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Vendas surpreendem

Apesar da crise, volume comercializado em BH é 35% superior ao do ano passado

Denise Menezes
No segmento de luxo, crescimento foi de 66% em relação a 2008. Projetos diferenciados explicam, em parte, números positivos - Foto: Gladyston Rodrigues/ESP. EM
Com reprogramação de lançamentos, adequação de produtos e incentivos governamentais à produção, construtores e incorporadores mineiros conseguiram o que parecia impossível em janeiro, em função da crise financeira mundial: chegar ao fim do ano com um volume de vendas superior ao registrado em 2008"A crise pegou o setor de surpresa, mas o mercado foi proativo e tivemos uma reação surpreendente, com um volume de vendas consistente em todas as faixas de valores", diz o vice-presidente da Área Imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG) e diretor da Conartes Engenharia e Edificações, Francisco Cançado

Os números mais recentes apurados por pesquisa mensal realizada pela Fundação Ipead sobre o desempenho do setor apontam que, de janeiro a outubro, as vendas de imóveis residenciais novos em Belo Horizonte cresceram em média 35%, na comparação com igual período de 2008"Somente no segmento de imóveis de luxo o crescimento foi de 66% e as vendas de unidades de padrão econômico subiram, em relação a 2008, 30%", destaca

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Resultados positivos
Mais unidades em 2010

Em sua avaliação este ano, os incentivos e subsídios do programa Minha casa, minha vida foram um alento para as empresas que atuam no mercado de unidades populares e econômicas, mas não foram ainda suficientes para a alavancagem de vendas de imóveis para famílias com renda até três salários mínimos"Para essa faixa de renda, o processo de implantação do programa ainda está muito lento", afirma

Em linha de raciocínio semelhante, André de Sousa Lima Campos, primeiro vice-presidente do Sinduscon-MG e diretor da Emccamp Residencial S.A, uma das maiores empresas brasileiras do mercado de empreendimentos populares, diz que o ritmo de produção de unidades para famílias com renda até três salários mínimos varia de município para município em função da prioridade dada pelas prefeituras à execução do programa

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"Em alguns municípios, o preço máximo da unidade fixado pelo governo dificulta a adesão das empresas ao programaPor isso, é muito importante o papel das prefeituras na aplicação de recursos complementares, na oferta de incentivos fiscais e em estabelecer procedimentos que desburocratizem a aprovação dos projetos, para viabilizar a execução dos empreendimentosEm Minas, alguns municípios, como Betim e Contagem, saíram na frente e já têm projetos em processo de aprovação ou em execuçãoA Prefeitura de Belo Horizonte também já enviou para a Câmara Municipal um projeto de lei com medidas para incentivar a produção dos empreendimentos populares e o programa deve deslanchar na capital no próximo ano
Mas, em outras cidades, como Ribeirão das Neves, nada foi feito, e, portanto, não há previsão de obras."

André ressalta, no entanto, que as medidas tomadas pelo governo federal para o enfrentamento da crise, como a ampliação do crédito e um alto nível de subsídio, foram fundamentais para a rápida reação da construção civil e considera que em 2010 o setor pode apresentar resultados ainda mais positivos"Tanto que as construtoras estão aumentando sua produçãoApenas no âmbito do Minha casa, minha vida já existem na Caixa Econômica Federal cerca de 500 mil projetos em processo de aprovação e devemos chegar ao fim do próximo ano com a marca de um milhão de projetos aprovados, cumprindo a meta estabelecida pelo governo para o programa", prevê