Edifícios doentes

Tratamento do ar é fundamental no combate à Síndrome dos Edifícios Doentes em ambientes fechados

Falta de manutenção ou cuidado com as condições do ar em ambientes fechados que têm sistema de ar-condicionado provoca prejuízos à saúde

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postado em 24/11/2016 11:19 / atualizado em 24/11/2016 11:31 Augusto Pio /Estado de Minas
Eduardo de Almeida/RA Studio 29/11/2012
Muito se ouve falar da Síndrome dos Edifícios Doentes (SED), mas, afinal, do que se trata? O engenheiro mecânico Renato Nogueira de Carvalho explica que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a SED é um conjunto de doenças causadas ou estimuladas pela poluição do ar em espaço fechados. “Em outras palavras, são doenças provocadas ou agravadas em função das condições do ar dos ambientes fechados que têm sistemas de ar-condicionado.

“Para evitarmos as características que definem a síndrome de edifício doente e cumprir com nossas responsabilidades de projetar sistemas que não causem prejuízos à saúde das pessoas, é preciso que o engenheiro responsável pelo projeto pense no tratamento do ar dos ambientes como um conjunto de parâmetros, como a umidade relativa, a velocidade do ar, a renovação de ar (diluição dos contaminantes) e também a temperatura. Projetar um sistema de ar-condicionado para controlar apenas a temperatura dos ambientes é insuficiente para garantir o conforto e o bem-estar das pessoas que viverão nesses ambientes”, alerta o especialista.

“A manutenção de um sistema de ar-condicionado é fundamental para minimizar problemas, mas as etapas de projeto e de instalação que precedem a manutenção e operação também são importantíssimas para que as pessoas possam habitar os ambientes condicionados”, salienta Renato. “Os serviços de manutenção são os responsáveis por preservar as instalações e permitir que as condições de operação projetadas sejam mantidas durante a vida útil do sistema. É uma etapa que precisa ser executada periodicamente e é essa equipe de manutenção que estará em contato permanente com os equipamentos e com as pessoas do empreendimento.”

Sobre a manutenção do ar-condicionado, Renato esclarece: “O que mais ouvimos sobre a frequência de manutenção é que deverá ser executada mensalmente, mas isso não é uma regra. A frequência dos serviços de manutenção preventiva pode variar em função de alguns fatores que são relacionados ao número de horas de utilização, local da instalação e atividade que é desenvolvida dentro dos ambientes condicionados. No início da operação de um sistema pode-se adotar períodos de 30 dias entre os serviços de manutenção preventiva, mas no decorrer dos trabalhos deverão ser analisadas as condições de sujidade de filtros, serpentina e bandeja de água condensada.”

Renato explica que a falta de manutenção preventiva em um sistema de ar-condicionado é diretamente responsável pelo aumento do consumo de energia elétrica. O acúmulo de sujeira, regulagem de equipamentos e ajustes dos controles são itens fundamentais para que o consumo de energia dos sistemas seja mantido dentro dos padrões previstos em projeto e que devem ser, rigorosamente, medidos e registrados pelas equipes de manutenção preventiva. Os serviços de manutenção preventiva deverão ser executados por empresa ou profissional habilitados, registrados no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), seguindo, no mínimo, as orientações técnicas e administrativas contidas na Portaria 3.523/1998 do Ministério da Saúde, na Resolução RE 09/2003 da Anvisa e nas normas técnicas da ABNT. Todas são importantes para que os serviços sejam eficientes e para garantir a qualidade do ar dos ambientes internos ou fechados.”

FREQUÊNCIA O engenheiro alerta para a troca dos filtros, que deve ser feita em função da sujeira acumulada. “Não existe uma frequência predeterminada, pois os filtros sujarão com mais rapidez em função das atividades desenvolvidas dentro dos ambientes condicionados e da pureza do ar do ambiente externo. Cabe ao responsável pela manutenção observar a sujidade dos filtros para definir a frequência de substituição. Outra alternativa é a utilização de equipamentos que possam medir a diferença da pressão antes e depois do filtro e assim definir quando fazer a substituição. A falta de limpeza do filtro da tomada de ar externo e a falta de manutenção nos equipamentos de renovação de ar podem reduzir a quantidade de ar utilizado para renovação.”

Arte EM/Lelis
Renato salienta que, além do aumento do consumo de energia, o acúmulo de sujeira nos equipamentos pode se transformar em foco de doenças, principalmente aquelas relacionadas ao aparelho respiratório. “A sujeira pode ser encontrada nos filtros, seca, e na bandeja de coleta de água condensada, úmida; em ambos os casos ela poderá provocar a formação de fungos e bactérias prejudiciais a saúde, causando sintomas como dores de cabeça, nariz entupido e lacrimejamento, entre outros incômodos.”
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