Construtoras apostam em pesquisa para desenvolver projetos adequados ao consumidor de baixa renda. Sucesso está em conciliar exigências do cliente com pequeno custo de produção
Daniel Morais e a noiva, Jussanã Werneck: eles compraram uma casa de dois quartos em Juatuba, na Grande BH, por R$ 62 mil
Construtoras que atuam no segmento de empreendimentos populares atestam o incremento dos negócios a partir do lançamento do programa Minha casa, minha vida, em função da melhoria de acesso às linhas de crédito, com subsídios maiores, juros menores e a implantação do seguro que garante o pagamento das mensalidades do financiamento no caso de desemprego do mutuário. Elas afirmam, entretanto, já estarem preparadas para atender o crescimento desse mercado e asseguram que cada empreendimento lançado é resultado de estudos e pesquisas que identificam quais as necessidades do cliente.
Na Probase Construtora, diz seu gerente comercial, Arlem Martins Saraiva, as prioridades do cliente são detectadas desde o primeiro contato que faz com a empresa, que mantém ainda um acompanhamento de seu nível de satisfação com um monitoramento no pós-venda. "Com esse trabalho, mantemos um aprimoramento constante de nossos empreendimentos e o grande desafio é conciliar nos projetos as prioridades de nosso cliente com um custo de produção que permita um preço final que caiba em seu bolso", afirma.
Arlem informa que pesquisas realizadas pela empresa apontam que os clientes da Probase são casais jovens, com no máximo dois filhos, têm renda entre R$ 700 e R$ 1,5 mil mensais, precisam de um financiamento para a aquisição do imóvel e buscam unidades prontas, para que possam sair rápido do aluguel. O cliente da Probase, continua o gerente, também é exigente quanto à localização do imóvel, que deve estar situado em área com boa infraestrutura de comércio e serviços, com acesso fácil ao transporte coletivo, a escolas, postos de saúde e hospitais.
Outra prioridade do cliente da empresa, garante o gerente, é a compra de um imóvel em empreendimentos com número reduzido de unidades. "Nessa faixa de renda, as pessoas também têm a percepção de que quanto maior o condomínio maiores também as dificuldades para a sua administração".
Com o perfil de seu cliente médio identificado, assegura Arlem, a Probase atualmente dá prioridade à comercialização de empreendimentos prontos, com número de unidades reduzido, que varia entre quatro e 48, situados em terrenos próximos à sede dos municípios em que a empresa atua. "Nossas unidades são financiáveis pela Caixa Econômica Federal e custam em média R$ 59 mil", assinala, ao observar que a construtora comercializa hoje empreendimentos nos municípios mineiros de Contagem, Betim, Juatuba, Ribeirão das Neves, Mateus Leme, Sarzedo e Pedro Leopoldo.
Para o gestor de marketing da MRV, Rodrigo Resende, binômio localização e condições de pagamento ainda é prioridade desse cliente
PÓS-VENDA
A MRV Engenharia também desenvolve seus projetos a partir de dados apurados em pesquisas com clientes potenciais e baseada em informações apuradas no trabalho de acompanhamento no pós-venda. "Temos ainda a expertise adquirida em 30 anos de atuação nesse mercado", diz o gestor de Marketing da construtora, Rodrigo Resende, ao assegurar que, a partir desse contato constante, a empresa tem notado uma mudança de comportamento de seu público-alvo, que agora está mais exigente.
"O binômio localização e condições de pagamento ainda é a prioridade desse cliente, mas ele está hoje muito mais exigente em outros aspectos, como itens de lazer, vagas de garagem, a qualidade do acabamento, a plasticidade do empreendimento e até quanto ao paisagismo", atesta Resende. Atenta à transformação, assegura o gestor de Marketing da MRV, a construtora foi pioneira em especificar em seus projetos as fachadas neoclássicas, coloca em seus empreendimentos sempre algum item de lazer, prevê no mínimo uma vaga de garagem por unidade e ainda cuida do paisagismo das edificações, de maneira que os futuros moradores possam conviver, mesmo em centros urbanos, com áreas verdes.
A qualidade das construções, garante Rodrigo, também é preservada. "Como trabalhamos com produção em escala e projetos padronizados, conseguimos assegurar a qualidade construtiva dos empreendimentos, com bons fornecedores de materiais, sem que isso signifique um custo elevado de produção que vá refletir no preço final das unidades".
Para que os projetos da empresa mantenham uma atualidade em relação às crescentes exigências de seu público-alvo, destaca o gestor de Marketing da MRV, a construtora está promovendo mudanças em sua área de relacionamento com os clientes, com a introdução de novos processos e ferramentas. Entre as medidas em implantação, adianta Rodrigo, está a introdução de um novo sistema informatizado, que permitirá a formação de um banco de dados mais amplo e a segmentação de informações por área específica. "Com esse sistema, poderemos dialogar com o nosso cliente por meio de filtros distintos. Será possível tabular, por exemplo, todas as informações de clientes que compraram imóveis de três quartos em Minas Gerais e, assim, direcionar melhor as nossas ações", explica.
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