Aço conquista cada vez mais espaço em propostas residenciais

Construtoras e arquitetos começam a pensar o material em projetos residenciais não só pela agilidade da obra, como também pela estética diferenciada

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postado em 07/05/2014 15:04 Celina Aquino /Estado de Minas
Vestuário de clube campestre construído em aço foi projetado pelo arquiteto e professor João Diniz - Marcílio Gazzinelli/Divulgação Vestuário de clube campestre construído em aço foi projetado pelo arquiteto e professor João Diniz
Leve, prático e versátil. O aço pode ser mais uma alternativa para acompanhar a tendência de industrializar o setor da construção civil no Brasil. Por seguir a lógica de fabricação na indústria e apenas montagem no canteiro, as obras com estrutura metálica demandam menos tempo e mão de obra.

Na visão do membro da comissão executiva do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) Roberto Inaba, a estrutura metálica consegue solucionar dilemas das construtoras, que estão em busca de alternativas que ofereçam agilidade e não exijam tanta mão de obra. Apesar de o uso do material ainda ser reduzido, ele observa que as grandes empresas começam a apostar no sistema construtivo consolidado para galpões em edifícios de múltiplos andares e residenciais populares. “O Brasil está entre os maiores produtores de aço do mundo e tem tradição em siderurgia. O que falta é experimentar. As construturas nunca pensaram na possibilidade de usar para outro tipo de construção um material restrito à área industrial. Mas, há dois anos, ninguém falava em parede de concreto”, pontua.


Entre as vantagens de usar o sistema construtivo em aço, Inaba destaca a velocidade da obra. O simples fato de levar a estrutura pré-fabricada para que seja montada no canteiro já resulta em ganho de tempo. “É possível acumular etapas porque, enquanto uns fabricam, outros fazem a fundação. Numa obra convencional, não dá para começar a construir o prédio sem fundação”, justifica. O integrante do CBCA acrescenta que o pilar de aço tem, no mínimo, altura de três andares, ou seja, gasta-se menos tempo para levantar o edifício. Sendo mais ágil, a construção garante retorno rápido do dinheiro para o investidor, que pode vender ou alugar sua unidade em um prazo mais curto.

TOPOGRAFIA

O arquiteto João Diniz recorre ao aço sempre que considera a situação adequada. Nas obras em que o tempo é fator decisivo ou quando busca-se mais leveza, ele prefere apostar em estrutura metálica. A topografia também pode determinar o uso do material, como no caso da Casa Serrana, em Nova Lima, na Grande BH. “O terreno era muito inclinado e com muitas árvores, então só poderia ser essa a solução. O aço chegou como se fosse uma palafita: só toca o solo nos pontos de apoio. A casa fica na altura da copa das árvores, em um tipo de integração com natureza”, conta o professor da escola de arquitetura da Universidade Fumec. Diniz também usou a estrutura metálica para erguer edifícios comerciais, ginásio, vestiário de clube e fábrica, seguindo a tese de que o aço deve se revelar, e não ficar escondido.
Projeto de João Diniz - Marcílio Gazzinelli/Divulgação Projeto de João Diniz
Para o arquiteto, um dos pontos mais interessantes do uso do aço na construção civil é a sustentabilidade. A estrutura de um edifício construído com o metal pode ser reutilizada depois de uma demolição, diretamente ou com reciclagem. “Esse tipo de construção gera menos resíduos, embora o aço gaste energia para ser produzido. Mas na hora em que consideramos que ele pode ser reaproveitado, equilibra-se a conta de gasto energético”, analisa. Diniz adianta que estuda investir no projeto de casas experimentais Casexp, sistema de módulos que pode se transformar tanto em residência quanto em escritório. O cliente compra o imóvel pronto e monta em seu terreno.

IMPULSIONAR
Concepção de João Diniz - Marcílio Gazzinelli/Divulgação Concepção de João Diniz
De Belo Horizonte, a Pórtico Construções Metálicas fornece estruturas em aço para construtoras ligadas ao programa Minha Casa Minha Vida em todo o Brasil. O sócio-diretor Paulo Mendes dos Santos Júnior concorda que o programa do governo federal tenha impulsionado o sistema construtivo, considerando que não há contingente de mão de obra para o sistema convencional. Assim, a indústria entra com a linha de produção e a construtora trabalha com a linha de montagem. “Alguns empreendimentos com mil prédios precisam ficar prontos em dois anos. Como daria para fazer se não houvesse alto índice de industrialização?”, pondera. O aço ainda permite que as construtoras façam um planejamento mais acertado, cumpram os prazos, controlem melhor os custos e acabem com o desperdício.

Santos percebe que a industrialização está mais avançada na área comercial. Alguns prédios são montados com estrutura metálica, laje em concreto com forma em aço e paredes em drywall. Falta descobrir uma solução para a vedação externa, que ainda é feita em alvenaria. Em residenciais, o desafio é mudar a cultura. “Uma solução nova sempre vai gerar resistência. O comprador vai querer parede de tijolo porque está acostumado com isso”, diz o sócio-diretor da Pórtico Construções Metálicas.

Tags: arquitetura

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