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Falta de terrenos abre novo cenário para a capital

Júnia Leticia
Luciana de Castro, da Construtora Carrara, acredita que na região metropolitana ainda é possível adquirir terrenos maiores e mais baratos - Foto: Eduardo Almeida/RA Studio

Além da demora de todo o processo de aprovação das obras, que começa com a compra do terreno, houve o aumento no número de pedidos de aprovação. “Esse crescimento contribuiu para elevar ainda mais o tempo de espera pela aprovação”, observa Evandro Negrão de Lima Júnior.

Com a escassez de lotes na área Centro-Sul devido à diminuição do coeficiente construtivo, restou às construtoras migrarem seus projetos para a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). “A Operação Urbana Consorciada, prevista na alteração da lei, também baixou os coeficientes de todas as áreas próximas de estações de metrô e ônibus e das grandes vias da cidade, como as avenidas Amazonas e Cristiano Machado”, conta Júlio Tôrres, diretor da Torres Miranda Arquitetura.

Na opinião do vice-presidente da CMI/Secovi-MG, a nova lei piorou, em certos aspectos, o que havia na antiga. Evandro diz que o discurso da prefeitura era realizar a mudança na legislação devido a um excesso de construções. “No entanto, criaram a outorga onerosa, que permite que, caso o empreendedor pague mais, ele possa construir mais, o que não diminui de fato a quantidade de empreendimentos.”

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Além disso, as áreas comuns em Belo Horizonte eram consideradas, anteriormente, dentro do potencial de aproveitamento do terreno. “Hoje, não se pode descontar uma série de áreas desse potencial e isso piora o coeficiente de aproveitamento de terrenos, fazendo com que os empreendedores busquem locais em que esse índice é maior”, afirma Evandro.

O baixo potencial de uso das áreas disponíveis para construção que restaram inviabilizaram novos projetos em Belo Horizonte. Aliada a isso, há a incerteza da aplicação da nova Lei de Uso e Ocupação do Solo, que gera dúvidas nos investidores que não sabem o que pode ser realmente feito na capital.

Enquanto isso, as cidades da RMBH estão estruturando a área de aprovação de projetos. Um exemplo é Betim, que vem conseguindo agilidade nos processos. “Já é possível conseguir quase toda a documentação para aprovação de graça e pela internet. Os terrenos na RMBH são mais baratos e têm público”, salienta Júlio.

Diretora administrativa da Construtora Carrara, Luciana de Castro confirma as facilidades oferecidas por cidades da RMBH. De acordo com ela, o maior problema enfrentado pelas construtoras para viabilizar projetos em Belo Horizonte se deve à escassez e ao preço elevado dos terrenos
. “Na região metropolitana ainda é possível adquirir terrenos maiores e mais baratos, e até contar com o apoio das prefeituras. É possível encontrar leis mais flexíveis em relação à quantidade de unidades a serem lançadas no empreendimento.”

Com a piora em alguns aspectos da lei, apontados pelos profissionais, os empreendedores buscam outros locais que consideram mais favoráveis para investir. Além de Betim, Vespasiano, Santa Luzia e Ribeirão das Neves são algumas das cidades com perspectivas de receber esses investimentos.

ATRATIVOS Os empreendimentos localizados nessas regiões têm como foco atender aos públicos das classes C a E, como informa o arquiteto Júlio. De acordo com ele, são imóveis focados, basicamente, no programa Minha casa, minha vida (MCMV), com unidades com preço máximo de R$ 150 mil. “A maior parte dos lançamentos tem apartamentos de dois quartos com, aproximadamente, 44 metros quadrados. Lagoa Santa já consegue agregar um público de poder aquisitivo melhor”, completa.

E são justamente o preço e as condições de pagamento os principais atrativos para os futuros moradores dessas cidades da região metropolitana. Isso porque, apesar de próximas, ainda não contam com uma boa infraestrutura de serviços, lazer e até de transporte.

Luciana lembra que comprar um imóvel é uma das grandes realizações do brasileiro, objetivo que pode ser concretizado na RMBH. “Devido ao baixo custo e facilidade de financiamento, as pessoas conseguem sair do aluguel e adquirir a tão sonhada casa própria. Desde que as prestações se enquadrem no orçamento, a questão de infraestrutura fica em segundo plano.”