A ideia de uma casa construída com material reciclado e natural e ao mesmo tempo rústica, como aquelas de Coroaci, no Vale do Rio Doce, cidade natal do jornalista Odilon Araújo, não lhe saía da cabeça. Entretanto, a fama de tratar-se de modelo construtivo muito caro o impedia de cumprir o desejo. Morador do Bairro Castelo, Odilon e a esposa procuravam local mais afastado, com uma vida mais simples e agradável, ''como no interior''.
A princípio, pensaram em algum condomínio de Nova Lima. Mas eram poucos os terrenos que se enquadravam no orçamento. Depois de um ano, o jornalista descobriu um terreno à venda em São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Adquiriu 5 mil metros quadrados, depois de muita pesquisa quanto à segurança e ao acesso. Visitou alguns arquitetos, mas nem sempre foi compreendido. ''Queria uma casa de roça, porém com amplo espaço interno''. Até que conseguiu que o então coordenador do curso de arquitetura da PUC Minas, Cláudio Bahia, que na época pesquisava na Região do Caraça sobre arquitetura de terra (construções em taipa, adobe etc.), comprasse a ideia.
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Soube que a casa centenária onde morou até os 3 anos, em Coroaci, estava em processo de demolição. Comprou portas, janelas, madeira de varanda e estrutura, pilares, telhas de coxa (moldadas nas coxas de escravos). Material de outras duas casas foram utilizados
Odilon produziu o próprio adobe utilizando terra de seu imóvel. A forma para os tijolos foi elaborada pelo próprio jornalista. A maior dificuldade foi encontrar mão de obra. ''As pessoas mais jovens desconhecem essa técnica e os mais antigos não têm mais condições físicas de tocar uma obra como essa''. Parte do piso é em cimento queimado. São três quartos, um escritório, área de circulação e uma sala conjugada com a cozinha, com fogão a lenha no centro e uma ampla varanda. As antigas janelas permitem iluminar e arejar o imóvel. O forro é de esteira em taquara