Antigo e valorizado

Bairro Amazonas, em Contagem, assiste a verticalização e melhorias na habitação

Região tornou-se alvo de empreendimentos verticais e de progressos em suas moradias para fazer frente à elevação do nível de renda da população

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postado em 29/12/2013 12:00 Elian Guimarães /Estado de Minas
Alguns prédios residenciais, como o da Rua Professor Melo, já começam a mudar a paisagem local - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press Alguns prédios residenciais, como o da Rua Professor Melo, já começam a mudar a paisagem local

Em busca de melhores condições de vida, milhares de famílias simples do interior de Minas e do Nordeste do país mudaram-se, no fim da década de 1950 e início da de 1960, para o primeiro conjunto habitacional de Contagem, no Bairro JK, construído durante o governo Juscelino Kubitscheck. Situado na região industrial, morar naquele bairro permitia maior acesso aos empregos gerados pelas indústrias.

Ainda nos anos 1960 foram criados os bairros Amazonas e Riacho das Pedras, que contavam com alguma infraestrutura. Situado às margens da BR-381, o Bairro Amazonas é local privilegiado para quem mora na região da Cidade Industrial e de Betim. O loteamento visava atender a demanda de pessoas com recursos limitados.

Até hoje o bairro permanece essencialmente residencial. Entretanto, com a melhoria do nível de renda da população, fenômeno percebido em todo o país, o bairro tornou-se alvo de empreendimentos verticais e de melhoria em suas moradias. É difícil encontrar lotes vagos no Amazonas. “Sempre que há terreno disponível é porque tem uma construção antiga para ser demolida”, diz Milton Oliveira, supervisor de vendas da Adifer Imóveis.

Segundo Oliveira, por estar instalado em meio a dois grandes polos industriais (Betim e Contagem) e dividir fronteiras com dois bairros importantes (Inconfidentes e Industrial), há grande procura por locação. “É um bairro muito popular, em que todos se conhecem. Moram lá há muitos anos. Funciona como uma comunidade do interior.”

As ruas pacatas de paralelepípedo e as pracinhas arborizadas e gramadas contrastam com o trânsito pesado da BR-381 e das avenidas Alvarenga Peixoto e Tiradentes, pontos altos do comércio local, que conta com inúmeras lojas, bares, restaurantes e hotéis. Na Alvarenga Peixoto, há três décadas é realizada, uma das mais importantes feiras livres de Contagem, atraindo milhares de clientes de cidades vizinhas, inclusive Belo Horizonte, oferecendo comidas, bebidas, frios e roupas típicas do interior.

MINAS

Aos poucos, começam a surgir pontos de verticalização. Segundo Oliveira, no solo do bairro há muitas minas, principalmente nas partes mais baixas, o que encarece a verticalização. Mas começam a surgir imóveis residenciais em padrões mais elevados de construção. O supervisor de vendas acredita que o Amazonas, em termos de valorização, vai superar outros bairros mais caros.

Na Avenida Tiradentes, uma das mais importantes do bairro, foi construído um grande conjunto de prédios. Um terreno de 360 metros quadrados (m²) nessa avenida custa em torno de R$ 1,5 milhão. Um apartamento de dois quartos no bairro custa em torno de R$ 120 mil e uma casa simples a partir de R$ 450 mil. O metro quadrado de um terreno no bairro, segundo Oliveira, custa entre R$ 900 e R$ 1 mil.

No que diz respeito a locação, um imóvel de dois quartos (apartamento) custa a partir de R$ 500 e o de três, entre R$ 750 e R$ 800.

A formação de bairros em Contagem se deu basicamente em cima de terrenos de cinco famílias que detinham grande parte das terras rurais: os Camargo, com terras do eixo Eldorado/Água Branca/Novo Eldorado; os Mattos, no eixo Riacho/Inconfidentes/Amazonas; os Diniz e os Belém, com terras na sede; e os Rocha, com terras na Ressaca.

Referência cultural
Feira realizada há quase três décadas, sempre aos domingos, já virou tradição e atrai pessoas de todas as partes da região metropolitana
O aposentado Hamilton Duarte diz que  a Rua Alvarenga Peixoto, onde hoje é realizada a feira, era o leito de um córrego - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press O aposentado Hamilton Duarte diz que a Rua Alvarenga Peixoto, onde hoje é realizada a feira, era o leito de um córrego

A feira dominical do Bairro Amazonas é uma das atrações de Contagem. Milhares de pessoas se dirigem ao local vindas de todas as partes da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ela funciona há quase três décadas, das 9h às 14h, na Avenida Alvarenga Peixoto, quase na divisa com os bairros Inconfidentes e Industrial.

Dividida em cinco setores – alimentação, bijuteria, artesanato, vestuário e hortifrutigranjeiro –, a feira incrementa o comércio do bairro, uma vez que bares, restaurantes e hotéis em seu entorno vêm o movimento aumentar muito nas manhãs de domingo.

O aposentado Hamilton Duarte, de 88 anos, mora há 40 no Bairro Amazonas, quando se mudou de Guanhães, na Região do Vale do Rio Doce, em busca de melhoria de vida. “Vim para trabalhar e, na época, comprei um terreninho aqui no bairro por 300 cruzeiros.” Segundo ele, o bairro era muito diferente, já que era pouco habitado, e grande parte das ruas ainda não eram calçadas. “A Rua Alvarenga Peixoto, onde hoje é realizada a feira, era o leito de um córrego. Não tinha do que reclamar. As ruas eram limpas e até já existia coleta regular de lixo.” Hoje, o terreno onde ele mora é avaliado em R$ 300 mil. “Mas tem apartamento por aqui, de três quartos, custando R$ 350 mil.”

DIVERSIDADE

Elizete de Fátima Mino Rosa é garçonete no Bar do Baiano, bem no coração da feira, e considera a região bem valorizada, com um comércio bastante diversificado. “A localização é muito boa. Estamos bem próximos à BR-381 (BH/São Paulo), o que facilita a locomoção, e também perto de bairros importantes de Contagem, como o Inconfidentes e o Industrial. Aos domingos, o bairro lota nessa parte, com o movimento ligado à feira.”
O dono de barraca Ivan José de Souza mora na região desde 1962 e diz que comprou o terreno por 2,6 mil cruzeiros - Juarez Rodrigues/EM/D.A Press O dono de barraca Ivan José de Souza mora na região desde 1962 e diz que comprou o terreno por 2,6 mil cruzeiros

O dono de barraca Ivan José de Souza mora na região desde 1962. Ganha a vida vendendo queijos, doces, cafés. Ele garante que a feira já teve dias melhores. Entretanto, confirma a diversidade de público. “Vendo produtos para várias pessoas do interior de Minas.” Em 1962, ele comprou um terreno por 2,6 mil cruzeiros. “Hoje, se ainda tivéssemos a mesma moeda, não saberia quantos zeros a mais colocar no valor”, brinca. “Isso aqui valorizou muito. Meu terreno deve estar valendo pelo menos uns R$ 250 mil.”

Critérios para expor na feira:

» Residir no município
» Exercer atividades afins
» Não exercer mesma atividade em outra feira do município.

Fonte: Prefeitura de Contagem

Autonomia a partir de 1940

Em 1949, Contagem tornou-se antônoma política e administrativamente. Seu território era formado basicamente pela região da sede e Cidade Industrial, que começava a ser implantada. A vizinhança com Belo Horizonte e a industrialização, garantida pela Cemig a partir de 1962, levaram resultados positivos, fazendo a cidade prosperar.

A expansão urbana e a ocupação de terrenos disponíveis ocorreu a partir do loteamento de áreas de chácaras para construção de moradias ou empresas (serviços de água, luz e esgoto). Por outro lado, a construção da Cidade Industrial valorizou a região, encareceu os terrenos e empurrou os migrantes, atraídos pela oferta de empregos nas indústrias, para áreas de alto risco geológico.

A região do Bairro Nacional é fruto do parcelamento de áreas de fazendas na Pampulha, nos anos 1950. A região da Ressaca começou com o loteamento da Fazenda do Confisco nesse mesmo período e foi estimulada pela Ceasa. O Eldorado foi criado a partir de 1954, como uma extensão da sede. A região do Petrolândia foi resultado da implatnação da Refinaria Gabriel Passos, em Betim, no fim da década de 1960. Vargem das Flores surgiu com a criação da represa e do Bairro Nova Contagem, no início de 1970.

Esse processo contribuiu para que Contagem se tornasse uma cidade onde não há boa ligação entre os bairros. Muitos deles estão mais ligados à capital – em termos de trabalho, comércio e de lazer –, do que ao município. É o caso dos bairros da região do Ressaca, que surgiram a partir da valorização dos terrenos devido à ocupação da Pampulha, em Belo Horizonte.

Tags: antigo

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