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Tecnologia invade a casa dos brasileiros

Thaíne Belissa
Há um ano e meio a família do engenheiro químico Bernardo Chaves instalou um sistema de controle de iluminação, cortina, áudio e vídeo em casa, no bairro Lourdes - Foto: Eduardo Almeida/RA Studio
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31 de outubro de 2010 - O cenário poderia ser de uma casa qualquer: uma sala com sofá, tapete e mesinha no centro. Mas o simples acionar de um botão muda tudo. De repente e de uma só vez, as luzes se apagam, o DVD e a televisão são ligados e as cortinas se fecham a fim de proporcionar o ambiente ideal. Parece coisa de filme, mas a tecnologia residencial está invadindo a vida dos brasileiros e se tornando uma realidade crescente.

Diretor de uma indústria mineira que produz equipamentos eletrônicos e
desenvolve softwares para residências, o engenheiro de automação Higor
Fernandes, 29, garante que o número de vendas dobra a cada ano. A empresa foi criada por ele e outros dois sócios há seis anos e abastece o Brasil todo. “Houve uma explosão da automação residencial. Muitas construtoras, inclusive, já planejam seus imóveis para receber a tecnologia”, afirma. A expectativa da Associação Brasileira de Automação Residencial é de que o faturamento do setor atinja R$ 124,9 bilhões, o que significa um crescimento de 11% na comparação com 2009.

O serviço mais procurado, segundo o engenheiro, é o de controle de
iluminação, cortina, áudio e vídeo. Por meio de um único controle remoto ou,
ainda, utilizando um Iphone ou Ipad, o cliente programa ambientes de acordo
com seu interesse, como por exemplo para um jantar romântico ou uma sessão de filmes. Há, ainda, o controle de segurança feito com câmaras. Por meio de um software, é possível ver tudo o que está acontecendo dentro da casa de qualquer lugar do mundo.

Além de proporcionar conforto, Higor destaca que a tecnologia ajuda na
inclusão de deficientes
. “Uma pessoa paraplégica pode ligar a TV ou fechar a cortina com a boca por meio de touch screen”, afirma. Ele lembra, ainda, que o controle de iluminação ajuda na economia de luz, pois as pessoas aprendem a usar ambientes como a penumbra ou a meia luz que gastam menos energia.

No ramo há cinco anos, o empresário Natan Rijhsinghani afirma que o custo
dos projetos de automação residencial podem variar de R$5 mil a R$200 mil,
dependendo de sua complexidade. Um pacote padrão com oito equipamentos de áudio e vídeo, oito sessões de luz e cortina custa cerca de R$25 mil. “No início só a classe A consumia, mas a tecnologia tem ficado mais acessível. Algumas famílias preferem colocar um mármore mais barato, por exemplo, para ter o sistema em casa”, diz.

Há um ano e meio a família do engenheiro químico Bernardo Chaves, 25,
instalou um sistema de controle de iluminação, cortina, áudio e vídeo em
casa, no bairro Lourdes, região sul de Belo Horizonte. “Nós queríamos montar uma estrutura bacana de vídeo para nossa sala, mas quando procuramos o serviço percebemos que a tecnologia podia facilitar muitas outras coisas”,conta.

Para Bernardo, uma das principais vantagens é a facilidade de manipulação
dos equipamentos. “Minha mãe e irmã tinham dificuldade de usar os
eletrônicos e às vezes eu também confundia os fios e as entradas para ligar
os aparelhos, agora é só acionar um botão”, diz. A criação de diferentes
ambientes também foi aprovada pela família. “Se você vai dar uma festa é só programar a casa para isso. Aciona a opção, as luzes ascendem e o som é
ligado na sala e na varanda”, afirma.

E se a moda é ter uma casa inteligente, nem o banheiro poderia escapar da
inovação
. Desenvolvida em um pólo tecnológico em Santa Rita do Sapucaí, no
sul de Minas, uma banheira apresentada na última edição da Casa Cor em Belo Horizonte pode preparar o banho sozinha. “Você está no escritório e quer tomar um banho relaxante quando chegar em casa. É só programar a banheira pelo celular e, quando ela estiver pronta, você recebe uma mensagem”, explica a decoradora Dênia Diniz, responsável pela divulgação da banheira.

Os chuveiros também entraram para a lista de equipamentos tecnológicos,
podendo ser programados com diferentes opções de temperatura. “Isso
economiza água e energia, pois a pessoa não precisa ficar testando para
achar a temperatura ideal”, destaca Dênia. Segundo a profissional, a
tecnologia dentro de casa não interfere na decoração e ajuda na convivência
entre os moradores. “As pessoas ficam cada vez menos em casa, então o tempo que têm deve ser aproveitado com mais qualidade”, ressalta.