Conforto acústico é fundamental

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postado em 26/09/2010 11:36 Valéria Mendes /Portal Uai
A arquiteta Juliana Barros diz que tem crescido a procura por projetos nessa área - Eduardo Almeida/RA Studio A arquiteta Juliana Barros diz que tem crescido a procura por projetos nessa área
26 de agosto de 2010 - “Acústica é qualidade de vida”. A frase é da arquiteta Juliana Barros, mas faz todo sentido também para a estudante Carla Gomes, de 24 anos, que sente na pele o avesso dessa realidade. Carla mora em um prédio de três andares na Floresta, zona leste de BH. O edifício é antigo e não tem salão de festas. No entanto, com a chegada do fim de semana os vizinhos do prédio ao lado iniciam as comemorações de aniversário e o barulho toma conta do seu apartamento. “Não dá nem para assistir a um filme na televisão com as janelas fechadas. Fico com a parte ruim da festa, a música alta ou o karaokê”, relata. Ela não está sozinha e esse incômodo é comum.

Os restaurantes são um outro exemplo de como os projetos arquitetônicos não se preocupam com o tratamento acústico do ambiente. A aposentada Lúcia Teixeira, 57 anos, reclama que é muito difícil relaxar e conversar em muitos dos restaurantes de BH. “Os assuntos acontecem paralelamente em todas as mesas e temos que nos esforçar para sermos ouvidos por quem está do nosso lado. É cansativo, quando a gente sai a sensação é de alívio”, desabafa.

Engenheira especialista em acústica e conforto térmico, Sandra Silva explica por que o projeto acústico ainda não foi incorporado a ambientes como esses. “Tem muito a ver com o preço e a cultura. As pessoas não estão acostumadas a gastar dinheiro para o conforto do cliente”. Mas existe um começo de preocupação. Especialista em acústica e mestranda no Departamento de Estruturas da Escola de Engenharia da UFMG, Juliana Barros diz que os indivíduos estão sentindo mais a necessidade do conforto, do silêncio. “As pessoas conviviam com o barulho numa boa, mas cada vez mais há profissionais atuando nessa área e mais clientes à procura de soluções para o conforto ambiental de restaurantes, residências e consultórios”.

Dono de uma choperia tradicional na capital mineira, Rodrigo Ferraz abriu uma nova loja no bairro de Lourdes com um projeto específico de acústica. “Hoje em dia, a gente coloca o pé na rua e já tem a poluição sonora. Quando você entra em um ambiente onde consegue conversar e ouvir, nota-se a diferença de cara”. O empresário conta que vários clientes comentaram o conforto ambiental que sentiram e ele, agora, vai atualizar o projeto da antiga casa. “Com certeza foi um investimento que valeu a pena”, conclui.

Esse exemplo ainda é uma exceção na cidade. Sandra Silva é taxativa e afirma: “A maioria dos restaurantes em BH não tem projeto acústico”. Ela conta que existe um movimento no bairro de Lourdes, zona Sul da capital, em relação ao som dos estabelecimentos que sai para a rua. “Essa preocupação já existe. A fiscalização do Meio Ambiente e o Disque Sossego controlam um pouco isso”. No entanto, ela ressalta, é uma preocupação com o tratamento acústico para evitar que o ruído saia. No caso de projetos para dar qualidade ao ambiente interno, as iniciativas são mais raras ainda. A especialista brinca: “Tem bares, que todas às vezes que eu vou lá, deixo um cartão meu para ver se os proprietários se tocam”.

A questão do alto custo de um projeto acústico pode ser relativizada quando se fala em construtoras, grandes edifícios e salões de festa. Juliana Barros conta que algumas empresas já se atentaram para isso e incluem no material de divulgação dos imóveis uma informação de destaque para ressaltar que o projeto arquitetônico inclui o tratamento acústico. “É uma evolução, os próprios leigos estão se conscientizando, embora às vezes, os próprios profissionais não se interessem tanto pelo assunto ”. Ela mesmo lembra que, quando estudante, a acústica era uma disciplina pouco valorizada.

Silêncio à vista
O barulho do salto alto da vizinha de cima na madrugada. Um objeto pesado que cai no chão no apartamento ao lado e assusta não só quem presencia a cena. Ou uma discussão de pais e filho. Todos esses incômodos podem deixar de existir com a norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que define critérios de isolação acústica para habitações. A NBR 15.575 entrou em vigor em 12 de maio deste ano, mas passa por adaptações.

Na última terça 21, foi reinstalada a Comissão de Desempenho Acústico de Edificações da ABNT. Professor doutor da USP e membro da comissão, João Gualberto de Azevedo Baring diz que ainda não se pode falar em prazo para os ajustes da norma, que continua em vigor. Cumprir essas regras ainda não é uma obrigação legal, mas essa é a tendência. A Caixa Econômica Federal, para citar um exemplo, só libera financiamento de imóveis depois de observar se as normas da ABNT estão contempladas no projeto.

Entretanto, a NBR 15.575 só fala em salões de festa no que se refere a eventual parede comum com alguma unidade habitacional, esclarece Baring. Nesse caso, a parede deve ter Índice de Redução Sonora maior ou igual a 60 decibéis para o nível de desempenho superior. Para o nível de desempenho mínimo, o índice mínimo é de 50 decibéis. Os mesmos índices se aplicam à laje de teto do salão de festas.

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