"As propostas aprovadas na Compur representam um avanço em relação ao que foi apresentado pela prefeitura durante os debates e o consenso possível diante de posições tão diferentes dos diversos segmentos ali representados. Mas a realidade é que 90% de nossos associados ficaram insatisfeitos e mostraram, por meio de cálculos e simulações, que, do jeito que estão no projeto, as medidas restritivas vão acarretar um aumento de até 15% no preço das unidades", frisa Otimar Bicalho, um dos delegados da CMI/Secovi-MG na conferência.
Ele afirma que a redução no tamanho dos empreendimentos, decorrente da diminuição do coeficiente de aproveitamento dos terrenos determinado, entre outras medidas, pelo corte linear de 10%, pela limitação do número de garagens e pela inclusão das áreas de circulação horizontal e vertical, como corredores e escadas, no cálculo geral da área construtiva, vai acarretar perdas em produtividade e diminuição na escala de faturamento dos empreendimentos, que resultarão no aumento de preços das unidades.
"Os empreendimentos terão menor número de unidades. A redução que calculamos é de cerca de 25%. Portanto, para atender a demanda, teremos de executar maior número de empreendimentos, com a contratação de mais equipes, o que representa aumento de custo e menor produtividade para cada trabalhador", explica. Além disso, assinala o diretor da CMI/Secovi-MG, por ser menor, cada empreendimento vai gerar um faturamento também mais reduzido.
"Sem falar dos custos que já tínhamos computado no próprio processo da conferência, decorrentes da outorga onerosa, para o empresário que tiver que aumentar o aproveitamento do terreno em que vai construir, ou da outorga especial para ampliar o número de vagas de garagem
COEFICIENTE
O diretor da Prolar Netimóveis, Vinícius Araújo, que também participou como delegado da conferência, questiona se as medidas restritivas vão mesmo conter o adensamento nas regiões já bastante ocupadas e ainda muito demandadas. "Não adianta restringir o coeficiente de aproveitamento dos terrenos, se existe a possibilidade de compensar essa perda com a outorga onerosa. Em regiões como a Centro-Sul, a demanda é alta, portanto, os empreendimentos continuarão a ser executados, ainda que com um custo maior. Não vejo eficiência nessa medida no sentido de conter o crescimento de regiões já adensadas", argumenta.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Luiz Fernando Pires, reivindica maior objetividade no texto das novas regras que serão estabelecidas. "Concordamos com a essência do que foi aprovado na conferência e com a introdução de conceitos como o da outorga onerosa, mas, nas tratativas que estamos fazendo com o Legislativo e o Executivo, reivindicamos regras claras principalmente em relação às fórmulas para o cálculo de índices e coeficientes, de maneira que a aprovação de projetos não fique sujeita à interpretação subjetiva de um funcionário do Executivo. Com isso, teremos um tratamento equânime para todos os empreendedores", afirma