No mercado de empreendimentos econômicos, volume de vendas é 100% maior que o alcançado em 2008. Boa performance é atribuída às medidas adotadas pelo governo
Maria Aparecida, da Atrium: crescimento das vendas deve ficar entre 30% e 40%
Depois de iniciar 2009 sob os maus presságios da crise, que fez despencar as vendas de unidades novas e na planta durante o último trimestre de 2008, as construtoras e incorporadoras mineiras reagem e chegam ao fim do ano com volume de comercialização surpreendente, que, em alguns casos, alcança crescimento de 100% na comparação ao resultado registrado no ano anterior. A boa performance é atribuída pelos empresários do setor às medidas implementadas pelo governo para o incentivo à produção e ao consumo e também à capacidade de rápida adequação das empresas ao cenário econômico surgido depois da deflagração da crise.
Na MRV Engenharia, empresa de origem mineira com atuação no segmento popular em 80 cidades brasileiras, o crescimento de vendas este ano chegou a 100% na comparação com o volume de unidades comercializadas em 2008, informa seu presidente, Rubens Menin. "Em função da crise, a economia brasileira teve um dos seus piores momentos no último trimestre de 2008 e as empresas da construção civil, principalmente aquelas que, como nós, têm o capital aberto, ficaram vulneráveis diante da retração dos investidores. Por isso, traçamos uma meta de crescer este ano, entre 10% e 15%. Mas já no primeiro trimestre tivemos um bom resultado de vendas e a partir do lançamento do programa Minha casa, minha vida a dinâmica do mercado mudou de fato e devemos fechar o ano com vendas contratadas no país entre R$ 2,8 bilhões e R$ 3,2 bilhões", afirma.
A Construtora Habitare, que atua em Belo Horizonte no segmento de empreendimentos para classe média, com produtos na faixa de preços entre R$ 150 mil e R$ 800 mil, deve fechar o ano com crescimento de 20% no número de unidades vendidas e de 27% no valor geral de vendas (VGV) na comparação com os resultados obtidos em 2008. "No ano passado, vendemos 656 unidades, com um VGV de R$ 170 milhões. Este ano, até novembro, já tínhamos vendido 738 unidades, com um VGV de R$ 216 milhões. Nossa expectativa é fechar os 12 meses do ano com a venda de 800 unidades, que correspondem a um VGV de R$ 230 milhões", antecipa o diretor comercial da empresa, Alexandre Soares.
Ele garante que a crise econômica influenciou a performance de vendas da empresa apenas no fim de 2008. "Tivemos em todos os meses uma venda maior, em relação ao volume registrado em cada mês do ano passado, com picos em maio e agosto, quando vendemos, respectivamente, 105 e 96 unidades, contra uma média entre 60 e 70 unidades vendidas nos outros meses", destaca. A boa performance da empresa é atribuída pelo diretor da Habitare à melhoria do acesso ao crédito, que elevou a demanda de clientes interessados em trocar seu imóvel por outro de maior valor, e também ao retorno do investidor ao mercado, que procurou no imóvel uma aplicação mais segura para suas economias.
Rubens Menin, da MRV Engenharia, comemora os bons resultados obtidos este ano
ESTRATÉGIAS
Já a Masb Desenvolvimento Imobiliário, incorporadora que atua em todos os segmentos do mercado imobiliário em Minas, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Goiás, diz seu presidente, Luiz Renato Paim Fernandes, deve chegar ao fim do ano com elevação de 13% no número de lançamentos e de 40% no volume de vendas. Paim credita o resultado à eficiência das estratégias adotadas pela Masb para enfrentar as mudanças provocadas pela crise no mercado.
"No primeiro semestre, focamos em lançamentos com bases óbvias em regiões já consolidadas. Em Belo Horizonte, por exemplo, lançamos empreendimentos no Buritis e no Gutierrez, além de um loteamento em Contagem, na divisa com a Região da Pampulha. Já no segundo semestre, com a consolidação das medidas do governo de melhoria de acesso ao crédito imobiliário, fizemos uma adequação do nosso produto e passamos a focar empreendimentos com unidades de até R$ 500 mil, que podem ser financiados no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação. Com isso, pudemos superar as dificuldades impostas pela crise e criar as bases necessárias ao crescimento."
Na Conartes Engenharia e Edificações, que atua em Minas Gerais e em São Paulo, no mercado de empreendimentos de alto padrão e de luxo, o resultado de vendas deve superar em 90% o volume alcançado em 2008. "Que já foi um ano de crescimento, a despeito da catástrofe registrada no último trimestre, quando as vendas caíram vertiginosamente", diz o diretor José Francisco Cançado. O empresário também atribui a boa performance às medidas tomadas pela empresa para se adaptar ao cenário econômico depois da deflagração da crise. "Já começamos o ano preparados, com bons produtos, com diferenciais em projeto e localização, que tinham demanda certa. Além disso, nos concentramos no estoque e adiamos três lançamentos, que foram retomados à medida que o mercado reagia", assinala.
Também as empresas do segmento de empreendimentos comerciais, apesar do susto inicial provocado pela crise, conseguiram chegar ao fim do ano com volumes de venda superiores aos registrados em 2008. Na Atrium, que constrói e administra empreendimentos comerciais em Belo Horizonte e Nova Lima, além de executar obras industriais, a expectativa no início do ano era de um resultado bem menor que o alcançado em 2008, mas o crescimento de vendas deve ficar entre 30% e 40%."Fomos surpreendidos com a reação do mercado e chegamos a dezembro com a venda de 80% das unidades lançadas neste ano", diz a vice-presidente da empresa, Maria Aparecida Miranda.
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