Um dos motivos para o otimismo é que o Brasil está atraindo cada vez mais investimentos estrangeiros, como revela o diretor da Torres Miranda Arquitetura, Maurício Miranda: “Com a chegada de sucursais de empresas multinacionais, cresceu a demanda por projetos de edifícios corporativos na capital mineira.” Segundo o arquiteto, a procura por prédios comerciais aumentou consideravelmente na última década. “Os projetos mais procurados são relativos a empreendimentos de andares corridos, em bairros centrais e da Zona Sul ou mais próximos da Linha Verde e do Centro Administrativo”, informa.
O gerente de Negócios da Construtora Escala Adimilson Moura, confirma o crescimento do setor. “No Brasil, não há estatísticas sobre esse aumento, pois muitos dos empreendimentos são edificados com recursos próprios. Mas posso afirmar que os imóveis comerciais acompanham o ritmo do varejo, que nos últimos anos foi de contínuo crescimento”, diz. Segundo destaca, esse aumento foi impulsionado pela forte procura. “O interesse das incorporadoras está diretamente relacionado à demanda de mercado. O movimento nos últimos dois anos na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) fez com que o setor comercial ganhasse força e chamasse a atenção das empresas”, completa.
De acordo com o diretor comercial da Direcional Engenharia, Guilherme Diamante, a demanda aumentou em resposta à estabilidade econômica e à redução da taxa de juros. “No último ano, mais especificamente, aumentou a procura por empreendimentos comerciais. Em Belo Horizonte, a economia passa por uma ótima fase e funciona como um atrativo para o investidor comprar um imóvel, o que é mais lucrativo do que deixar o dinheiro aplicado
A construção desse tipo de empreendimento, que já foi mais lento no passado, agora tem atraído a atenção das construtoras, observa o presidente da Lar Imóveis, Luiz Antônio Rodrigues. “A demanda sempre existiu e, devido ao alto valor do aluguel, muitos se voltaram para investimentos nesse nicho. O mercado é bom e promissor: há demanda e pouca oferta. Além disso, o custo para construir um imóvel comercial é menor do que o residencial, com retorno financeiro maior.”
Quem já aposta nesse segmento há 30 anos é o empresário Frank Sinatra Chaves, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Contagem. Para isso, foi escolhida a RMBH, que ele vê como promissora. “O que despertou meu interesse por imóveis comerciais foi o desenvolvimento de Contagem e a lucratividade do ramo. A valorização e a rentabilidade do mercado são as grandes vantagens de investir nesse segmento”, destaca Chaves.
Investimento com retorno garantido
Advogados, dentistas e médicos estão entre os que mais procuram imóveis para montar escritórios e consultórios
Maior possibilidade de rendimentos com a locação é o principal atrativo para quem pensa em investir em imóveis comerciais. É que observa o gerente de Negócios da Construtora Escala, Adimilson Moura. Segundo ele, “enquanto um residencial gera ganho médio de 0,4% ao mês, no comercial o retorno é de 0,7%. O segundo aspecto é o crescimento da demanda de profissionais liberais, como advogados, dentistas e médicos, entre outros, por escritórios, resultado do aquecimento da economia e da necessidade de ampliação de negócios”, constata.
A política econômica financeira em equilíbrio foi apontada também por Luiz Antônio Rodrigues, presidente da Lar Imóveis, como fator predominante nesse movimento observado no mercado imobiliário
O resultado é a grande procura por locações comerciais que possibilitam o retorno financeiro acima das aplicações do mercado de capitais, segundo assegura o presidente da Lar Imóveis. “Entre as regiões mais procuradas para se investir nesse segmento estão a Zona Sul de Belo Horizonte, a área hospitalar e cidades como Nova Lima, Lagoa Santa, Brumadinho, Vespasiano e Contagem.”
Aliás, a localização é um dos fatores mais importantes a serem considerados quando se decide investir em imóveis comerciais. “Além do retorno de locação e facilidade de revenda, é preciso estar atento, ainda, ao perfil da empresa que está construindo o empreendimento, idoneidade e compromisso com o cliente. Tomados esses cuidados, as perspectivas são bastante interessantes, pois temos uma margem de crescimento para empreendimentos comerciais para atendimento de vários perfis de renda”, diz Moura.
AVALIAÇÃO
Aspectos estéticos, funcionais e de sustentabilidade nunca devem ser esquecidos, observa Guilherme Diamante, da Direcional. “Hoje, principalmente, o que mais deve ser levado em consideração é se o prédio é moderno, se vai permitir baixa manutenção, oferecer racionalidade do consumo de energia elétrica, se existe vaga de garagem ou estacionamento rotativo próximo, entre outros quesitos.” Somado a isso, um aluguel acessível, condizente com a realidade do mercado, e boa localização fazem toda a diferença.
“Quem vai investir em um imóvel comercial precisa conhecer a demanda para esse segmento”, ressalta Diamante. Na hora de fechar o negócio, é importante avaliar se toda a documentação da empresa está em dia, analisar o contrato e a aprovação de projetos. “São cuidados básicos para adquirir qualquer imóvel”, diz. Locais com grande fluxo de pessoas e veículos, boa visibilidade e vizinhança com variados nichos de negócios são aspectos positivos a serem considerados para a compra de um imóvel comercial, aconselha Rodrigues. Feito isso, é preciso obter informações sobre a empresa responsável pela edificação do empreendimento.
“É importante buscar referências sobre a saúde financeira da construtora, consultar um assessor jurídico com especialidade em direito imobiliário e escolher uma imobiliária credenciada pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) para evitar aborrecimentos futuros. Considerados todos esses fatores, o investimento tem grandes possibilidades de retorno favorável”, reforça ele.
De maneira geral, segundo destaca Rodrigues, “as perspectivas são ótimas, a demanda é crescente e continuará por muito tempo assim, visto que grandes investidores da região e de fora estão focados em Belo Horizonte e no seu entorno. Um dos fortes atrativos está nas companhias mineradoras localizadas nas proximidades da capital, que, com certeza, aumentarão o interesse por grandes investimentos imobiliários.”