Volta ao natural

Estimular sensações é a missão da arquitetura sinestésica, com ambientes experimentados

Arquitetura ou design sinestésico é uma forma de incorporar ou criar elementos em cada ambiente de maneira que as pessoas possam explorá-los por meio dos cinco sentidos

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postado em 30/10/2016 13:07 / atualizado em 30/10/2016 15:05 Lilian Monteiro /Estado de Minas
A iluminação trabalhada de forma a criar cenários ajuda a despertar o sentido visual - Daniel Mansur/Divulgacão A iluminação trabalhada de forma a criar cenários ajuda a despertar o sentido visual
Estimular sensações. Essa é a nova missão da arquitetura sinestésica que envolve a criação de ambientes que possam ser experimentados. A arquiteta e especialista em história da cultura e da arte Estela Netto explica que esse movimento está bem consolidado em projetos comerciais, de varejo e serviço, como em lojas, clínicas e restaurantes, já que a intenção é seduzir o cliente e estimular sua percepção. A pretensão é que o espaço não seja só para receber, mas que ele possa envolver e criar laços afetivos e emocionais. Agora, ela enfatiza, esse desejo de conquista desembarca nas residências porque as pessoas chegam em casa e querem se desligar do trabalho, do tumulto do trânsito, de estar on-line o tempo todo. A vida anda tão atropelada que é como se a casa não fosse “um lugar”, perdeu-se a relação com o sofá, o tapete, com as paredes e a casa vira um “não lugar””.

Portanto, a ideia da onda sinestésica é “como podemos estimular o proprietário com esse espaço, com sua casa. Pode ser com cheiro, com a música, com o toque nas texturas”. Estela Netto diz que é uma decoração mais criteriosa e preocupada em contribuir para que cada um faça essa imersão, o que não é uma volta ao passado, mas ao natural. “Grandes bureaus pelo mundo fazem essa discussão. Percorremos um caminho grande, industrializado, com muito plástico e vinil. Agora, a procura é por fibras naturais, a madeira, o algodão, o linho e a palha que estimulam a textura e o toque. É criar uma conexão com a casa e se sentir acolhido e confortável. Ter mais envolvimento e, certamente, é melhor ser abraçado por uma colcha de crochê do que de acrílico.”

LUZ A criação de uma cena com a iluminação adequada é importante nesse processo, já que ela torna o ambiente ora mais aconchegante ora mais estimulante. A luz tem esse poder, alerta a arquiteta.

A tendência da arquitetura/design sinestésica é reforçada por Estela Netto pela vontade das pessoas “de retornar ao natural em um mundo em que tudo é muito sintético. Daí a escolha de usar mais planta dentro de casa. E se não tiver espaço, suba pelas paredes com o jardim vertical. O abandono das formas mais retas para adotar as mais arredondadas, algo impensável há cinco, seis anos. A busca do ser humano é por um design mais orgânico e verdadeiro, que toca mais”.

Pontos de cores precisas foram utilizados neste projeto para provocar experiências sensoriais - Jomar Bragança/Divulgação Pontos de cores precisas foram utilizados neste projeto para provocar experiências sensoriais
Ao pensar nos cinco sentidos (visão, tato, audição, olfato e paladar), Estela Neto lista algumas ideias que podem aguçá-lo. “Antes inimaginável, agora já é comum fazer uma horta em casa, a música com o projeto de áudio, vídeo e automação ganhou importância e em relação à visão imagino escolhas pensando menos na cor e mais nas texturas e na luz natural. A arquitetura sinestésica privilegia a cadeira de bambu, o tapete de lã ou sisal, o sofá de capa de linho. Enfim, novamente é o sentir-se mais acolhido.”

Portanto, o “naturalize-se”, enfatiza Estela Netto, está na ordem do dia. “É ter uma sala de jantar, não com uma mesa de grandes proporções, gigante, mas uma peça que aproxime mais as pessoas, que vão se sentir mais à vontade para conversar e trocar experiências.”

Para o arquiteto Júnior Piacesi, a arquitetura sinestésica promove experiências únicas e sensoriais. E a cada dia tem mais adeptos. “O que mais mexe com as sensações, segundo pesquisas, é a cor. E é fácil e barato trabalhar com esse elemento.”

O tato é estimulado por meio da parede e chão revestidos por pedra gabião - Gustavo Xavier/Divulgação O tato é estimulado por meio da parede e chão revestidos por pedra gabião
Aguce seus sentidos

» Visão: crie ambientes visualmente agradáveis, pense no que acha belo, no que o estimula e acalma, nas cores, nas formas e fique atento ao equilíbrio de cada espaço.

» Tato: o toque é sensacional. Portanto, dê atenção para a maciez dos tecidos, a textura dos objetos e das plantas, a sensação criada por pedras e madeiras, o conforto dos estofados.

» Audição: a sonoridade da casa tem a ver com a personalidade. Os sons podem vir do barulhinho de água da fonte, do tintilar do mensageiro do vento, dos estalos de uma lareira aconchegante ou de um aparelho de som da mais alta qualidade.

» Olfato: é o sentido que desperta a primeira impressão, antes mesmo da visão. Um ambiente perfumado é essencial.

» Paladar: a cozinha é o ambiente natural para despertar esse sentido. Há boas ideias que podem ultrapassar esse espaço, como usar uma cesta de frutas na sala de jantar.
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