Diálogo entre arquitetura e natureza

Profissionais da decoração criam projetos em sintonia com o meio ambiente

Para ter mais conforto e qualidade de vida dentro de casa, são prioridades a luz natural e a ventilação

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postado em 18/12/2017 13:00 Lilian Monteiro /Estado de Minas
Projetos da arquiteta Estela Netto buscam o equilíbrio entre a luz natural e artificial para a composição dos ambientes - Daniel Mansur/Divulgação Projetos da arquiteta Estela Netto buscam o equilíbrio entre a luz natural e artificial para a composição dos ambientes

Ainda que seja importante investir em um projeto luminotécnico bacana, arrojado, com luz de LED e distribuição pontual e detalhada, nada concorre com o poder da luz natural para qualquer decoração. Além da claridade e ventilação, há benefícios para a saúde e economia de energia em tempos de conta lá nas alturas com taxa na bandeira vermelha. Casamento perfeito não só em época de crise, a iluminação natural é recurso sustentável e cada vez mais utilizado na hora de construir, reformar ou criar alternativas para que funcione mesmo em ambientes em que a luz não tenha tanto acesso. Sem falar que é também uma tendência no design de interiores para aliar sofisticação, funcionalidade e aconchego.

A arquiteta Estela Netto, especialista em história da cultura e da arte, há mais de 10 anos à frente do escritório que leva seu nome e é formado por uma equipe multidisciplinar, ressalta que é sempre interessante usar os recursos que a natureza proporciona, porque eles são singulares. “No que diz respeito à iluminação natural, ela é a única que reproduz com eficiência a cor real dos objetos e, até por isso, é a referência constante para as indústrias de luz artificial que - apesar de todos os esforços - não conseguem reproduzir de maneira tão fiel o que a natureza proporciona. Como a luz é capaz de mudar a cor dos objetos e pessoas, a definição, a textura etc., os benefícios da luz natural para uma casa, além da questão energética, é a percepção do mundo realmente como ele é. Como estamos cada vez mais imersos no mundo on-line, a busca do que é real é cada vez mais procurada pelo homem moderno e a valorização da luz natural nos espaços é um reflexo dessa demanda.”

Estela Netto enfatiza que a luz natural é importantíssima para os projetos de interiores: “Ao saber aproveitar a luz natural nos ambientes, os espaços podem se tornar mais leves (tendo a luz como destaque) ou difusos quando o ambiente é projetado para aproveitar melhor a luz natural a partir do começo da noite, por exemplo. Tudo vai depender do uso do espaço, do projeto de decoração e das demandas dos clientes. O que devemos levar em consideração é que, por meio da luz natural, é possível proporcionar sentimentos diversos, como fascínio, deslumbramento e bem-estar. Portanto, é um recurso que ultrapassa os aspectos funcionais, dando condições a nós, arquitetos, de transcender a técnica para alcançar a emoção.

Destaque para as brises de madeira, recurso arquitetônico usado para regular o sol nos espaços  - Daniel Mansur/Divulgação Destaque para as brises de madeira, recurso arquitetônico usado para regular o sol nos espaços
EQUILÍBRIO

É importante também saber equilibrar luz natural e artificial. Estela Netto diz que é preciso entender qual é o objetivo do espaço. Quais usos serão dados para aquele ambiente. “Muitos clientes solicitam ambientes muito claros e eu sempre questiono: claro para quê?. Para maquiar, cozinhar, curtir os amigos. Isso porque para cada tipo de atividade é necessário um tipo de iluminação. Antigamente, as casas tinham apenas um plafon central que fazia a iluminação do espaço e era reproduzida, exatamente da mesma forma, para todos os cômodos da residência. Com o avanço nos estudos luminotécnicos e a influência emocional e psicológica da luz nos espaços, isso evoluiu, fazendo com que cada uso do ambiente determine a iluminação mais adequada.”

E a arquiteta destaca ainda os benefícios de ter plantas naturais, beneficiadas pelo Sol. “De maneira geral, a luz natural vai permitir que as plantas se desenvolvam melhor do que se estivessem num ambiente que tenha só luz artificial. Mas tudo depende da espécie escolhida. Existem espécies que necessitam de mais ou menos luz, mais ou menos ventilação.”

NORTE E LESTE

A arquiteta Fernanda Sperb, que comanda ao lado da sócia e também arquiteta Lígia Jardim o escritório Jardim & Sperb, destaca que a luz natural regula o organismo e é fundamental privilegiá-la o máximo possível nos projetos, o que ainda garante a entrada e circulação de ar.

Fernanda Sperb lembra que conviemos com luz artificial há apenas 138 anos, o que mudou nossos hábitos, mas, mesmo assim, ainda que tenha como usá-la para imitar a luz natural (com intensidades diferentes de cores para dar mais conforto), nada substitui a original. Mas ela recomenda cuidado com o Sol: “Luz não quer dizer entrada de sol, que não deve incindir direto sobre os móveis, correndo o risco de estragá-los. Por isso a importância de cortinas, persianas, rolô, brises como proteção”.

Para a arquiteta, cabe tudo na decoração de uma casa iluminada. “É possível usar do jeito que quiser cores e texturas. Mas tem-se de levar em conta que um ambiente muito iluminado, claro demais, pode incomodar pela incidência de luz. Aí, é importante jogar com a cor para conseguir aconchego. No entanto, a luz natural sempre tem mais vantagens do que desvantagens.”

Fernanda Sperb explica que se partir da construção, de um projeto do zero, “o ideal é ter os espaços voltados para o Norte e Leste por causa do sol da manhã e um pouco do da tarde. E nunca, seguindo a regra, ambientes para o Sul, que não recebe sol e tem o risco maior de mofo (não é ideal para quartos, varandas por exemplo, e sim indicados para ambientes secundários, como escada, depósito e garagem).

Deixe a luz entrar

Para a arquiteta Estela Netto, um bom projeto é aquele que pensa na luz natural. Como fazer?

» Aumentar vão de janelas e portas
» Fazer aberturas com vidros
» Construir casas com fachada ao Norte, que recebe mais sol
» Integrar os espaços (a integração dos ambientes garante que a entrada de luz, antes feita por meio da abertura de janelas e portas de um único ambiente, possa se unir à de outros, garantindo mais luz natural no local)
» Se, mesmo esgotados todos os recursos arquitetônicos, a luz natural não for suficiente ou, caso seja um prédio, e não se pode mudar a estrutura de portas e janelas, as placas de LED são a maneira mais eficiente de conseguir iluminar os espaços de maneira a não estourar o orçamento.

Projetos do escritório Jardim & Sperb Arquitetura privilegiam a luz natural, o que ainda garante a entrada e circulação de ar - Jomar Bragança/Divulgação Projetos do escritório Jardim & Sperb Arquitetura privilegiam a luz natural, o que ainda garante a entrada e circulação de ar
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