Espaços ergonômicos

Aplicada à arquitetura e design de interiores, ciência nascida na 2ª Guerra transforma os elementos do dia a dia para garantir funcionalidade, segurança, conforto e bem-estar

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postado em 31/03/2010 15:09 Joana Gontijo /Lugar Certo
Saleta de Leitura, de Ivan de Mello e Ricardo Yanicelli, apresentada da Morar Mais em 2009, seguiu os preceitos ergonômicos - Gustavo Xavier-FotoAmbiente Saleta de Leitura, de Ivan de Mello e Ricardo Yanicelli, apresentada da Morar Mais em 2009, seguiu os preceitos ergonômicos
O ritmo intenso da rotina contemporânea está repleto de agravantes prejudiciais a saúde que aumentam o nível de stress e podem desencadear doenças mais sérias, por isso, é bom sempre estar atento àquela dorzinha nas costas por causa da mesa muito baixa. Em casa ou no trabalho, uma aliada percebe os mínimos detalhes e amplia as possibilidades globais para que cada elemento do cotidiano traga ao ser humano funcionalidade, segurança, conforto e bem-estar. Passando pela anatomia, fisiologia, psicologia, medicina, antropologia, engenharia, até chegar à arquitetura, design de ambientes e produtos, a ergonomia, ciência criada na década de 1940 durante a 2ª Guerra Mundial para ajudar o homem a lidar melhor com complexos equipamentos militares, chega à atualidade mostrando como é simples ter uma qualidade de vida melhor, explica a designer de ambientes especialista na área, Flávia Lima.

De forma geral, e ergonomia engloba processos (engenharia de produção, administração, psicologia do trabalho, em um âmbito fabril), produtos (design de produtos, mobiliário, objetos), ambiente construído (design de interiores, arquitetura, engenharia), até chegar em exemplos corriqueiros como, no design gráfico, a relação de um usuário com a navegabilidade de um site na internet, continua Flávia. "A ergonomia entende todas as limitantes e trabalha com a prevenção de erros nos mais variados processos. Surgiu na 2ª Guerra para evitar, por exemplo, que tantos aviões caíssem porque os usuários não conheciam a tecnologia, e no Brasil ganhou força na década de 1990 com a normatização do Ministério do Trabalho. Hoje, tem o objetivo de, percebidos os déficits, adequar o trabalho, o ambiente, a atividade, o equipamento, o mobiliário, ao ser humano. Ao contrário do taylorismo que dizia que o homem devia se adequar à tarefa (o que invariavelmente resultava em condições indignas e excludentes de trabalho), a ergonomia emoldura todos os elementos de acordo com cada pessoa que vai interagir com eles. E quanto mais se estende a um número maior de indivíduos, mais se aproxima do design universal, da acessibilidade", afirma.

Dentro dos espaços domésticos, urbanos e laborais, uma vertente da ergonomia age para garantir que os produtos e ambientes sejam propícios à segurança, conforto e bem-estar de todos os seus habitantes. O ergodesign e a ergonomia ambiental transformam as construções, o mobiliário, eletrodomésticos, qualquer aparato eletrônico para oferecer qualidade de uso, a partir de uma avaliação centrada no usuário. "Cada detalhe da casa, as cores, a paisagem, os equipamentos, o mobiliário, a locomoção, variando de pessoa para pessoa, é pensada de maneira a fluir pelo espaço. Então, a ergonomia considera a antropometria, larguras e alturas, atreladas a questões cognitivas como as maneiras peculiares de captar e processar informações e, de forma dinâmica, ao logo do tempo, prevendo mudanças e riscos futuros. Como quando você adquire a casa própria e vai envelhecer naquele local", ressalta Flávia Lima.

Em casa, onde são comuns os acidentes com crianças e idosos, os projetos ergonômicos propõem para cada recinto soluções que consideram todas as probabilidades futuras de desenvolvimento para cada pessoa, sua respectiva cultura, modelo emocional, deficiências físicas, riscos naturais, entre outros aspectos, como frisa a designer. "Em geral, a norma é respeitar o mínimo de 80 cm dos vãos para portas em todos os locais da casa, espaços de circulação como corredores, em banheiros, cozinhas, áreas de serviço, obrigatoriamente área suficiente para uma pessoa em uma cadeira de rodas ou de muletas. As passagens também devem ter menos labirintos, e é bom que piso e parede tenham cores contrastantes, o que, com a perda da acuidade visual evita, por exemplo, que os idosos trombem nas paredes". Flávia explica que, para degraus, largura mínima de 30 cm e espelho pintado garantem segurança e, em ambientes molhados, como banheiros, cozinhas, áreas de serviço e externas, piso antiderrapante é básico. "Em banheiros, além dos vãos mínimos e do piso, o ideal é ter espaço para bancada e barras, para entrar e sair, e diminuir o desnível do box, delimitando área molhada e seca".

ESPECIFICIDADES

Flávia Lima transformou o consultório de Denise Lembi de acordo com a ergonomia, e o resultado foi mais saúde para sua cliente - Eduardo Almeida/RA Studio Flávia Lima transformou o consultório de Denise Lembi de acordo com a ergonomia, e o resultado foi mais saúde para sua cliente


A ergonomia de um home-office considera a relação com o posto de trabalho, mesmo em casa, e deve ser flexível, sob medida para cada pessoa. "Neste caso, a postura correta é mudar de postura de vez em quando, espreguiçar, ter uma cadeira que não pressione a parte interna da coxa e que não te deixe apoiado no chão na ponta dos pés, a mesa na altura correta, um apoio para o antebraço", orienta a especialista.

Para escolher um sofá ergonômico, é preciso observar em qual ambiente ele está inserido: se em uma recepção ou sala de espera, mais firme, inclinado entre 90º e 100º, para uma postura atenta; em uma sala para receber visitas, mais confortável, porém comportado, para manter a pose; e em um home-theater finalmente é um sofá para se refestelar, deitar, esparramar, onde geralmente se fica horas. "Em apartamentos menores para jovens casais onde tudo é mais integrado, o sofá é uma mescla disso. Os retráteis são a solução perfeita", diz Flávia.

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A relação ergonômica envolve o todo, a metria, as dimensões, tudo que está no entorno é construído para trazer agradabilidade, acrescenta a arquiteta Roberta Braga. "As distâncias, os móveis, os equipamentos, a facilidade de circulação, as especificidades das tarefas, a sua relação com o objeto, a maneira como você pensa, convive com o seu chefe, ou a posição da sua cama. Há muito tempo a ergonomia deixou de ser uma questão apenas da segurança do trabalho, para se tornar irrestrita", diz Roberta.

No consultório médico da nefrologista Denise Lembi Ferreira e do neurocirurgião Clóvis Rossi Maciel, o objetivo do projeto de Flávia Lima era eliminar sérias dores no braço e ombro direitos de Denise. A mesa em L, com o computador ao lado, o paciente à frente e uma montanha de documentos e livros atrás, faziam com que a médica não se levantasse da cadeira, mas fizesse uma rotação inadequada a todo tempo. A cadeira e a mesa baixas, ruins para a altura de 1,73 m, a cadeira de pacientes com braços que causavam constrangimentos para os obesos, o clima frio das cores e móveis do consultório, contribuíam para uma sensação desagradável.

Com a substituição de tudo isso por uma mesa de jantar oval, mais alta (de forma que o computador e o paciente estejam à frente), um buffet distanciado para abrigar toda a papelada que ficava atrás (assim, Denise é obrigada a se movimentar pelo espaço), uma iluminação mais adequada na mesa de trabalho e exames, banquetas de brinquedos para as crianças, uma cadeira mais confortável para os pacientes, aparelhos sem fio, uma obra de arte na parede, e cores mais quentes, o resultado foi leveza e saúde. "Minha dor sumiu. Eu cheguei a trocar de colchão. Conhecia a ergonomia, mas não imaginava que simples detalhes são tão importantes. Minha vida melhorou 1000%, sem contar que também está mais confortável para os pacientes, que agora elogiam e adoram o consultório", comemora a médica.
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