claros e tons pasteis são salpicados, no lounge de Luiz e Marlene, de modestas cores quentes no mobiliário limpo e atemporal. Elas aparecem em vida, por exemplo, no aparador laranja escuro estrategicamente posicionado. A iluminação intimista é resolvida principalmente com os charmosos pendentes em madeira acima da sinuosa poltrona cinquentista em ferro, além da luminária sobre o aparador. Harmonizando perfeitamente adornos e obras de arte, a composição é finalizada com uma personalidade única para receber bem. “Nada de tecnologia. Hoje, qualquer lugar que você chega está cheio de TVs, iPads, celulares e outros aparatos, mas o que a gente quer neste cômodo é uma conversa gostosa, da vida real, nada de virtual”, e completa o designer: “essencial dentro de casa é conforto e aconchego. Lá fora é tudo muito rápido. Quando estamos em casa queremos sentir paz, ter a certeza de que aqui é meu espaço, meu cantinho. É claro que todos também queremos novidade - e a Casa Cor traz isso -, mas não pode se perder o básico: o conforto e o aconchego.”
Na Loja, Carla Braga interferiu minimamente no que já existia, e criou uma proposta comercial para a antiga lavanderia - Thiago Ventura/EM/D.A Press Na Loja, Carla Braga interferiu minimamente no que já existia, e criou uma proposta comercial para a antiga lavanderia

A arquiteta Carla Braga resolveu se candidatar à primeira participação na Casa Cor depois de saber da escolha por Niemeyer. Na Loja, a profissional interferiu minimamente no ambiente que originalmente era a lavandeira, buscando valorizar o que já existia da arquitetura de interiores do arquiteto, salienta, para dar outro uso ao espaço, desta vez destinado a fins comerciais. O piso de cerâmica em mosaico de cacos vermelhos e pretos esparsos, além das estantes forradas de azulejo e a porta em gradil, foram mantidos, em contraponto a demais elementos contemporâneos, gerando, no conjunto da concepção, um tom cenográfico. “Procurei introduzir referências atuais e materiais naturais, como o painel, o teto e as cortinas em linho artesanal, adicionados do gaveteiro em madeira maciça, a bancada em mármore natural, e a poltrona de 1950”, descreve Carla. A composição, desta maneira, propõe uma releitura do tratamento plástico conferido aos interiores, característica da arquitetura modernista.

SUSTENTABILIDADE
Zonas livres no terreno foram aproveitadas com a criação de belos jardins e plataformas sustentáveis que abrigam novos espaços - Thiago Ventura/EM/D.A Press Zonas livres no terreno foram aproveitadas com a criação de belos jardins e plataformas sustentáveis que abrigam novos espaços

O farto terreno na Pampulha possibilitou uma sacada genial dos profissionais envolvidos com o evento, lembra Ernesto Lolato. O grande número de zonas baldias foi extremamente fértil para o nascimento de estruturas adicionais para comportar ambientes inéditos na casa, que são um dos pontos altos da Casa Cor Minas em 2013. “As áreas abandonadas foram muito bem trabalhadas pelos profissionais, tanto através de aplicações de paisagismo, quanto com a criação de novos pavilhões na parte externa, com os contêineres. Estas caixas que permeiam a mostra ressaltam a questão da sustentabilidade, lembrando a possibilidade de reutilizar materiais que iriam para o ferro velho. Revestidos com novas pinturas e adaptados como espaço de moradia, eles serviriam, por exemplo, para a vida no campo. É um sinal de como se pode viver no mato, isolado, e não precisar de nada externo, ser completamente autossustentável, em casas até com sistemas de captação de luz solar e geração alternativa de energia”, afirma Lolato.
A Casa de Jardim é o casamento perfeito entre arquitetura e natureza - Thiago Ventura/EM/D.A Press A Casa de Jardim é o casamento perfeito entre arquitetura e natureza

A Casa do Jardim, projetada por Luís Fábio Rezende de Araújo, foi instalada em um desses espaços anexos à residência principal, com o objetivo de ser um local de relaxamento ao receber visitas, unindo luxo e conforto para fazer o enlace singular entre arquitetura e natureza. “Meu espaço foi inteiramente construído nos jardins do evento em uma área de 140 m²,
Luís Fábio Rezende de Araújo mostra uma composição cheia de luxo e conforto para receber bem - Thiago Ventura/EM/D.A Press Luís Fábio Rezende de Araújo mostra uma composição cheia de luxo e conforto para receber bem
em steel frame. Com o conceito de uma casa voltada para o lazer, a edificação conta com um hall de entrada, que deriva em um grande living que também tem função de home-theater. Atrás do hall, há uma sala de jantar e, ao lado, a cozinha gourmet. O ambiente conta ainda com lavabo e uma varanda parcialmente coberta sobre um deck, que tem o papel de mirante para todos os jardins da mostra”, enumera o arquiteto.

A conexão com os jardins é um dos trunfos do projeto em sua íntima ligação com o entorno. Detalhes como o flamboyant que penetra no espaço com seus generosos galhos e o imponente painel formado por trepadeiras saltam aos olhos. Emoldurando cada pormenor, a arquitetura surge em traços limpos e aberta, valorizada com a estrutura elevada e recuada que fornece a sensação da construção estar flutuando sobre os jardins. Por dentro, Luís Fábio, que também é designer de interiores, buscou manter o equilíbrio entre o clássico e o contemporâneo, especificando peças marcantes, como uma poltrona de Carlos Motta. Obras de arte de artistas como Leopoldo Martins, Ricardo Carvão Levy, Fran Krajcberg, Rubens Ianelli, Fernando Lucchesi, Barssotti, Erli Fantini e Fernando Velloso, coroam o ambiente com estilo.
Na Sala Minas Gerais, Pedro Lázaro exalta conceitos típicos da cultura mineira - Thiago Ventura/EM/D.A Press Na Sala Minas Gerais, Pedro Lázaro exalta conceitos típicos da cultura mineira

Ao lado, conformada em um deck frontal, um pátio interno de entrada e os ambientes de estar e jantar, a Sala Minas Gerais também é uma caixa especialmente criada para a mostra. Estendida em planos de vidro e partindo do aço carbono na volumetria, a estrutura comporta o loft consolidado pelos conceitos inerentes à cultura mineira, e que leva a assinatura de Pedro Lázaro. “A inspiração inicial vem do barroco, e os contrastes são a tônica da composição arquitetônica”, cita. O piso e parede em pedra sabão e a cobertura em madeira enfatizam esta antítese, que se sustenta na premissa do equilíbrio e da qualidade natural do espaço. Na decoração, elementos naturais se aglutinam à alta tecnologia. Cores muito bem dialogadas, carinho em almofadas com aplicações em tricô, móveis desenhados, flores e particularidades como as pequeninas plantas aquáticas sobre a mesa de centro, além de objetos que remetem a brinquedos de crianças e uma grande obra de arte que lembra uma cidade miniatura em madeira, foram escolhas acertadas, e agradáveis ao olhar. “Tradição e cultura se associam à maneira atual de viver gerando uma atmosfera que, ao mesclar tais conteúdos, se insere perfeitamente em nosso tempo”, diz Pedro.

Chegando ao jardim posterior, Estela Netto apresenta, em outra nova estrutura, o Gazebo, com aproximadamente 24 m², uma construção metálica e em drywall. “Quis dialogar com o cenário onde a mostra está instalada. Assim, elementos arquitetônicos brasileiros foram o fio condutor do espaço, que conta com mobiliário de Sérgio Rodrigues e Etel Carmona e obra de arte de Sônia Ebling.” O jardim vertical, que fala diretamente com um suntuoso lustre de velas artificiais, é um capítulo à parte. Ele cria a impressão de estar imerso em um jardim, proporcionando uma agradável sensação de acolhimento, no resultante encontro entre sofisticação e simplicidade.
Elementos arquitetônicos brasileiros foram o fio condutor do Gazebo, de Estela Netto - Thiago Ventura/EM/D.A Press Elementos arquitetônicos brasileiros foram o fio condutor do Gazebo, de Estela Netto

Para Ernesto Lolato, o conceito do “cocoon”, do casulo, continua valendo em relação ao lar. Na sua opinião, ali dentro as pessoas querem, cada vez mais, ter o máximo de estrutura e comodidade para ser autossuficiente, e fugir da violência, dos custos altos, do trânsito. “Por exemplo, aqui apresentamos um cinema que é o máximo dos máximos, algo que podemos falar que nunca vimos dentro do lar. Uma coisa é você ter um cinema deste tipo e outra é ter uma TV de 50 polegadas. A casa, claro, extrapola uma infinidade de outros acontecimentos da nossa vida.” E finaliza o organizador da Casa Cor. “Hoje é tão difícil surpreender as pessoas, todo mundo sabe de tudo, com várias ferramentas de mídia a um toque. O que a gente precisa é ter um outro olhar para fazer isso.”

PROMOÇÃO ESPECIAL

Como tradição, os últimos quatro dias Casa Cor (19 a 22 de outubro) são dedicados ao Special Sale, período em que objetos, obras de arte, móveis, equipamentos e acessórios que compõem os ambientes estarão com descontos de até 70%. O ingresso para visitar a mostra custa, a entrada inteira, R$ 50.

CASA COR MINAS GERAIS 2013
De 21 de Setembro a 22 de Outubro de 2013
Special Sale: 19 a 22 de outubro
De quarta a sexta, de 16h às 22h; sábado, de 13h às 22h; domingo,
de 13h às 19h.
Ingresso: R$ 50 (inteira) e R$25 (meia – para idosos acima de 60 anos,
crianças e estudantes)
Na Alameda das Palmeiras, 444 - Bairro São Luiz, Pampulha – Belo Horizonte - MG
Informações: www.casacorminas.com.br; (31) 3286-4587

Tags: mostra

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