Por entre frestas

Moda da decoração nos anos 1950 e 1960, cobogó volta com força total

O cobogó está em alta. Elemento vazado, normalmente feito de cimento, usado para dar maior ventilação e luminosidade no interior do imóvel, invade todos os ambientes, agora, em material mais nobre

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postado em 14/12/2014 08:00 / atualizado em 12/12/2014 11:02 Lilian Monteiro /Estado de Minas
Cozinha laranja com peças de cerâmica esmaltada tem um toque todo especial - Xico Diniz e Aluízio Gomes Accioly Filho/Divulgação Cozinha laranja com peças de cerâmica esmaltada tem um toque todo especial
Febre nos anos 1950 e 1960, quando era usado, principalmente, nas áreas externas, nos jardins, o cobogó ganha força novamente na decoração. Repaginado, ele tem o dom de deixar o ambiente estiloso. Esqueça o cimento sem graça e imagine peças descoladas, coloridas, modernas, retrôs, arrojadas, clássicas, de cerâmica, argila, porcelana, mármore, madeira e vidro. Você tem todas essas opções para criar um projeto bacana e funcional, já que ele pode fechar um ambiente, criar área de circulação, proporcionar ventilação e luminosidade, além de assumir o papel de objeto decorativo em paredes, bancadas e o que mais a imaginação permitir.


O cobogó nasceu das iniciais dos sobrenomes de três engenheiros que, no início do século 20, trabalhavam em Recife e o criaram: o português Amadeu Oliveira Coimbra, o alemão Ernest August Boeckmann e o brasileiro Antônio de Góis. Sócios numa fábrica de tijolos, eles desenvolveram o recurso arquitetônico para amenizar as altas temperaturas do Nordeste. No entanto, a fama da peça, considerada um marco na arquitetura moderna brasileira, veio com o projeto do arquiteto carioca Luiz Nunes, que usou o cobogó na caixa d’água de Olinda, um prédio equivalente a seis andares toda rendada, de 1934.

O cobogó branco foi usado no projeto de Renata Santa Rosa na Casa Cor Rio Grande do Norte - Alberto Medeiros/Divulgação O cobogó branco foi usado no projeto de Renata Santa Rosa na Casa Cor Rio Grande do Norte
A partir daí, o cobogó não ficou restrito somente a prédios comerciais ou na indústria, mas ganhou as residências. Depois de um tempo sumido, o recurso volta a ser tendência na decoração. Com proposta ousada e de design, ele reaparece com apelo sofisticado. Da área externa, ele surge na sala, cozinha, sala e corredor dos quartos. Na varanda, é um charme. Há projetos em que ele aparece até como painel decorativo. Além de versátil, o cobogó cabe em todos os bolsos. Uma peça em cerâmica, bem básica, é facilmente encontrada em lojas de construção e custa de R$ 3,90 a R$ 28 cada. Já um de louça tem valor médio de R$ 47 a unidade. Mas dependendo do material ele pode chegar a R$ 400.

Novidade no mercado brasileiro, os elementos vazados esmaltados da Manufatti valorizam premissas de sustentabilidade em projetos de arquitetura, decoração de interiores, paisagismo e design. Além do efeito estético, o cobogó pode promover o conforto termoacústico e, ao mesmo tempo, valorizar o visual das edificações. A empresa comercializa peças “artesanalmente industrializados”, o que significa unir a beleza de uma peça feita à mão ao processo de fabricação com implantação de tecnologia avançada e desenhos e formatos inspiradores em tamanhos de 20cm x 20cm (rendimento de 25 peças por metro quadrado), de 30cm x 30cm (rendimento de 11 peças por metro quadrado) e 27,5cm x 9,5cm (medida exclusiva do modelo papiro). Os preços variam de acordo com o modelo e o tamanho da peça escolhida.
Na Casa Cor de Campinas, Daniele Guardini e Adriano Stancati usaram o cobogó para deixar o ambiente mais clean - Arquivo Pessoal/Divulgação Na Casa Cor de Campinas, Daniele Guardini e Adriano Stancati usaram o cobogó para deixar o ambiente mais clean
A diretora comercial da Manufatti, Patrícia Maciel Maia, reforça que o cobogó é um material superatual, que pode ser usado em qualquer ambiente e com a infinidade de cores e desenhos que hoje em dia há no mercado. “É possível ampliar ainda mais o leque de utilização do produto usando a criatividade em projetos de áreas internas e externas. Eles podem separar ambientes, estar na execução de painéis ou para proporcionar mais privacidade em algum local.” Ela explica que a manutenção não é complicada e vai depender do material. “Os cobogós cerâmicos e esmaltados exigem atenção. Como toda peça cerâmica, requer cuidados no momento do transporte e durante a instalação. Mas, depois de instalados, a manutenção é simples, basta limpar com uma flanela e produtos neutros.”

DESENHO
A arquiteta Beatriz Quinelato escolheu a peça como painel decorativo que é o destaque da sala - Leandro Farchi/Divulgação A arquiteta Beatriz Quinelato escolheu a peça como painel decorativo que é o destaque da sala
Formada em arquitetura e urbanismo pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo e reconhecida pelo estilo contemporâneo e minimalista, a arquiteta Beatriz Quinelato lembra que a escolha do tipo de cobogó depende do projeto. “Hoje, temos cobogós com uma linha bem retrô, outros que já seguem uma linguagem contemporânea. É importante analisar o local que será colocado, o estilo de projeto proposto para cada ambiente e qual a paleta de cores do espaço. Com isso, temos uma infinidades de combinações. O cobogó é um elemento curinga que se aplica em qualquer espaço.” Ela conta que a primeira função do cobogó é mesmo a divisória, é o carro-chefe de utilização. “Mas há outras possibilidades incríveis, como seu uso em fachadas e painéis, com a função de proporcionar privacidade sem esconder. Atualmente, ele está longe de ser apenas funcional. Os desenhos e cores desenvolvidos valorizam a beleza das peças e permitem composições que resultam em lindos painéis decorativos. Eles são totalmente incorporados na concepção da maioria dos projetos. Basta criatividade. A dica para não ficar over é verificar três pontos básicos: desenho, cor e dimensão do local a ser aplicado. Se for uma área grande, a melhor escolha é um desenho mais limpo ou uma cor neutra.”

Tags: decoração

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