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Hortas domésticas

Oficinas estimulam o cultivo urbano de hortaliças

Parceria da Emater-MG com a Prefeitura de Belo Horizonte já formou mais de 6 mil pessoas. Iniciativa é aprovada

Carolina Mansur
Associações comunitárias e escolas são palco para a prática de aprendizado - Foto: Jair Amaral/EM/D.A. Press

Para dividir o conhecimento com a população sobre o plantio, o trato dado às mudas e o preparo do composto orgânico colocado na terra para plantar em pequenos espaços, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater) desenvolve um projeto em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte. Técnicos da empresa têm percorrido diversas regionais da capital promovendo oficinas práticas, que ensinam as pessoas a plantar alface, tomate, agrião, beterraba, mudas de salsas e cebolinhas, que mais tarde serão inseridas na alimentação do dia a dia. Desde 1988, a iniciativa, que surgiu a partir de um pedido da população, tem atendido turmas de 10 a 20 pessoas em espaços como escolas, postos de saúde e casas dos próprios moradores solicitantes. Até o momento 169 oficinas foram realizadas, com mais de 6 mil participantes formados.

Durante o dia de atividades, que tem carga de quatros horas, os participantes recebem informações teóricas, dadas por uma técnica agrícola, sobre a importância nutricional das hortaliças, técnicas de cultivo e preparação de defensivos naturais, além de uma aula prática sobre a instalação das hortas, que podem ser plantadas no quintal de casa, em vasos ou em materiais que seriam descartados, como pneus usados, latas, canos de PVC ou garrafas plásticas. No fim do curso, todos recebem um certificado.

Segundo a gerente de Apoio à Produção e Comercialização de Alimentos do Departamento da Secretaria Municipal Adjunta de Segurança Alimentar e Nutricional, Zoraya Bernadete Souza, o programa de agricultura urbana visa promover a mudança nos hábitos alimentares da família, estimulando as pessoas a produzir suas próprias hortaliças, promover e resgatar o uso de plantas dentro de um modelo alternativo de tratamento natural. Além de desenvolver a prática agrícola como terapia ocupacional, aliviando as tensões por meio do contato com a terra, é incentivado o uso de técnicas de reciclagem reutilizando materiais como pneus e garrafas PET.

Com o público-alvo vivendo em vilas e em áreas sem espaço suficiente para a produção de hortas, a gerente garante que o projeto já tem obtido resultados positivos. “Constatamos a boa recepção com o número de vezes em que somos chamados para fazer a oficina no mesmo local, mas com outras pessoas”, relata Zoraya. Na rotina de atividades também há o ensino do plantio sem a assistência técnica. O retorno é dado pelo telefone por ex-alunos, que se tornam uma espécie de embaixadores da ideia. “Ainda não temos como fazer o monitoramento da ação, mas a expectativa é de que este ano seja feita uma amostragem para ver se há impacto no estado nutricional de cada família participante”, conta.