Sob a sombra da piaçava

Quando o verão se aproxima, cresce o mercado de construção de quiosques. Há infinitas possibilidades em modelos e estilos de ambiente, a gosto dos clientes

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postado em 23/01/2009 15:56
Caio Brandão diz que o quiosque é espaço de lazer com ar de mineiridade - Gladyston Rodrigues/AOCUBO FILMES Caio Brandão diz que o quiosque é espaço de lazer com ar de mineiridade

Quando o verão se aproxima, cresce um mercado constituído por pessoas que dispõem de espaços livres em casa ou mesmo em apartamentos e querem aproveitar o sol: o da construção de quiosques. Perto da piscina, área para churrasqueira, diversão ou descanso, há diversas possibilidades em projetos, variando em estilo de ambiente, cujo limite é o desejo do cliente e a criatividade dos arquitetos e paisagistas.

O advogado Caio Brandão, de 58 anos, curte há 20 anos o quiosque instalado na área livre de sua casa em Belo Horizonte. Com 8 metros de diâmetro e cobertura tradicional de piaçava, o ambiente criado tem fogão à lenha, churrasqueira, adega climatizada, duas geladeiras e aparato de som. Para erguer a estrutura, Caio gastou entre R$ 8 mil e R$ 10 mil, e um total de R$ 30 mil para equipar o quiosque. "É um espaço de lazer, que inspira aconchego, com uma certa mineiridade. Reúno os amigos com frequência. Na parte da piscina, que fica do outro lado da casa, há um bar molhado, e o quiosque tem outra proposta. É para sentar, fumar um charuto, curtir um bom vinho".

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A paisagista Junia Lobo destaca o aconchego dos quiosques, formando espaços que integram as pessoas à natureza, com o frescor da sombra e a proteção do sol. "Temos uma vida tão agitada que ter um local para relaxar é muito importante. O quiosque é como um refúgio, onde você senta em uma poltrona gostosa, ou uma rede, lê um livro. Inspira paz, harmonia, principalmente se estiver perto das árvores e da água". Para a paisagista, as construções em piaçava dão a sensação de estar no ambiente externo, próximo ao jardim, entrosando os moradores no espaço natural, mas com algum requinte. "A cobertura de piaçava sempre traz um ar mais rústico, mais ligado ao paisagismo do que à arquitetura. Podemos jogar uma trepadeira por cima, por exemplo, que dá um perfume e até mais durabilidade à construção, ou instalar um redário, com redes coloridas. O piso pode ser de pedra, tijolinho, madeira rústica, ou até areia", sugere.

O sócio-proprietário da empresa Quiosque du Brasil, Gustavo De Marco, com experiência de 25 anos de mercado, conta que os quiosques podem ser feitos com cobertura de piaçava, telha e, atualmente, as chamadas telhas ecológicas. A estrutura de madeira é de eucalipto renovável, substituindo as madeiras nativas que antes eram muito comuns neste setor. Atendendo a uma média de 50 clientes por mês, de um total de mais de 5 mil espalhados pelo país, entre empresas para lazer, comerciais para diversão dos funcionários, e até eventos, Gustavo conta que também realiza trabalhos em residências (casas ou mesmo apartamentos com cobertura), fazendas, sítios e condomínios. Já chegou a construir uma casa de 600 metros quadrados em Angra dos Reis toda em eucalipto e piaçava, e até um hangar para helicópteros. "Nas casas, os quiosques completam o ambiente paisagístico e proporcionam lazer e conforto", afirma.

Os tamanhos da sombrinha são variados, no mínimo com 3 metros de diâmetro, que resulta em uma área de 7 metros quadrados. Um modelo de 22 metros de diâmetro, por exemplo, proporciona uma área de 380 metros quadrados, continua Gustavo. "Já construímos um quiosque de 800 metros quadrados. É possível instalar um modelo de 25 metros quadrados em 24 horas. Temos estrutura para atender 300 por dia. O preço fica na média de R$ 150 o metro". Em relação ao sistema construtivo, ele explica que a cobertura de piaçava segue um padrão de declividade de 30º graus, para evitar vazamentos, e para as telhas, são seguidas as normas específicas para o produto. "Trouxemos uma inovação que é a aplicação de uma resina contra a ação de chamas na piaçava, para evitar incêndios".
Quiosque Canadá/Divulgação

Já o proprietário do Quiosque Canadá, Eduardo Campos, há quase 20 anos no segmento, conta que a procura por seus serviços, que durante o ano fica na média dos 15 clientes mensais, cresce 50% com a proximidade do verão. "No início de dezembro, eu só aceitava pedidos para janeiro".

Modelos

Os modelos variam em tipo de sombreiro (sextavado, retangular, quadrado, oitavado, entre outros) e o ambiente que se pretende criar. "Pode ser uma área de descanso com estrutura para receber redes, perto da piscina para fornecer a sombra, com churrasqueira, espaço gourmet, chalés com suíte e varanda, casas, garagens, ou até com estrutura de spa, sauna. O estilo também varia. Pode ser balinês, ou oriental, para ficar com apenas alguns exemplos. Nosso trabalho é feito em conjunto com arquitetos, que ficam livres para criar o que o cliente desejar, não há restrições". Em relação à cobertura, Eduardo atribui a maior procura pela piaçava ao invés de telhas comuns ao ar mais natural, rústico e agradável oferecido pelo material.

A palha da piaçava é feita com cascas de palmeiras que chegam da Bahia. "Compramos os fardos, selecionamos, fazemos a confecção dos pentes em ripas de madeira. Depois de instalada a estrutura de eucalipto (para quiosques maiores pode ser necessária uma fundação), eles são colocados um sobre o outro. Depois da sombrinha pronta, a piaçava é penteada e podada".
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