O arquiteto Júlio Tôrres também observa que há disponibilidade de terrenos em áreas mais afastadas da Região Central. Segundo ele, grandes construtoras vêm buscando esses locais e já começam a surgir empreendimentos. "Normalmente, são projetos que passam por aprovação mais morosa e que, por isso, ainda não apareceram com força no nosso mercado."
Com isso, locais da Grande BH começam a ver surgir empreendimentos de grande porte. "As áreas próximas ao Centro Administrativo (Vetor Norte), Ribeirão das Neves, Betim e Contagem são algumas delas", exemplifica.Outra alternativa que pode ser levantada é a revitalização de imóveis antigos abandonados, encontrados em alguns pontos da cidade, principalmente nas regiões Central e Sul. Construções que, muitas vezes, servem de abrigo para pessoas em situação de risco e animais. "Diversos imóveis vêm se deteriorando por falta de recursos por parte dos proprietários para sua manutenção", observa Júlio.
De acordo com o arquiteto, nesses casos, também é comum que haja disputas judiciais por parte dos herdeiros dos proprietários originais. "Aí, o imóvel torna-se terra de ninguém enquanto corre o processo, que pode desdobrar-se por muitos anos. Nesse ínterim, o bem deixa de ser mantido e pode tornar-se alvo de invasões."
Mesmo assim, Evandro revela que já existem muitos projetos de retrofit, que buscam a revitalização desses imóveis. "Eles pegam os mais antigos e reformam toda a edificação, tornando-a apta para ser utilizada como moradia ou escritório
Apesar de haver essas alternativas, o custo da construção ainda dificulta um investimento pesado. Segundo Evandro, o programa Minha casa, minha vida é um exemplo de investimento para tentar sanar esse déficit. No entanto, ele reconhece que o custo da unidade dificulta. "O caminho para combater a carência habitacional é, cada vez mais, ter juros declinantes e facilitação de crédito, além de investir em políticas de subsídio quanto à questão salarial", sugere.