De acordo com José De Filippo Neto, presidente da Rede Netimóveis, que reúne 45 imobiliárias, a ampliação do crédito imobiliário e em condições mais favoráveis ao tomador do empréstimo, com juros menores e prazos mais longos, incentivou que muitos locatários trocassem o aluguel pela prestação do financiamento da sua primeira casa própria, o que movimentou o mercado de imóveis usados"Tivemos também o retorno do investidor, que, com a crise no mercado financeiro, optou pelo imóvel, um ativo real, para resguardar sua poupança, adquirindo unidades que foram disponibilizadas para aluguel, e ainda o cliente que decidiu trocar seu imóvel por outro de maior valor, aproveitando, em muitos casos, as boas condições de financiamento oferecidas", assinala.
Assim, a comercialização de unidades usadas foi o principal motor para que as empresas da Rede Netimóveis registrassem um resultado superior ao alcançado em 2008Sem ter ainda números fechados sobre o desempenho das 45 associadas, De Filippo afirma que espera apurar um resultado próximo ao alcançado pela sua empresa, a De Filippo Netimóveis, que chega ao final do ano com crescimento dos negócios de cerca de 38% na comparação com o ano passado"No caso da minha empresa, além da alavancagem nas vendas de imóveis de terceiros, contribuiu para o resultado também um bom volume de comercialização de terrenos, principalmente para construtoras, que, a partir do segundo trimestre, voltaram a procurar esse tipo de imóvel para retomar seus projetos, já que o mercado de lançamentos voltava também à normalidade e, portanto, elas precisavam repor seus estoques."
AVANÇO
Na Lar Imóveis, diz o diretor Luiz Antônio Rodrigues, depois de um primeiro bimestre de poucos negócios, com o cliente retraído em função da crise, as vendas começaram a crescer em março"A partir de abril a situação se equilibrou em uma média mensal de crescimento de vendas, na comparação com 2008, de cerca de 20%", informaSegundo ele, as vendas de imóveis comerciais, especialmente para investidores, e de unidades residenciais de luxo foram as que mais contribuíram para o resultado obtido pela empresa.
"Como temos, principalmente na nossa matriz, situada na Região Centro-Sul, um foco na classe A, é óbvio que passamos por um período difícil, porque o cliente preferiu se resguardar, segurando suas reservasMas, como o governo tomou as medidas necessárias para fomentar a economia, ele logo voltou ao mercadoAcredito que essa crise para o segmento imobiliário não foi nem uma marolinha, principalmente para quem já passou por dificuldades bem maiores como as decorrentes de uma inflação de 1.200% ao ano, ou o confisco da poupança promovido no governo Collor", destaca.
Com 83 imobiliárias no Brasil, 48 delas na capital e em municípios da região metropolitana, a Rede Morar, ligada ao grupo Brasil Brokers, também chega ao fim do ano comemorando os resultados, que alcançaram em volume o patamar registrado no segundo trimestre de 2008, seu pico de vendas"Foi uma surpresa a rapidez com que o país passou pela crise e o mercado imobiliário, particularmente, saiu-se muito bemNa Rede Morar, as dificuldades foram superadas com criatividade e mesmo no segmento de lançamentos, mais fortemente atingido, a retomada foi gradual", diz o presidente, Haldane Teixeira.
Além das condições favoráveis da economia brasileira, Haldane atribui a boa performance do mercado imobiliário à maturidade dos vários agentes que compõem o setor