Mãos (femininas) à obra

Antes dominada por homens, construção civil fica mais colorida com a presença cada vez maior de mulheres

Elas arregaçam as mangas e mostram sua competência

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postado em 13/03/2017 12:41 Isabella Souto /Estado de Minas

 "Algumas inovações contribuíram para esse crescimento. Hoje, temos sacarias e equipamentos com pesos apropriados para utilização de ambos os sexos" - Andreia Darmstadter, supervisora do Departamento de Segurança do Trabalho do Seconci-MG

Em um mercado de trabalho predominantemente masculino, a engenheira civil Márcia Arruda pode se gabar de ter nas mãos a missão atual de coordenar a construção de um prédio de 44 apartamentos no Vale do Sereno, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. E na linha de frente da construção, Márcia conta com uma equipe que inclui engenheira, arquiteta, técnica e eletricista, além de profissionais de serviços gerais. Sim, todas mulheres, em meio a um grupo de 100 homens, encarregados da execução da obra.

A equipe comandada por Márcia Arruda pode parecer uma exceção, mas é apenas uma amostra do crescimento do trabalho feminino na construção civil em todo o Brasil. Para se ter uma ideia, de acordo com o Sindicato da Indústria da Construção de Minas Gerais (Sinduscon-MG), dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) de 2015 revelam que o estado tem cerca de 27 mil trabalhadoras – 10% em relação ao total de empregados do setor.

A gestora de obras da EPO Engenharia, Márcia Arruda, diz que nota surpresa quando o cliente chega e vê que vai lidar com mulheres - Luiza Segato/Divulgação A gestora de obras da EPO Engenharia, Márcia Arruda, diz que nota surpresa quando o cliente chega e vê que vai lidar com mulheres
Questionada sobre um possível preconceito no ramo, ela tira de letra. “Não há um estranhamento, mas uma surpresa quando o cliente chega e vê que vai lidar com mulheres. Mas, de repente, estamos todas resolvendo tudo”, diz Márcia Arruda, que trabalha na EPO Engenharia há 22 anos, e sabe, de carteirinha, que as mulheres são mais detalhistas, criteriosas na elaboração e cumprimento dos projetos e ainda têm mais jogo de cintura para atender os clientes. No grupo EPO tem 35 mulheres no quadro operacional e a gestora de obras garante que os homens não têm dificuldade em ser comandados por elas.

TECNOLOGIA

Um dos fatores que podem explicar a presença delas nos canteiros de obras é a modernização da construção civil, em que o trabalho braçal vem cedendo lugar a processos industriais e tecnológicos. “Algumas inovações contribuíram para esse crescimento. Hoje, temos sacarias e equipamentos com pesos apropriados para utilização de ambos os sexos”, diz a engenheira e supervisora do Departamento de Segurança do Trabalho do Serviço Social da Indústria da Construção Civil (Seconci-MG), Andreia Darmstadter.

De acordo com Andreia, é cada vez maior o interesse de mulheres pelo setor. Basta analisar a procura delas por cursos de almoxarife, eletricista, carpinteira e até pedreira, promovidos pelo Seconci-MG. A engenheira até arrisca a dizer que a mão de obra feminina vem se destacando e obtendo mais reconhecimento que a dos homens em tarefas como, por exemplo, o acabamento das obras.

“As rejuntadoras são melhores que os rejuntadores. Há uma clara valorização da mulher na construção”, pondera. Além da função na Seconci, Andreia Darmstadter acumula outra importante tarefa: representa a bancada do empregador junto ao Comitê Permanente Nacional (CPN) – instância com representação tripartite responsável pela redação da norma regulamentadora específica sobre saúde e segurança na construção civil – e ao Comitê Permanente Regional (CPR) – que atende às demandas do CPN.

CONSUMIDORAS

A presença feminina no setor pode ser conferida até mesmo na direção da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI-Cecovi MG). Em 43 anos, pela primeira vez a entidade é comandada por uma mulher, Cássia Ximenes. Em outras gestões, Ximenes participou de diretorias e chegou à vice-presidência.

“A participação da mulher no mercado de trabalho vem crescendo, e não é diferente no mercado imobiliário. É natural que a gente acabe galgando postos de liderança, mesmo porque a visão masculina do trabalho da mulher tem mudado muito. Graças à luta de muitas outras mulheres, conquistamos um espaço no mercado em que somos vistas com igualdade e respeito”, afirma.

O papel da mulher no mercado imobiliário, segundo ela, não está limitado ao trabalho. Atualmente, elas são as responsáveis por 57% das compras de imóveis. É a palavra da mulher que tem sobressaído nos negócios envolvendo a casa própria.

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