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De folga

Segurança do imóvel durante a viagem deve ser considerada em primeiro lugar

Quem está planejando viajar nestas férias deve tomar alguns cuidados para proteger sua casa da ação ou invasão de estranhos. Boa pedida é contar com vizinhos ou familiares

Celina Aquino

- Foto: Quinho/Ilustração


Arrumar as malas não deve ser a única preocupação dos mineiros que vão viajar nestas férias. Antes de embarcar, quem planeja ficar longe de casa o mês inteiro deve tomar uma série de precauções para não ter surpresas no retorno. A segurança da residência é um dos pontos mais importantes, já que janeiro costuma ser a época em que os criminosos aproveitam o sossego da cidade para agir. Mas não pense que isso basta. Avaliar instalações elétricas e hidráulicas, proteger equipamentos de raios e o imóvel da água da chuva também devem fazer parte da checagem dos viajantes.

O vice-presidente das administradoras de condomínios da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Leonardo da Mota Costa, acredita que o segredo, para curtir as férias com tranquilidade, é manter um bom relacionamento no prédio, criando uma rede de vizinhos que possam cuidar do patrimônio na sua ausência. “Infelizmente, vivemos em uma sociedade de pouco contato. Precisávamos ser mais participativos”, pontua.

Sempre que viaja, a funcionária pública Rosane Melo Siqueira Araújo, de 47 anos, conta com a ajuda de uma “supervizinha”, que fica com a chave do apartamento, guarda as correspondências e até cuida do cachorro quando o passeio vai ser mais rápido. “O prédio não tem porteiro. Então, a gente conta com a vizinhança, que são as pessoas que estão sempre ao nosso lado”, observa. Entre os seis moradores, o combinado é informar o destino da viagem e um telefone de contato para, em caso de emergência, não haver dificuldade de localizar o proprietário.

A “supervizinha” de Rosane é a dona de casa Regina Felipe Almeida, de 56, que não se importa de assumir a segurança do prédio em época de férias, pois ela sabe que também pode contar com os amigos do condomínio. “Como já nos conhecemos há muito tempo, temos confiança de deixar a chave de casa com um vizinho
. É uma questão de segurança e tranquilidade”, diz. O prédio onde Rosane e Regina moram há oito anos, no Bairro Ouro Preto, Região da Pampulha, em Belo Horizonte, tem sistema de vigilância, cerca elétrica e alarme, mas elas confiam mais na parceria da vizinhança.

Na opinião de Leonardo Costa, o melhor é passar a responsabilidade do seu apartamento para uma pessoa bem próxima, seja vizinho ou familiar. Ele não orienta deixar a chave de casa com o porteiro. “O poder de persuasão de bandido é muito maior do que a gente possa imaginar”, alerta. Costa sugere apenas avisar aos funcionários do condomínio sobre a viagem, sem entrar em detalhes, e estabelecer regras bem definidas, especialmente a respeito de quem está autorizado a entrar na residência, para evitar que estranhos se aproveitem da sua ausência.

UNIÃO

O que não se recomenda é deixar a casa trancada sem que ninguém tenha acesso a ela. Em caso de vazamento ou qualquer outro incidente, o condomínio vai precisar entrar para tomar as providências necessárias. A pessoa de sua confiança deve ter livre acesso ao prédio, não só para regar as plantas e alimentar os animais de estimação, mas para guardar as correspondências, que podem colocar informações e documentos nas mãos de mal-intencionados.

Leonardo Costa lembra que a responsabilidade do prédio durante as férias não é exclusividade do síndico. Ele pode ser o viajante da vez. “Não pense que ele é funcionário do condomínio ou polícia do prédio, que tem a obrigação de cuidar de tudo”, afirma. Você até pode deixar as chaves do apartamento com o morador que administra o condomínio, desde que tenha algum grau de relacionamento com ele.

O assessor de imprensa da Polícia Militar de Minas Gerais, major Gilmar Luciano Santos, destaca a vantagem de integrar a Rede de Vizinhos Protegidos, que une moradores para coibir a ação de criminosos
. Além disso, ele acredita ser importante conhecer o comandante do batalhão e o policial do bairro pelo nome. “Informe que estará ausente e deixe seu telefone. Se ocorrer de a casa ser arrombada ou o alarme tocar, ele vai acionar você para avisar que a PM está tomando providências”, diz.

O dirigente da CMI/Secovi-MG também pede que os condôminos tomem cuidado na hora de contratar vigilantes para reforçar a segurança neste período de férias. Funcionários temporários não conhecem todas as pessoas que normalmente circulam pelo prédio e não vão conseguir identificar um suspeito. “Quem melhor protege a nossa casa somos nós, moradores”, conclui.

Portas e janelas bem vedadas
Ações da natureza, como chuva e ventania, são pontos que merecem atenção do morador que vai se ausentar por uns tempos. Recomendação é deixar aparelhos elétricos desligados

"A água da chuva pode entrar e trazer transtorno para o morador, que vai encontrar a casa toda molhada e com o piso danificado" - Júlio Fonseca, diretor de Engenharia da Green Gold - Foto: Marco Aurélio Lara/DivulgaçãoResolvida a questão da segurança, chega a hora de o viajante proteger sua casa contra danos provocados pela chuva, tão comum em janeiro. O mês de férias no Brasil coincide com o período de tempestades, por isso o engenheiro eletricista Wagner Almeida Barbosa, diretor da Clamper – fabricante de dispositivos de proteção contra surtos elétricos –, lembra que é necessário resguardar os equipamentos eletrônicos. “Só de estar conectado na tomada, o aparelho pode receber altas voltagens, provocadas por raios. O que estiver a uma distância média de cinco quilômetros do ponto de impacto da descarga elétrica corre o risco de ser danificado”, esclarece.

Por precaução, recomenda-se tirar todos os equipamentos da tomada. Mas há uma série de aparelhos que não podem ser desligados. Modems de internet e televisão a cabo, por exemplo, perdem a configuração quando permanecem desconectados por muito tempo. Por outro lado, informa Barbosa, eles são os mais sensíveis a queima por descargas atmosféricas. A solução, portanto, é contar com a ajuda dos dispositivos de proteção contra surtos (DPS), que são instalados na rede elétrica ou na de dados e evitam que a alta energia chegue ao equipamento eletrônico, provocando estragos.

Desde 2004, é regra o uso do DPS nas instalações elétricas em que há possibilidade de apagão ou descarga elétrica. O diretor da Clamper destaca que, apesar de quase ninguém saber, as novas edificações já são entregues com o dispositivo. Porém, em mais de 90% das construções antigas não se vê nenhum tipo de proteção. Para evitar surpresas na volta da viagem, Barbosa orienta o viajante a ter em casa o DPS, que pode ser instalado na entrada de energia do prédio, no quadro de distribuição de energia da unidade ou junto ao equipamento que vai ser ligado na tomada.

O mesmo vale para portão eletrônico, sistema de vigilância e interfone. A pane causada por raios na rede elétrica pode levar ao mau funcionamento da tecnologia usada para garantir a segurança da residência. Barbosa ressalta que um surto elétrico pode fazer com que o portão abra e feche involuntariamente, o que expõe a casa ou o condomínio à entrada de pessoas estranhas. “Além de prevenir dano elétrico, o dispositivo vai evitar que ocorram operações indevidas”, pontua.

EVITE TRANSTORNOS

Janelas nunca devem ficar abertas - Foto: Tulio Santos/EM/D.A PressQuem vai viajar nas férias deve ser preocupar também com a água da chuva. Antes de sair, é importante verificar se não há nada obstruindo telhado, calha e ralos da área externa. O diretor de Engenharia da Green Gold Engenharia e Projetos, Júlio Fonseca, orienta o viajante a verificar a vedação das janelas e portas, principalmente em apartamentos com varanda. “A água da chuva pode entrar e trazer transtorno para o morador, que vai encontrar a casa toda molhada e com o piso danificado”, comenta.

Outra surpresa nada agradável é o mau cheiro que pode surgir quando o banheiro é pouco usado. Fonseca explica que o problema está na caixa sifonada, compartimento com um volume de água que impede o gás do esgoto de retornar para as peças sanitárias. Quando elas são usadas diariamente, o feixe hídrico permanece com cinco centímetros. “Imagine no verão do Brasil e com a casa vazia, a água vai evaporar, o feixe hídrico diminuir e o gás do esgoto vai conseguir passar”, diz. A única forma de evitar o mau cheiro é usar o banheiro, por isso o diretor da Green Gold sugere deixar alguém incumbido de ir uma vez por semana à residência para abrir a torneira e dar descarga.

Barbosa recomenda, ainda, fechar todos os registros. Isso é para impedir que a casa seja inundada caso haja alguma anomalia na rede pública, como pressão mais alta de água.

FAÇA A SUA PARTE

Antes de viajar

- Tranque portas, janelas e portões.
- Peça a um vizinho ou familiar que recolha sua correspondência.
- Não deixe visíveis ferramentas, escadas ou objetos que possam facilitar a entrada de estranhos.
- Não coloque cadeados do lado de fora do portão.
- Não deixe sua residência com aparência de vazia.
- Não feche completamente cortinas e persianas.
- Não deixe luzes acesas.
- Peça sigilo ao zelador do prédio sobre sua viagem.
- Faça um exame cuidadoso do aspecto físico do seu imóvel e procure melhorar a segurança dos pontos que podem ser vulneráveis.
- Procure formar uma rede de vigilância comunitária para que haja observação mútua de residências.
- Se necessário, providencie um técnico para reparar suas instalações de gás e elétricas.
- Verifique se os registros de água e gás estão fechados e se os cinzeiros, lareiras e churrasqueiras estão limpos.

Na volta

 

- Antes de entrar em casa, procure perceber se há algum cheiro estranho, principalmente de gás. Em caso positivo, não ligue as chaves de energia ou interruptores. Abra todas as portas e janelas para ventilar. Procure descobrir e vedar o vazamento. Em caso de dúvida, acione o Corpo de Bombeiros (193).
- Se perceber barulhos estranhos, ligue para o 190.

Quem não viaja

- Acione a polícia se perceber luzes acesas ou barulho em casa de vizinhos que estejam viajando.
- Fique atento a carros particulares ou qualquer outro veículo pegando mercadorias em residências.
- Desconfie de pessoas agindo de maneira nervosa e carregando objetos sem os cuidados necessários.
- Se avistar pessoas suspeitas anotando as placas dos veículos estacionados, acione a PM.
- Fique também de olho em transeuntes carregando grandes embrulhos ou parados perto de residências por muito tempo.

Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais