Balada caseira

Projetos contemplam espaços para quem gosta de receber e dar festas em casa

Inspirada no movimento after's party's, criado no século passado na Europa, hoje a chamada party house é adotada por quem adora fazer encontros em casa e desafia a decoração

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postado em 27/03/2017 16:35 / atualizado em 27/03/2017 16:45 Lilian Monteiro /Estado de Minas
O arquiteto Junior Piacesi destacou no projeto o sistema de som, vídeo e luminotécnico para quem gosta de dar festas - Gustavo Xavier/Divulgação O arquiteto Junior Piacesi destacou no projeto o sistema de som, vídeo e luminotécnico para quem gosta de dar festas

Seja antes ou depois da balada, para quem é festeiro a primeira preocupação ao decorar a casa é ter ambientes que recebam bem amigos e convidados que têm a mesma vibe. O ideal é sempre um espaço com metragem maior, o que é cada vez mais difícil pensando nos apartamentos. Mas nada de tristeza se você adora agitar e não tem tanta área assim. A solução está na funcionalidade. Portanto, as chamadas party house estão garantidas para todos os estilos.

O arquiteto Júnior Piacesi, do escritório Piacesi Arquitetos Associados, conta que no século passado, na Europa, um movimento chamado after’s party’s surgiu e virou febre entre os jovens. O termo era usado para explicar uma extensão da balada. Hoje, esse movimento foi adaptado para dentro de casa e é conhecido como party house, que nada mais é do que um encontro de amigos em casa, com bebida, comida e muita animação.

Júnior explica que essa mudança de comportamento, da balada feita em casas de show e bares para baladas feitas dentro de casa, impacta nos projetos arquitetônico desafiando os profissionais. “Temos de construir moradas que sejam, ao mesmo tempo, um espaço para descanso, mas também que possa ser totalmente transformada, com simples ações, para promover pequenas festas.”

Portanto, para garantir a festa, Júnior Piacesi enfatiza que é necessário pensar em elementos importantes para uma festa. “Primeiro, a bebida. Sem bebida não existe festa. A localização dela no espaço deve ser pensada de maneira estratégica de modo a deixá-la sempre à mão. Costumo usar os armários como curingas para solucionar essa questão. Armários feitos sob medida abrigam a bebida no centro do espaço e podem estar totalmente em evidência no ambiente (quando tiver festa) ou oculto (quando estiver apenas desfrutando da morada para descansar) por meio de portas de correr. O gelo é essencial, por isso, costumo especificar em meus projetos máquinas de gelo que facilitam a vida de quem promove festa em casa. Já as comidas não costumam ter tanta importância quanto as bebidas em uma party house. Entretanto, é sempre interessante ter uns petiscos para beliscar. Por isso, sempre especifico uma bancada ou pequenas mesas de apoio”, observa.

Sem música não há festa. Por isso, Júnior Piacesi chama a atenção para a sonorização adequada. “Ela é muito bem pensada em meus projetos. Opto sempre por som bluetooth, já que dessa forma o anfitrião ou seus convidados conseguem colocar e trocar de música de maneira mais rápida e fácil.” O arquiteto destaca a importância dos móveis soltos. “Conforme a demanda da festa, eles são deslocados com facilidade, criando áreas livres”, diz.

Em espaços grandes, é possível criar ambientes próprios para festejar - Gustavo Xavier/Divulgação Em espaços grandes, é possível criar ambientes próprios para festejar

A iluminação tem de ser outra preocupação para quem gosta de organizar baladas em casa. “A dimerização permite criar diversas cenas dentro do espaço por meio da luz, o que cria um clima diferente a cada festa”, destaca Júnior Piacesi, dando uma dica preciosa para o pós-festa. “Para solucionar a sujeira normalmente produzida no pós-festa, costumo integrar a lixeira na bancada. Mais próximo desse elemento, os convidados são mais motivados a contribuir para a limpeza do local.”

SEM LIMITES


A arquiteta, especialista em história da cultura e da arte Estela Netto, do escritório Estela Netto Arquitetura & Design, conta que há dois movimentos em crescimento ao pensar em party house. “São dois extremos. Há apartamentos bem pequenos, mas que as famílias gostam de receber e dar festa, e casa grandes, em condomínios projetados para a balada, com toda a área de lazer à disposição para quem leva uma vida festeira e quer conforto e segurança.”

Independentemente de onde se encaixa, Estela Netto lista exigências fundamentais para quem adota esse estilo de vida. Claro, não tem de atender a todos os itens, mas ela dá como exemplo o projeto de uma casa de fim de semana programada para essa finalidade. “Os donos têm à disposição máquina de gelo, adega e chopeira. Espaço gourmet e área de lazer com spa e piscina. Há quartos de hóspedes. No subsolo, fizeram uma boate. Tem ainda uma sala de jogos. Enfim, o universo é sem limites para quem sonha com uma casa voltada para festa.”

Áreas externas, como neste projeto da arquiteta Estela Netto, são ótimas para receber os convidados - Daniel Mansur/Divulgação Áreas externas, como neste projeto da arquiteta Estela Netto, são ótimas para receber os convidados

Agora, Estela Netto lembra que é preciso cuidar dos ambientes mais usados, dando atenção especial na hora de escolher revestimentos, piso, tipos de móveis, um mobiliário prático e funcional, tecidos que possam lavar e impermeabilizar, mas que sejam legais. Enfim, orientações que o arquiteto leva em conta para contrabalançar praticidade com estética e a beleza. É necessário que a manutenção e a limpeza sejam simples.

Para não incomodar os vizinhos, Estela Netto alerta, no caso da boate, sobre a importância do isolamento acústico, ou melhor, garantir uma performance acústica. “Há materiais mais absorventes, específicos quanto ao tempo de reverberação do som no ar. E ainda o uso de pedras, como porcelanato, e tecidos como carpete e cortinas que 'abafam' um pouco o barulho. Não existe pensar só em você e se esquecer do outro. Etiqueta e educação a arquitetura não consegue resolver, mas é preciso investir no que for possível para não ser deselegante socialmente”, afirma.

Ambientes integrados são ideais para quem gosta de fazer festa e receber. Todos curtem - Daniel Mansur/Divulgação Ambientes integrados são ideais para quem gosta de fazer festa e receber. Todos curtem

Quanto aos apartamentos pequenos, que poderiam ser uma dor de cabeça, Estela Netto afirma que também há saídas inteligentes, desde o projeto/planta até o espaço pronto. “É possível ter uma cozinha integrada, como o estilo americano, já com boa receptividade entre os brasileiros e varandas/varandas gourmet que são ligadas à sala e se transformam em uma área social mais interessante. E não esquecer de um sistema de áudio e vídeo nos ambientes adequados.”
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