Para 2010, o céu parece bem mais claro. As expectativas indicam crescimento da economia no patamar de 5% (estimativas mais otimistas projetam, inclusive, expansão acima de 6%), com geração de mais de 1,8 milhão de postos de trabalho e inflação dentro da meta (4,5%). De acordo com estimativas da FGV Projetos, a construção civil deverá registrar incremento de 8% nos postos de trabalho com carteira assinada este ano.
A construção mineira já contabiliza saldo positivo na criação de vagas no acumulado de 2009: 27.038 novos postos de trabalho com carteira de trabalho assinada. Deve-se ressaltar que, com esse resultado, o Estado foi o segundo maior gerador de vagas no segmento, ficando atrás somente de São Paulo, que, no mesmo período, gerou 56.839 novas vagas. Do total de vagas geradas no setor em todo o país - 228.151 -, Minas foi responsável por 11,85%
Os dados são de um balanço produzido pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), por meio de sua assessoria econômica, coordenada pelo economista Daniel Ítalo Richard Furletti. O estudo mostra que a construção civil cresceu, de 2004 a 2008, 5,22% na média nacional e 7,21% em Minas.
Os números para a Região Metropolitana de Belo Horizonte também são positivos. Nos primeiros 11 meses do ano a RMBH contabilizou a geração de 18.748 novos postos de trabalho no setor. A construção do Centro Administrativo do Governo do Estado, o incremento das atividades imobiliárias e as obras de duplicação da Avenida Antônio Carlos contribuíram.
VENDAS
Até outubro de 2009, foram negociados 5.420 apartamentos novos em BH. Isso representa 33,07% a mais que em 2008, com 4.073. De acordo com a pesquisa da Ipead/UFMG, os 5.420 apartamentos vendidos proporcionaram um Valor Geral de Vendas (VGV) no mercado imobiliário de Belo Horizonte de R$1.381 bilhão. Esse valor foi, em termos nominais, 45,74% superior ao registrado em igual período do ano passado, de (R$ 947,6 milhões).
O avanço coincide também com os números registrados pela Construtora Atrium, que acumulou um aumento nas vendas de, aproximadamente, 35%
Certamente, as facilidades de crédito (taxas menores, prazos maiores, concorrência entre os bancos) têm contribuído sistematicamente para alavancar as vendas de apartamentos em Belo Horizonte. Além disso, medidas como o aumento de limite do valor do imóvel a ser financiado, de R$ 350 mil para R$ 500 mil, e a ampliação do prazo das linhas de crédito para 30 anos foram importantes para estimular o crédito habitacional em 2009. Há de se ressaltar ainda os estímulos proporcionados pelo programa Minha casa, minha vida.
A Even Construtora e Incorporadora atingiu recorde de vendas em 2009, somando R$ 1,23 bilhão. Segundo o gerente-geral em Minas Gerais, Marcelo Dzik, as metas para 2010 são agressivas, visando crescimento. "Atuamos com foco tanto no comercial quanto no residencial. Este último, para diferentes públicos, inclusive. Mas nosso foco é em imóveis de até R$ 500 mil. Para este ano, já estão definidos pelo menos dois lançamentos em Belo Horizonte. Um deles no primeiro trimestre", afirma.
Francisco Couto de Araújo Cançado, vice-presidente da área imobiliária do Sinduscon-MG, também prevê uma alta no valor dos imóveis para o consumidor final. "Acabamos de ter um aumento nos custos de mão de obra, com um reajuste de 7,3% para a categoria. O salário dos trabalhadores representa muito no custo total da obra. Isso fez com que o Custo Unitário Básico por metro quadrado de construção (CUB/m²) fechasse 2009 com um acréscimo de 4,98%. É impossível não repassar isso", defende.