“Boa parte do problema de acessibilidade tem a ver com as portas”, destaca o arquiteto Jacques Lazzarotto. A largura varia, normalmente, entre 70 e 80 centímetros, mas o espaço não é suficiente para a passagem de uma cadeira de rodas, por exemplo. O ideal é ter, pelo menos, 85cm. Logo, as opções são encomendar uma porta sob medida ou comprar uma de 90cm, que já existe no mercado. Outra alternativa é a porta de correr, às vezes até mais prática.
A iluminação é um item da reforma que não pode ser esquecido. Lazzarotto sugere instalar luzes de vigília na área de circulação. “Muitas vezes, o idoso levanta à noite para ir ao banheiro e não acende a luz para não incomodar a família. O problema é que as quedas costumam ocorrer na penumbra”, comenta o arquiteto
O banheiro requer ainda mais atenção. O idoso precisa se sentir seguro para usar o vaso sanitário, o lavatório e o chuveiro. A bancada ajuda, mas não é o apoio ideal, pois se molha com facilidade e fica escorregadia. Por isso a necessidade das barras, que também são úteis no restante do imóvel. “Não é necessário instalar na casa toda, mas na principal rota do idoso. Ele vai do quarto para a sala e da sala para a cozinha, e volta para o quarto. Não fica indo à área de serviço ou aos outros dormitórios”, observa Lazzarotto.
Se o idoso tiver dificuldade para enxergar, o arquiteto recomenda instalar uma faixa de orientação na parede, principalmente no banheiro e na cozinha, onde é importante delimitar a altura das bancadas. Nesse caso, corta-se uma faixa de 5cm do azulejo, de fora a fora, para colocar uma tira de granito ou pastilha de cerâmica. Quem não quiser quebrar a parede, pode colar no local uma faixa de fita adesiva larga e colorida, que seja altamente resistente.
FACILIDADE
Lazzarotto lembra que é necessário eliminar qualquer tipo de piso escorregadio, que deve ser substituído por um material antiderrapante. A tábua corrida pode até ser mantida, desde que não sejam usados produtos que possam torná-la escorregadia
Uma mudança simples, que faz muita diferença, é trocar a maçaneta tipo bola por haste. “O idoso já não tem a completa flexão da mão, então ela pode escorregar na hora de apertar a bola e rodá-la. Para abrir a maçaneta tipo alavanca, é só bater a mão”, explica Lazzarotto.
Com tantas opções, o arquiteto mostra que oferecer acessibilidade ao idoso não é esvaziar a casa. “A família, ansiosa para diminuir as barreiras que podem favorecer a queda, limpam o ambiente para deixá-lo mais livre. Às vezes, o idoso cai nesse momento, pois ele usava como apoio o móvel que foi retirado”, alerta Lazzarotto. Se a modificação for realmente necessária, é bom treinar o idoso para que ele consiga andar no novo espaço com segurança.
PALAVRA DE ESPECIALISTA: Segurança e autoestima
Cláudia C. Vieira de Souza - Geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
Vivemos em um mundo projetado para adultos jovens, sem limitações sensoriais ou funcionais, mas hoje, mais de 15 milhões de brasileiros têm mais de 65 anos. Com isso, aumentam os riscos de a pessoa se tornar frágil e desenvolver piora da visão, perda da força muscular, desequilíbrio e complicações de doenças cada vez mais frequentes, como a artrite. Metade dos idosos apresenta algum tipo de incapacidade funcional ou dificuldade no desempenho das atividades cotidianas e cerca de 30% caem dentro de casa pelo menos uma vez por ano. A intervenção no domicílio vai resgatar a segurança e a autoestima do idoso, ao possibilitar que ele viva por mais tempo de forma independente.