Elevadores estão em evolução e demandam planejamento cuidadoso para instalação

Projeto minucioso para uso de meio de transporte em edifícios residenciais, comerciais e casas precisa ser elaborado antes da instalação das máquinas

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postado em 27/07/2013 08:00 Elian Guimarães /Estado de Minas
Equipamentos usados em obras também têm que seguir normas técnicas - Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press Equipamentos usados em obras também têm que seguir normas técnicas

Em 1.500 a. C., os egípcios já usavam elevadores rudimentares para elevar as águas do Rio Nilo, por meio de tração animal e humana. Com a revolução industrial essas trações foram substituídas pela energia a vapor e, posteriormente, por eletricidade. Em 1853, o empresário americano Elis Graves Otis inventou o elevador de passageiros. Os primeiros equipamentos eram muito lentos. Atualmente alguns são capazes de atingir a velocidade de 550 m/min. No Brasil, esses equipamentos começaram a ser fabricados em 1918, com um cabineiro que girava uma manivela e movimenta o elevador. As portas eram acionadas manualmente. Com edifícios mais altos, esse mecanismo foi substituído por sistemas elétricos mais complexos que dispensam serviço de cabineiro.

Segundo o gerente de operações da empresa fabricante de elevadores Orona Antônio Moreira, o elevador foi evoluindo de corrente contínua para alternada, depois veio o controle de velocidade e hoje funciona com variação de voltagem e frequência, conhecida como VVF. “O grande salto em tecnologia é a associação do sistema VVF com o drive regeneration, um acessório para atender a requisitos de eficiência.” Mas é preciso saber se o local onde esse equipamento será instalado tem capacidade para suportá-lo, se há sustentação elétrica e da própria edificação. De acordo com Moreira, os fabricantes no Brasil têm condições de atender essa demanda, entretanto nem sempre o edifício ou o local de sua instalação oferecem condições técnicas.

Elevadores mais antigos tinham porta gradeada, fechada à mão - Alfredo Durães/EM/D.A Press Elevadores mais antigos tinham porta gradeada, fechada à mão
Por isso, é tão importante que, antes da instalação de elevadores, em edifícios residenciais, comerciais ou casas, seja detalhado um projeto técnico que vai estabelecer todas as especificações do volume de pessoas estimado que vão usar o equipamento; a área a ser instalada; a velocidade da máquina, entre outros itens. Diante disso, o diretor da VTC Consultoria e diretor do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MG), Ronaldo Bandeira, aconselha a arquitetos e construtores a recorrerem aos profissionais do ramo antes de elaborar um projeto de instalação do equipamento. Esse meio de transporte dispõe de normas técnicas e legislações estaduais e municipais e caso esteja inadequado pode até mesmo impedir a continuidade de uma obra.

Atualmente, outra tecnologia inovadora é dos elevadores que dispensam casa de máquinas. As máquinas têm a caixa de corrida, um poço, que é uma projeção abaixo da última parada e a projeção acima do último andar, ambos com o intuito de oferecer mais segurança aos usuários. Acima dessa projeção é instalada a casa de máquinas, onde estão todos os comandos. Nessa nova tecnologia os componentes são instalados dentro da caixa dos elevadores. “Ela tem maior valor agregado, mas o contratante do serviço corre o risco de dependência de uma única assistência técnica”, alerta Antônio Moreira.

Nos mínimos detalhes
Velocidade, número de passageiros a serem transportados, espaço de instalação, tudo deve ser especificado em projeto. Uso da máquina segue uma série de regulamentações

Manter manutenção em dia é essencial para garantir a segurança - Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press Manter manutenção em dia é essencial para garantir a segurança
É no projeto de um imóvel, que inclua a instalação de um elevador, que as especificações sobre quantas máquinas são necessárias, qual deve ser sua capacidade de carga e passageiros e a velocidade que vai usar devem ser definidas. Uma vez estabelecidas todas essas variáveis, é hora de escolher o tipo de cabine e o tamanho mais adequado para seu uso. Numa terceira etapa, o consultor deverá receber os equipamentos e conferir se ele está dentro de todas as especificações. Nos projetos devem constar, ainda, no caso de edificações residenciais, o número de apartamentos, bem como de dormitórios e de dependência de empregados.

Isso leva em conta a quantidade de pessoas a serem transportadas para que se defina a capacidade de transporte e a velocidade, adverte o gerente de operações em Minas da Orona, fabricante de elevadores, Antônio Moreira: “O ideal é que um prédio tenha no mínimo dois elevadores. Isso porque, para que haja manutenção, um equipamento vai ser paralisado e outro fica em uso. Se houver um único equipamento no prédio, a acessibilidade das pessoas é dificultada”. A medida consta na Norma Mercosul – NM 313/07 sobre acessibilidade.

Elevadores são preocupação também da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABTN) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTB), que define regras para aqueles utilizados durante a construção de um edifício. A Norma Regulamentadora (NR 18) que trata das condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção estabelece os parâmetros para movimentação e transporte de materiais e pessoas.

Manutenção regular das máquinas é de extrema importância para garantir a segurança dos usuários - Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press Manutenção regular das máquinas é de extrema importância para garantir a segurança dos usuários
O engenheiro responsável técnico de uma obra deve responder por todos os quesitos de segurança que são fiscalizados pelo MTE com apoio do Crea. É preciso ter um programa detalhado. O elevador de cargas não deve ser o mesmo que transporta operários, ou em casos de construções menores pode-se ter um único elevador, entretanto ele deve transportar materiais sem a presença humana, podendo-se fazer um revezamento, explica o engenheiro da Comissão Técnica de Engenharia de Segurança e Deseastres Naturais da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME-MG) Silvio Piroli. Ele reconhece que em alguns casos esse plano fica no papel. Entretanto, se houver fiscalização o responsável é advertido e tem prazo para regularizar, caso isso não ocorra ele pode receber multas e ter até a obra suspensa.

As torres de sustentação do elevador têm que ter dados do fabricante e sua responsabilidade, por exigência do MTE. “A única solução para a segurança é a prevenção. Estudar os riscos e adotar medidas que os eliminem”, explica Piroli.

Saiba Mais
A Nota Regulamentadora 18, do Ministério do Trabalho e Emprego, estabelece, entre outras coisas, que:

» 18.14.1.1 – “Os equipamentos de transporte vertical de materiais e de pessoas devem ser dimensionadas por profissional legalmente habilitado...”

» 18.14.1.4 – Toda empresa fabricante, locadora ou prestadora de serviços de instalação, montagem, desmontagem e manutenção, seja do equipamento em seu conjunto ou de parte dele, deve ser registrada no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) e estar sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado com atribuição técnica compatível.

» 18.14.1.5 – Os elevadores tracionados a cabo, fabricados após doze meses da publicação deste item, devem ter os painéis laterais, os contraventos, a cabine, o guincho de tração e o freio de emergência identificados de forma indelével pelo fabricante, importador ou locador.

» 18.14.6 – Toda empresa usuária de equipamentos de movimentação e transporte de materiais e ou pessoas deve ter o seu Programa de Manutenção Preventiva confrome recomendação do locador, importador ou fabricante.

» 18.14.1.6.1 – O Programa de Manutenção Preventiva deve ser mantido junto ao livro de inspeção do equipamento.

Tags: tecnologia

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