Mercado imobiliário

Síndrome do não retorno

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Na década de 50, Guimarães Rosa escreveu: “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

Imagino que se vivesse hoje constataria como tudo é ainda mais corrido e embrulhado! No entanto, uma coisa é certa: precisamos de muita coragem para enfrentar nossos dias, nossos clientes, nossos parceiros, colegas de trabalho, parentes, amores e amigos.

Estamos tendo a oportunidade de vivenciar atualmente uma série de situações e comportamentos que nos desconfortam e trazem indignação. Por outro lado, período de crise é fase de se repensar... com tantos feriados e pausas para assistir aos jogos de futebol, a confusão do dia a dia aquieta, o ritmo e a rotina mudam e podemos prestar mais atenção ao que merece ser lapidado, tanto em nossa vida pessoal quanto nas organizações.

Apesar dos assuntos hoje se resumirem a futebol nos telefonemas, e-mails, Whatsapp, Facebook, Instagran etc., o mundo é muito dinâmico, a sede por conhecimento é enorme e o fluxo das informações vertiginoso. Além disso, somos cada vez mais exigentes, não aceitamos nada “mais ou menos”. Somos ágeis, “velozes e furiosos”. Precisamos de tudo, muito, para ontem e bem feito!

Mas, em oposição a isso, há institucionalizado o que podemos chamar de “síndrome do não retorno”. É a banalização da falta de compromisso, falta de retorno às questões do outro. Considero que temos hoje uma ‘doença’ instituída em nosso meio, não só no âmbito empresarial, mas também no pessoal.

Síndrome é uma palavra originada do grego que, segundo o Aurélio, é o “conjunto de sintomas ligados a uma entidade mórbida e que constitui o quadro geral de uma doença”.

É o que ocorre, hoje, na maioria das instituições, inclusive nos melhores centros de educação do nosso país a absurda falta de retorno às solicitações. Beira ao pouco caso e traz uma ansiedade e revolta humilhantes, culminando na morte mesmo: morre o relacionamento.

Nós, prestadores de serviço do ramo imobiliário, dependemos de um bom relacionamento com o cliente e temos de estar sempre de prontidão para atender o desejo dele. Costumamos dizer que somos realizadores de sonhos. Com todo respeito à psicanálise, temos de ir quase até o subconsciente do nosso cliente para atender e entender o tipo de imóvel e de serviço que ele busca no mercado.

Precisamos ter a vontade e a responsabilidade de responder cada dúvida e questionamento de quem nos procura. O fundamental é saber organizar o tempo para acompanhar e ter a estrutura necessária para dar os retornos com eficácia.

O brasileiro, cada vez mais, valoriza o corretor de imóveis, aquele que tem conhecimento e, especialmente, investe na sua carreira atuando para realizar negócios imobiliários, gerando qualidade de vida para os clientes, independentemente de trabalhar com corretagem, locação, avaliação, captação, administrativo, financeiro ou prospecção de clientes das imobiliárias.

E qualquer intermediação eficiente depende sempre da participação de todos, unidos num mesmo propósito de atendimento aos clientes. Se uma pessoa da cadeia deixa de responder ou não responde a contento um e-mail, telefonema ou agora, a um Whatsapp, pode prejudicar todo o processo. O cliente, quer seja externo ou interno, merece toda nossa atenção.

Isso vale para qualquer outro setor comercial e para qualquer relação. Cultura e educação não se impõem de um dia para outro. Há que se construir continuamente.

Mas, da mesma forma que ficamos muito bem impressionados com o exemplo dos japoneses ao limpar os estádios após o jogo, precisamos nos qualificar melhor para reconhecer que o outro existe e não é um ser virtual. Queremos ser educados, gentis e eficazes, queremos agradar, isso é nato do ser humano. O “outro” merece uma resposta mesmo que seja um ok, um vou verificar, e especialmente um “fique tranquilo(a), estamos resolvendo” (e resolva mesmo, é claro!).

A falta de retorno deixa a tensão tomar conta como aconteceu com Riobaldo, o protagonista de Guimarães Rosa em Grandes sertões: veredas, que conta a história a um interlocutor desconhecido, que nunca se pronuncia, e a quem ele chama "senhor, "moço" ou "doutor"... Em uma noite escura, o narrador vai a uma encruzilhada. Chama o demônio pelo nome e, não recebe qualquer tipo de resposta. Não é possível afirmar com certeza se houve ou não um pacto com o diabo, mas o comportamento de Riobaldo modifica-se radicalmente. Como precisamos modificar o nosso!


*Diretora da Céu-Lar Imóveis, diretora da Rede Netimóveis, conselheira da Câmara do Mercado Imobiliário e vice-presidente da CMI-Secovi Mulher

 

E-mail para esta coluna: adriana@ceularimoveis.com.br

 

Tags: mercado imobiliário

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