Pacote da habitação vira loteria em BH

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postado em 28/04/2009 13:15
"Acho a prestação de R$ 50 bem razoável. Só não sei o lugar onde serão construídas as casas" - Luciana Ananias da Silva, com os filhos Lucas e Renan
Zulmira Furbino e Geórgea Choucair

As 400 mil moradias a serem financiadas pelo programa Minha casa, minha vida em todo o país, destinadas a famílias com renda de até três salários mínimos (R$ 1.395), nem de longe passarão perto de atender a demanda da população de baixa renda no Brasil. Em Belo Horizonte, o número de famílias que têm prioridade no programa - aquelas inscritas no Orçamento Participativo da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), as que integram o Bolsa-Moradia e as que vivem em áreas de risco - soma 20 mil. O cadastramento mal começou e mais de 17 mil pessoas já se inscreveram em Contagem, Betim e Conselheiro Lafaiete. A loteria da casa própria, porém, reserva vaga para apenas 88.485 famílias em Minas Gerais, incluindo com renda detrês a 10 salários mínimos (R$ 4.650).

Nessa segunda, as regionais da PBH foram municiadas com 50 mil formulários, o que não quer dizer que o lote tenha sido totalmente distribuído. Em Venda Nova, foram entregues 5 mil e, no Barreiro, cerca de 3,5 mil. Até as 18h, aproximadamente 5,6 mil pessoas tinham feito sua inscrição pela internet. O sistema continua funcionando até 27 de maio, no endereço www.pbh.gov.br.

A demanda na rede foi tão grande que o site da prefeitura travou em vários momentos, o que obrigou muitos interessados a ir pessoalmente buscar os formulários nos postos de atendimento das regionais. A PBH não informou quantas fichas foram distribuídas, mas quem optou por pegar o formulário pessoalmente deverá devolvê-lo devidamente preenchido entre 6 de maio e 5 de junho no posto de atendimento da Secretaria Municipal Adjunta de Habitação do Shopping Caetés.

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Para tentar garantir a vaga, teve gente que esperou na fila desde a tarde de domingo. Foi o caso de Ângela Lúcia da Silva Santos, desempregada, que chegou à porta da Regional Centro-Sul, na Rua Goiás, às 15h de domingo, acompanhada de um dos quatro filhos, Jefferson Alvez da Silva. Os dois dormiram na rua e conseguiram o sexto lugar na fila de atendimento. "Vim para pegar o formulário. Sou casada e meu marido também está desempregado. Vivemos de bico", diz. Com um aparelho celular na mão, Ângela mostrava as fotos do local onde vive, na beira de um córrego. Ela acredita que será beneficiada pelo Minha casa, minha vida. "Vivo numa área de risco e recebo R$ 60 do Bolsa-Família", justifica.

Nos postos onde houve maior concentração de pessoas, os formulários foram distribuídos mais cedo. No Barreiro, os interessados tiveram acesso a eles a partir das 7h, embora o horário marcado para o início da distribuição fosse as 8h. Em Venda Nova, as fichas também começaram a ser entregues às 7h, entre as grades da regional. Depois que a distribuição foi iniciada, as filas foram rapidamente desfeitas. Durante todo o dia, porém, o fluxo de pessoas em busca das fichas foi contínuo e intenso.

Confira a reportagem da TV Alterosa



Kelly Jaqueline Vitor Lopes foi a uma lan house perto da sua casa tentar fazer a inscrição ao programa pela internet, no site da prefeitura. Ela mora no Bairro Serra Verde, na região de Venda Nova. "Eu não consegui, estava travado", afirma. Kelly teve que ir pessoalmente buscar o formulário de inscrição na sede da administração regional da prefeitura, em Venda Nova. "Trouxe todos os documentos, CPF, carteira de identidade e de trabalho. Mas descobri que hoje (segunda-feira) seria só a entrega do formulário", afirma Kelly, que não trabalha e tem três filhos. A renda do marido gira em torno de R$ 500.

A pensionista Maria Alice de Souza Rocha também tentou fazer a inscrição pela internet, mas não teve sucesso. Ela tem renda mensal de cerca de R$ 500 e mora em uma casa com quatro filhos e sete netos. "Os filhos moram todos juntos. Queremos ver se conseguimos uma casa própria para cada um", diz.

Luciana Ananias da Silva mora na casa da sogra há mais de 10 anos. Ela foi ontem com os dois filhos buscar o formulário de inscrição na regional de Venda Nova. "Ouvi falar que no programa vamos ter que pagar prestação de R$ 50. Acho bem razoável. Só não sei quando vai sair nem qual vai ser o lugar que serão construídas as casas", diz.

Critérios

O secretário municipal de administração regional de Venda Nova, João Batista Viana, afirma que a seleção para a casa própria vai priorizar as famílias que vivem em área de risco, classificadas em risco leve, médio e alto. Em Venda Nova, as regiões sujeitas a inundação são a bacia do Vilarinho, a área do Várzea da Palma, do Córrego do Camões e do Piratininga. O risco geológico é concentrado principalmente na Vila do Borel, no Bairro Minas Caixa. As prefeituras que já se cadastraram ao programa estão oferecendo isenção de impostos e doação de terrenos como principais benefícios aos mutuários e construtoras.
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