Expressão manual

Coletivo de arte e artesanato convida para evento especial em BH

2º Encontro de Arte Mineira acontece no Sou Café, no Centro Cultural Banco do Brasil, nesta quarta-feira, com a essência do feito à mão

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postado em 15/01/2019 12:25 / atualizado em 16/01/2019 11:09 Joana Gontijo /Lugar Certo
Beagá Arte/Divulgação

Pensar em arte e artesanato é pensar em histórias de vida. É pensar que, por trás de cada obra, há identidade, contornos de uma raiz. Ao contrário da produção industrializada, em série, que se engessa em comandos e padrões, o feito à mão é dotado da beleza de ser e pertencer. Quando mentes criativas empenham em objetos únicos suas habilidades e personalidade, a manifestação manual conquista uma fluidez que é seu próprio modo de significar. Com inúmeras técnicas e ramificações, esse tipo de trabalho se transforma como materialização sensível e esmerada do que brota na alma, herança do tempo, da cultura, e fruto da inspiração. São as sementes dos altos e corajosos voos da imaginação, que viaja sem limites para encontrar a liberdade de expressão.

Minas Gerais é celeiro de grandes nomes quando o assunto é o fazer artístico e artesanal. "São artistas que fazem peças lindas, estimadas até fora do Brasil, mas enfrentam dificuldades na comercialização, principalmente por causa dos atravessadores. Dessa forma, acabam não sendo reconhecidos e ficam sem o retorno desse esforço todo. Muitas vezes, a loja oferece o produto mas não faz a mínima questão de apresentar a trajetória do autor da obra para os clientes. E a maioria dos artesãos dedica a vida a isso", critica Cynthia Rabello, coordenadora do projeto Beagá Arte -Valorizando Quem Faz, um coletivo de artesãos e artistas plásticos mineiros.

Beagá Arte/Divulgação

É para mudar esse cenário que, já há algum tempo, ela vem promovendo a reunião entre atores dessa cadeia em eventos especiais, voltados para enaltecer e fazer acessível ao público a produção de cada um. Desde o início tímido na garagem de casa, Cynthia comemora quase cinco anos de projeto. "Pretendemos promover a união entre os atores da cadeia da arte e do artesanato. Convocamos o público para prestigiar a produção em Minas, valorizar o que a gente tem e faz", salienta.

Beagá Arte/Divulgação

Nesta toada, Cynthia convida para o 2º Encontro de Arte Mineira, que será realizado nesta quarta-feira, 16 de janeiro, entre 15h e 21h, no Sou Café, dentro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Estarão reunidos 19 expositores que vão apresentar opções entre R$ 20 e R$ 300, com a assinatura de marcas locais.

Dentre o leque oferecido, estão ideias para uso pessoal, para enfeitar o lar e até gastronomia, como: design em resina por kasa.AORTA; joalheria artesanal por Cynthia Rabello e Gariglio Design; bordado à mão por Cruzes Décor; biscoitos com conceito por Analu Alves; bolsaria por Bruaca; pintura em madeira por feitoamao_bh; mobiliário, caixas e mandalas coloridos por Rafaela Pinturas; aquarelas por Estevão Machado; esculturas em cerâmica por Adolfo Viana; acessórios em cerâmica por Anna Tê; bijuterias com pedras por Joanna Kubitschek; alfaiataria feminina por Marizia Lage; ilustrações e colagens por Marise Pimenta; desenhos em nanquim, em destaque para a série Conexões, por Rosane Pimenta; papelaria artesanal por Arte de Maria; origamis por Ateliê Diadorim. Também marcam presença os produtos de moda elaborados pelo projeto social Libertees, que acontece na penitenciária feminina Estevão Pinto, em BH.

Beagá Arte/Divulgação

Muito antes do foco comercial, o evento no Sou Café busca convidar as pessoas a conhecer um pouco mais da coleção de artistas plásticos, artesãos e designers do estado. A partir das 19h, a casa abre as portas para o bate-papo literário com José Maria Rabêlo, jornalista e escritor, que irá discorrer sobre o livro recém-lançado História Geral de Minas. Na publicação que acaba de chegar às livrarias, o autor de 90 anos de idade narra a história da capital e de Minas Gerais desde a chegada dos primeiros habitantes, os antecedentes pré-históricos de 12 ou 13 mil anos atrás, até a atualidade. O relato contextualiza a formação do estado a partir da presença de indivíduos originários do nordeste da África. São capítulos escritos por José Maria Rabêlo (coordenador da obra), João Antônio de Paula, Fernando Correia Dias (falecido) e Ricardo de Moura Faria, com prefácio de Rui Mourão.

Cynthia, em conjunto com um time engajado de parceiros, acaba de inaugurar ainda um espaço fixo no Sou Café, para exposição e venda dos produtos artesanais, onde os encontros artísticos também devem ocorrer mensalmente. Abraçando diferentes modos de expressão como literatura, música, artesanato, artes plásticas e artes visuais, o propósito é criar uma identidade dentre desse que é um espaço privilegiado na cena cultural belo-horizontina. "Queremos sair um pouco do tom de feira. O objetivo é agrupar uma turma com trabalhos diferenciados, criativos, que chamem a atenção, além do retorno finaceiro. Trabalhos diversos que possam atender todo tipo de público. Costumo dizer que estamos no meio termo - não fazemos nem o artesanato simples e nem as obras de arte mais inviáveis e inacessíveis. Buscamos trazer a arte e o artesanato que sejam alcançáveis e que as pessoas possam consumir no dia a dia", diz Cynthia.

Beagá Arte/Divulgação

Para ela, na contramão de um mundo onde quase tudo é virtual, desde as fontes de entretenimento e saber até as próprias relações interpessoais, a sociedade começa novamente a procurar esse contato com a arte, no que se incluem os jovens. "É um retorno. Pretendemos ainda reunir jovens escritores, jovens ilustradores, mostrando para essa galera que é possível experimentar a arte e apreciá-la, conhecer um pouquinho da nossa história. E esse interesse tem ressurgido. Tanto que as exposições que acontecem dentro do CCBB encontram uma plateia jovem imensa", acrescenta Cynthia.

Beagá Arte/Divulgação

Para 2019, a pretensão do coletivo é também se tornar uma associação até o fim do primeiro trimestre, o que vai ajudar na visibilidade e abrangência de público. A perspectiva é de conseguir incentivo, novas formas de apoio, dar oportunidade aos artesãos de participar de diversas exposições, até em outros estados, em locais como centros culturais e museus, por exemplo, a preços de exposição acessíveis. O projeto já recebeu convite para participação em eventos em São Paulo e Rio de Janeiro. "A ideia é estabelecer um encontro de arte itinerante. Investir em uma divulgação maciça para ampliar o espectro de atuação dos artistas e artesãos, focando realmente na produção mineira. O importante agora é estarmos organizados", pontua.

Cynthia revela que não consegue viver sem criar. "É muito bom olhar para uma peça e dizer 'é isso! agora sou eu. consegui representar minha ideia'". Ela diz que um dos grandes desafios é conceber uma identidade que seja diretamente ligada ao trabalho, relacionar o nome à obra. "A pessoa olha para uma mesa cheia de coisa e sabe que aquela determinada obra é de tal artista. É difícil chegar nesse ponto", conta. E ela não se esquiva. “Nasci para isso, para reunir pessoas, para ajudar, orientar. Tem muita gente talentosa, mas que precisa de um direcionamento, o que eu ofereço gratuitamente. É o que eu gosto, é amor mesmo”.

Beagá Arte/Divulgação

No evento desta quarta-feira, a entrada é gratuita e a participação está sujeita a lotação. O projeto está com inscrições abertas para novos expositores. Quem tiver interesse pode procurar a coordenação para avaliação das peças e possível participação. O telefone é (31) 9.9511-9490 e também está disponível o endereço no Instagram @beagaarte, além da página do evento no Facebook.

Veja a lista de expositores: 

@biscoitariaanalualves 
@cruzesdecor 
@liberteesbrasil
@joannakubitschekdesigner
@suabruaca
@marizialageatelie
@adolfovianade
@estevaomachadogontijo
@annatebh
@joanatavar 
@kasa.aorta
@brilhobycynthiarabello 
@porcelanasporcynthiarabello
@feitoamao_bh 
@arterosaferreira
@garigliodesign
@rafaela_pinturas
@arte.de.maria 
@ateliediadorim
Marise Pimenta

Serviço:

2º Encontro de Arte Mineira
16 de janeiro de 2019 
De 15h às 21h
No Sou Café
Centro Cultural Banco do Brasil
Praça da Liberdade, 450, Funcionários - Belo Horizonte
Entrada gratuita
Sujeito a lotação
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