Longe do ideal

Coleta seletiva em prédios não é lei em BH, mas gera tormento para quem quer aderir

Condomínios que separam o lixo esbarram na falta de recolhimento, já que o serviço é restrito a poucos bairros de Belo Horizonte

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postado em 26/01/2014 10:00 / atualizado em 23/01/2014 13:20 Luciane Evans /Estado de Minas
Reprodução/Internet/institutosocioambientaldhc.com.br
Se por um lado a coleta seletiva é vista como um bem ao meio ambiente e também uma fonte de renda e geração de emprego para muitas famílias, por outro, pode ser encarada como um tormento para condomínios que tentam aderir a esse sistema. Em muitos estados, a coleta se tornou obrigatória em prédios residenciais e comerciais, como é o caso do Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte ainda não existe uma lei que obrigue aos moradores de edifícios a separar o material reciclável do lixo. Porém, alguns prédios residenciais, por iniciativa própria, tentam fazer esse trabalho, mas muitos esbarram em dificuldades que acabam travando a boa intenção.

Em Santa Tereza, na Região Leste, o síndico profissional do edifício Mário Coutinho, Athos Ruas, diz que, pelo menos desde 2006, o condomínio faz a coleta seletiva. “Os condôminos separam o lixo corretamente. Temos os latões para cada resíduo. Porém, o serviço da prefeitura exclusivo da coleta seletiva não passa por aqui”, lamenta, dizendo que já tentou, inclusive, oferecer os recicláveis à Associação dos Catadores de Papel, Papelão e outros (Asmare). “Mas eles só buscam quando há uma quantidade maior e nós não temos onde armazenar todo o lixo reciclável. O medo é de atrair ratos, baratas e outros. Então, continuamos fazendo a coleta, mesmo que o caminhão que recolha não separe.”

A realidade do síndico Athos não é incomum. De acordo com Carlos Eduardo Alves de Queiroz, presidente do Sindicato dos Condomínios Comerciais, Residenciais e Misto de Belo Horizonte e Região Metropolitana, o grande problema da coleta seletiva em BH é que o recolhimento está limitado a poucos bairros da cidade. “O município não tem uma boa política para recolher esse material. Se você faz a coleta, não há quem busque”, critica, dizendo ser síndico de um prédio com 161 apartamentos, no Barro Preto, e, pela falta de uma política mais abrangente, a coleta não foi implantada no local. “Além desse agravante, atualmente os imóveis estão menores e, sendo assim, não há espaço para armazenar o material reciclável”, observa.

ALTERNATIVAS

A prefeitura reconhece as dificuldades, mas aponta alternativas. De acordo com a engenheira sanitária do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) de BH Maria Esther de Castro e Silva, a coleta seletiva da prefeitura de BH atende, atualmente, 30 bairros da capital, com o serviço de porta em porta, que ocorre uma vez na semana. Todos os bairros da Zona Sul, parte da Savassi, regiões Oeste e Nordeste, e Barreiro são contemplados pelo programa. “Pedimos aos moradores que façam uma pré-lavagem no material reciclável e deixe secar, para não propiciar o crescimento de insetos. Pedimos que o saco onde for armazenado o material seja de uma cor que o gari consiga identificar o que tem dentro. Não é preciso separar o metal do vidro e do papel”, ensina.

O síndico Athos Ruas diz que o condomínio faz a sua parte, mas o serviço da prefeitura não passa no Santa Tereza, na Região Leste da cidade - Edésio Ferreira/EM/D.A Press O síndico Athos Ruas diz que o condomínio faz a sua parte, mas o serviço da prefeitura não passa no Santa Tereza, na Região Leste da cidade
Mas, para os moradores de outros bairros, onde não passa a coleta de porta em porta, há o programa ponto a ponto, com contêineres espalhados para a coleta em vários lugares da cidade. “Vemos que as pessoas estão cada vez mais interessadas em participar e fazer sua parte. A nossa intenção é ampliar a coleta de porta em porta, mas, para isso, o custo é alto. É de extrema importância a participação de todos nas coletas seletivas. O material que em outros tempos era descartado, ocupando espaço em aterros, torna-se fonte de renda para muitas famílias e, além disso, ajuda o meio ambiente, pois evita-se, assim, corte de árvores”, defende.

NO CAMINHO DA COLETA

Coleta seletiva ponto a ponto: Nesse tipo de coleta, são instalados contêineres nas cores padrão definidas pela Resolução do Conama para os materiais recicláveis: azul para o papel, vermelho para o plástico, amarelo para o metal e verde para o vidro. A população separa os recicláveis em sua residência ou local de trabalho e os deposita em contêineres instalados pela prefeitura. Cada endereço é chamado de Local de Entrega Voluntária (LEV).

Coleta seletiva porta a porta: Os materiais recicláveis são separados pelos moradores e recolhidos na rua, por um caminhão.

O QUE SEPARAR

LEV Azul - Papel: jornais, revistas, caixas de papelão, embalagens longa vida, folhas de papel, formulário contínuo, envelopes, cadernos, livros;

LEV Amarelo - Metal: latas de alumínio (refrigerantes, cervejas), latas de metal ferroso (óleo, sardinha, tomate, achocolatados), clipes, grampos de papel e de cabelo, papel alumínio, arames;

OBS: Pressione as tampas das latas para dentro antes de colocá-las na sacola dos recicláveis, para diminuir o risco de acidentes.

LEV Vermelho - Plástico: sacolas, garrafas pet, embalagens de shampoo, embalagens de material de limpeza e de alimentos, copos descartáveis, canos;

LEV Verde - Vidro: garrafas de cerveja ou refrigerante, frascos de perfume ou medicamentos (vazios e limpos), potes, copos, vidros lisos e planos.

OBS: O vidro deve ser embalado em material resistente, como papelão ou embalagem longa vida, para não ficar exposto e diminuir o risco de acidentes.

ATENÇÃO:

Os materiais devem estar limpos e secos, para não provocar mau cheiro nem atrair animais que possam causar doenças.

Mais informações pelo site http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/

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Marcos - 27 de Janeiro às 19:41
Esta Prefeitura é uma incompetente. Elevou à estratosfera o valor da taxa do lixo, embutida no IPTU 2014, mas não faz a sua parte, fazendo valer a máxima: "Todo bom cobrador é péssimo pagador"!

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