Artistas brasileiros de intervenção urbana se destacam no cenário internacional

Uma arte democrática, inspirada pela própria cidade e que traz sempre uma pitada de humor para falar de assuntos espinhosos. Artistas locais de street art expandem fronteiras e levam os traços brasileiros às ruas do mundo

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postado em 08/04/2015 13:06 / atualizado em 08/04/2015 13:19 Hellen Leite /Correio Braziliense
O traço caprichado e os desenhos de garotas são a marca registrada do Bicicleta Sem Freio - BSF/Divulgação O traço caprichado e os desenhos de garotas são a marca registrada do Bicicleta Sem Freio
“Arte, design e rock rock’n’roll”. É assim que os ilustradores goianos Douglas de Castro, Victor Rocha e Renato Ferreira definem o trabalho que fazem há dois anos com o Bicicleta sem Freio. O trio se conheceu em 2004 no curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás, e, depois de algumas experiências despretensiosas - primeiro com cartazes para shows de rock e eventos culturais e depois com arte em muros -, decidiram profissionalizar o hobby. “O BSF surgiu como um grande grupo de colegas que só queriam se divertir, criar, desenhar e animar o que vinha em suas mentes”, comentam sobre o início do grupo.

Trabalho do Bicicleta sem Freio em Londres - BSF/Divulgação Trabalho do Bicicleta sem Freio em Londres
Com influências que vão de Edward Mucha a James Jean, os garotos exploram cores, formas e as curvas femininas, sempre com uma dose de piscodelia e humor. “Acho que a principal característica desse grupo é o trabalho manual, o capricho, tipo gráfico e o desenho de garotas”, comenta Marcelo Ferreira.
O traço dos brasileiros chamou a atenção em outros países. A arte do Bicicleta Sem Freio não se restringe mais apenas aos muros goianos, eles romperam fronteiras e chegaram a eventos de street art em Porto Rico, Miami, Londres, Lisboa, Los Angeles e Las Vegas. “Neste ano ainda faremos um muro em um festival de música no Canadá, e temos convites para fazer arte no México e em São Francisco, nos Estados Unidos”, comemora Renato.

Arte dos goianos em Los Angeles - BSF/Divulgação Arte dos goianos em Los Angeles
Além do BSF outros brasileiros se destacam no cenário internacional. Perfis na Internet agrupam esses artistas e aferem a crescente mobilização e profissionalização da arte de rua no país. O perfil Instagrafite, por exemplo, que reúne trabalhos de artistas - principalmente nacionais -, já é a uma das maiores galerias colaborativas de arte urbana do mundo. Poucos perfis na Internet são tão influentes quanto o criado pelo fotógrafo Marcelo Pimentel. São diversos artistas expostos e mais de 1 milhão de seguidores na rede social, em pouco mais de um ano.

“Observar e anotar. Observar e desenhar”

O Gurulino - Pedro Sangeon/Divulgação O Gurulino
Dos cadernos de desenho aos muros brasilienses. O artista Pedro Sangeon se interessou por intervenção urbana há dez anos no curso de artes visuais da UnB. Os primeiros trabalhos foram feitos em passagens subterrâneas e paradas de ônibus da Asa Norte em 2012. De lá para cá, além de Brasília, a marca do artista também está impressa em muros de São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York.

Pedro Sangeon/Divulgação
Gurulino em Nova York - Pedro Sangeon/Divulgação Gurulino em Nova York
Criador do Gurulino, personagem já conhecido dos brasilienses, Pedro exercita o diálogo entre o espaço urbano e as pessoas, sempre com um toque de humor e sarcasmo aplicado à ética. Para ele, o deboche e a crítica social são intrínsecas a intervenção urbana, ao street art e ao grafite, movimentos artísticos que já nasceram engajados. “Ainda temos muito o que aprender para chamarmos o sistema que vivemos de democracia. Quando penso nisso, vejo que poderia ficar só reclamando, ironizando e odiando. Já o fiz, e não me levou a lugar nenhum. O Gurulino é minha redenção, minha meditação, minha melhor arma para me aproximar dessa utópica democracia”, comenta.
Para o objetivo comum caminham os brasilienses do Coletivo Transverso. Ter ruas ocupadas pela reflexão e a poesia, aliando sempre plasticidade e conteúdo é o fundamento do grupo que surgiu em 2011. A intervenção feita com stencil tem um olhar poético sobre o cotidiano e busca a construção de uma identidade estética.

Intervenção do Coletivo Transverso - Mayara Domingues/Reprodução Intervenção do Coletivo Transverso
A poesia ganha lugares impensados - Coletivo Transverso/Reprodução A poesia ganha lugares impensados
“O principal conceito norteador é o de ataque poético e propõe a reflexão sobre as possibilidades de utilização do espaço público a partir da arte urbana não encomendada e gratuita”, comenta o grupo. E completa: “os poemas e desenhos são autorais, e todo o material das intervenções é idealizado e produzido num processo colaborativo”.
A arte do grupo também não se restringe a Brasília, os passantes do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais também têm a chance de esbarrar com uma poesia urbana do grupo nos muros e becos da cidade.

Coletivo Transverso/Reprodução
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