Lugarcerto

Obras ajudam país a crescer

Grandes incorporadoras voltam a comprar terrenos para projetos residenciais e comerciais apostando nas transformações profundas que devem ocorrer em Belo Horizonte até 2014

Humberto Siqueira
Hélio Dourado, CEO da Construtora Premo, diz que empresa pretende dobrar a capacidade de produção - Foto: Eduardo Silveira/Divulgação
Ao projetar o futuro, os empresários da construção civil têm realmente razões para estar motivados como nuncaAté 2014, transformações profundas devem ocorrer na cidadeNovos hotéis serão erguidos, obras de infraestrutura urbana e viária, reformas nos estádios Mineirão e Independência, uma política de crédito imobiliário que está realmente funcionando, programas governamentais como Minha casa, minha vida e até o pré-sal vão estimular o setor em terras mineiras

Hélio Dourado, CEO da Construtora Premo e presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos de Cimento do Estado de Minas Gerais (Siprocimg), espera que essas obras sejam um impulso para o país crescer e se consolidar"Na Premo, vamos abrir outra planta industrial e aumentar a capacidade de produção em 50%, investir em tecnologia, inovação e sustentabilidadeNossa expectativa é de crescer 20% ao ano", prevê

Com um processo de produção todo racionalizado, a Premo tem na solução construtiva para a área industrial seu principal negócio, mas quer crescer no setor habitacional"Creio que as áreas urbanizadas estão cada vez mais restritas, forçando uma migração de empreendimentos para a região metropolitana da capitalAlém da tendência óbvia de investimentos no Vetor Norte", avalia

Para empreendimentos residenciais, a garagem assume um papel cada vez mais relevanteCom três quartos, o mínimo são duas vagas
Com quatro quartos, ao menos três vagas, embora a demanda para quatro ou cinco já seja crescente"Uma família tradicional de um casal com dois filhos vai ter quatro carrosE, de repente, vai precisar de uma quinta vaga para um carro de coleção ou um para ir ao sítio", prevê o vice-presidente da área imobiliária do Sindicado da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), José Francisco Couto de Araújo Cançado

Em relação à área de lazer, existem duas formas de interpretação pelos clientesUns não fazem questão de muitas opções e se satisfazem com o trio piscina, sala de ginástica e salão de festasAcreditam que, assim, podem ter uma taxa de condomínio menorOutros querem o máximo possível, como quadra poliesportiva e de tênis, sauna, playground, garage band, entre outras opções disponíveis em alguns empreendimentos com maior espaço

RIGOR

Para ser viável, o prédio comercial precisa ter entre 10 e 15 andares, mais quatro pisos de estacionamentoCaso contrário, teria um condomínio muito caroO licenciamento ambiental avalia questões como impacto no trânsito, na área verde do local, nas redes de esgoto e de água
Mas, em geral, prédios comerciais são erguidos em locais onde antes já existiam de duas a três casas, especialmente em áreas centrais com boa infraestrutura urbana

Grandes incorporadoras voltam a comprar terrenos para obras residenciais e comerciaisEntretanto, a dificuldade para o licenciamento de prédios comerciais pode acabar por não estimular tantos empreendimentos em 2010

Levantamento do Sinduscon-MG com 1,2 mil entrevistados apontou que 27,7% deles pretendem comprar um imóvel; desses, 7,9% já em 2010Metade aponta ter capacidade de pagar prestações entre R$ 251 e R$ 500Os participantes da pesquisa, em todas as faixas de remuneração, também destacam localização, acabamento e tamanho, nessa ordem, como critérios de escolha do imóvel

O crescimento do setor também traz preocupaçõesPara Hélio, os empresários precisam se unir para evitar inflação"Há uma necessidade de investirmos em capacitação de mão de obra e em boa comunicação para mantermos o equilíbrio do mercado nas compras de matérias-primasAlém de coordenação para evitarmos um descontrole no preço dos suprimentos", pondera

Um entrave na expansão do setor é a obtenção de terrenos, ainda maior na Zona Sul"Nessa região, além de os preços terem subido, há muitas restrições de projetoSeja por tombamentos culturais ou no licenciamento ambiental, principalmente para imóveis comerciais com mais de 6 mil metros quadradosAssim, a liberação do terreno pode levar de 12 a 18 meses"