Economia em cadeia

Gestão sustentável de resíduos da construção diminui impactos ambientais

Gerenciamento adequado dos materiais gerados nas obras é fundamental para minimizar efeitos ruins para a natureza e reduzir custos

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postado em 31/08/2017 13:34 / atualizado em 31/08/2017 15:26 Augusto Pio /Estado de Minas
Reprodução/Internet/Pensamento Verde

A gestão ambiental se torna um negócio economicamente sustentável para diversas empresas, principalmente, em períodos de crise econômica. Isso porque reduzir o consumo de água e energia, além de dar uma finalidade correta aos materiais gerados – incluindo o reaproveitamento e a reciclagem –, gera economia em todas as áreas. Pesquisa da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre) revelou que o mercado de tratamento de resíduos industriais no Brasil deve crescer 26% nos próximos cinco anos e atingir a cifra de R$ 16,3 bilhões em negócios no país.

De acordo com o diretor técnico ambiental do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Fernando Sergio Fogli, existe um consenso, por parte dos órgãos responsáveis, de estabelecer um sistema de gestão sustentável de manejo dos resíduos sólidos, incluindo da construção civil em BH e na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Um estudo, desenvolvido pelo Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana do Estado de São Paulo (Selur) e PwC Brasil, apontou que oito municípios mineiros estão entre os 100 melhores no índice de sustentabilidade da limpeza urbana.

Belo Horizonte aparece na 56ª colocação, com taxa de 0,661. “BH foi por muito tempo considerada como referência nacional na gestão e gerenciamento de resíduos gerados na construção. Hoje, há uma carência muito grande de locais e infraestruturas instaladas, assim como aterros para a destinação de rejeitos e os resíduos, inclusive aqueles segregados durante o processo construtivo”, afirma o diretor do Sinduscon-MG.

O setor da construção civil é responsável por significativa parcela dos resíduos gerados, chegando a equiparar-se a 50% a 70% do volume de resíduos domiciliares gerados no município. O diretor do Sinduscon-MG ressalta “que o gerenciamento desses resíduos, além de exigência legal, é de suma importância, tanto para redução dos impactos ambientais associados quanto para a redução de custos de obra”.

SOLUÇÕES

Segundo Ester Silva, gerente da Lafaete Gestão Ambiental, é necessário realizar um plano de gerenciamento detalhado de acordo com cada empreendimento. “Primeiramente, é fundamental analisar qual a melhor solução para tornar o empreendimento sustentável ambiental, social e economicamente. No que envolve a geração de resíduos, é preciso verificar quais são gerados, analisar a possibilidade de redução da geração e, em caso de geração, selecionar as empresas certificadas para tratamento e destinação apropriada dos resíduos. Escolher uma empresa para fazer a gestão ambiental é fundamental para obter segurança dos processos e evitar que as empresas sejam corresponsáveis por ações indevidas e até autuações, principalmente pelo fato de existir a disposição final clandestina, que pode proporcionar danos ao meio ambiente.”

Ester Silva, gerente da Lafaete Gestão Ambiental, explica que é necessário fazer um plano de contingenciamento de acordo com cada empreendimento - Bernardo Baeta Barreiros/Divulgação Ester Silva, gerente da Lafaete Gestão Ambiental, explica que é necessário fazer um plano de contingenciamento de acordo com cada empreendimento
Entre os ganhos proporcionados pela implantação da gestão ambiental está a redução da geração de resíduos. Eles podem ser devidamente separados, proporcionando o reaproveitamento e retorno à cadeia produtiva. Segundo Ester, “o procedimento adotado pela Lafaete é coleta seletiva dos resíduos para posterior destinação em local de disposição final ou área de transbordo e triagem, para que seja feita a seleção dos resíduos que, posteriormente, seguirão para o tratamento em destino final”.

Com a implantação do plano de gestão no empreendimento, cada resíduo terá uma destinação apropriada. Há empresas que chegam a 100% de reaproveitamento, conseguindo uma economia considerável e com redução de até 30% nos custos. De acordo com ela, “o foco é orientar para que haja a menor geração de resíduos possível e, havendo geração, oferecer solução para reúso das sobras”. Mesmo em época de crise na economia brasileira, o investimento nessa área é fundamental para reduzir os gastos em outros setores.

Para incentivar a gestão sustentável de resíduos nos canteiros de obras, o Sinduscon-MG elabora e disponibiliza, gratuitamente, aos construtores associados diversas publicações, entre elas os guias Gerenciamento de resíduos sólidos da construção civil e Alternativas para a destinação de resíduos da construção civil e a cartilha de boas práticas para o correto gerenciamento ambiental no canteiro de obra.
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