Saiba identificar falhas

Especialistas explicam como inspecionar residências antes de fechar o contrato de compra. Procedimento é imprescindível para detectar problemas na construção

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postado em 30/11/2009 12:57 Júnia Leticia /Estado de Minas
Técnicos dizem que pequenos sinais de rachaduras ou irregularidades em muros e paredes devem ser corrigidos com urgência - Gladyston Rodrigues/Ao Cubo Filmes Técnicos dizem que pequenos sinais de rachaduras ou irregularidades em muros e paredes devem ser corrigidos com urgência
Ter a casa própria é o sonho de muitas pessoas. Mas, antes de comprar um imóvel, novo ou não, é recomendável fazer uma inspeção visual. Examinar trincas, caimento dos pisos, lajes, caixa-d'água, área externa, jardins, entre outros, traz mais segurança e pode evitar transtornos. Causadas por agentes externos - como deficiências na construção e falhas de projeto -, as trincas podem surgir nas lajes, fachadas e pisos, mais suscetíveis à movimentação devido à exposição. A observação é feita pela engenheira e coordenadora técnica da Vedacit/Otto Baumgart - especializada na produção e comercialização de impermeabilizantes -, Eliene Ventura. "Elas são detectadas visualmente. As trincas cortam os revestimentos, mapeando-os", conta.

Segundo ela, as trincas não causam apenas problemas estéticos, já que, por meio delas, penetram umidade e ar. "Essa combinação causa a oxidação nas barras de ferro e, tratando-se de concreto armado, o problema é grave. Nas fachadas, pinturas estouram e danificam o lado interno", diz. Para evitar o problema, Eliene fala que é necessário o uso de juntas de dilatação. "Elas são posicionadas, mediante projeto, em fachadas, pisos e lajes. Os reparos são geralmente efetuados por pedreiros e pelo próprio pintor, conforme projeto executivo".

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Pontos importantes

Os pisos também merecem atenção especial. O empoçamento de água em banheiros, ou mesmo em áreas externas, é um problema que acarreta incômodos. De acordo com o engenheiro civil e coordenador do curso de especialização em construção civil da Escola de Engenharia da UFMG, Dalmo Lúcio Mendes Figueiredo, entre as causas estão inclinações invertidas ou insuficientes do piso, que devem ser maior que 1%. "A razão é centrada na mão de obra não preparada e falta de acompanhamento de profissional habilitado", esclarece.

Para constatar o problema, ele diz que se deve jogar uma pequena quantidade de água nos pisos dos banheiros, cozinha e áreas externas, observando se ela escorre para os ralos ou grelhas. "Quando o problema já é existente, o caminho indicado é a retirada e recomposição do piso. O empoçamento da água pode acarretar infiltrações e umidade nos locais e, consequentemente, originar patologias que comprometerão a durabilidade da edificação", alerta.

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Patologias na construção
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Outra medida adotada para evitar infiltrações, desta vez no telhado, é a utilização de rufos - colocados nos muros - e calhas - coletores de água de chuva que podem ser metálicos, de PVC e o firbrocimento -, conforme explica Eliene. "As lajes devem ter caimento para os coletores de água pluvial e a caixa-d'água tem de estar sobre alvenaria revestida. As tubulações não devem ser embutidas, para facilitar futuras manutenções, e afastadas da laje em torno de 10 cm", conta. Além disso, a engenheira diz que o acesso deve ser fácil e a mureta que circunda a laje deve estar revestida com rufos ou calhas.

ALTERAÇÕES

Esse tipo de serviço geralmente é executado pelo próprio pedreiro. "O consumidor pode ter um profissional de confiança e, juntos, checar os pontos mais importantes da obra, antes da compra do imóvel", diz a coordenadora técnica da Vedacit/Otto Baumgart. Eliene acrescenta que equipamentos como antenas parabólicas e para-raios devem ser fixados sobre uma base previamente construída e não furar a laje para a fixação. "O cliente deve ter em mente todas as alterações que pretende fazer, como colocação de coberturas ou mesmo ampliação, e é importante verificar com um engenheiro se a estrutura suporta o carregamento excedente", completa.

Especificamente em relação à caixa-d'água, o professor Dalmo Figueiredo diz que, quando fabricada em concreto armado e moldada no local, tem de ser impermeabilizada com material e técnica adequados. "Além disso, quando da aquisição de um imóvel, o reservatório e redes de distribuição devem ser vistoriados procurando identificar eventuais vazamentos e observar o volume armazenado é compatível com o número de futuros usuários", ressalta.

Quanto à recuperação de algum problema na construção de um imóvel, não há um critério único para escolher qual tipo de correção deve ser feita, como esclarece o engenheiro civil e delegado regional da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece) em Belo Horizonte, Eduardo Henrique da Fonseca. Segundo ele, o ideal é a prevenção. "Toda edificação deve ser feita por profissionais habilitados e qualificados, por meio de métodos e materiais específicos para cada caso, e de acordo com as normas brasileiras vigentes".
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