Metro quadrado mais caro

Estoque baixo eleva preço dos imóveis novos em BH e Nova Lima

Nos primeiros 10 meses do ano, índice subiu 4,39%. Mesmo com a alta, momento é ideal para compra, pois podem faltar unidades na região

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
postado em 08/01/2018 14:58 / atualizado em 08/01/2018 15:07 Herlane Meira* /Estado de Minas
Empreendimento da Direcional Engenharia dentro do MCMV: expectativa do setor é de crescimento do programa de 2% este ano  - Interface Comunicação/Divulgação Empreendimento da Direcional Engenharia dentro do MCMV: expectativa do setor é de crescimento do programa de 2% este ano

A análise do setor da construção civil em Minas Gerais, realizada pela Brain Consultoria para o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), mostra que 15% do total de 1.669 apartamentos vendidos nos primeiros 10 meses de 2017 em Belo Horizonte e Nova Lima, 11,4% foram lançamentos e 24,5% do estoque pertenciam ao programa habitacional Minha casa, minha vida (MCMV). Para Ieda Vasconcelos, assessora econômica do Sinduscon-MG, o número de lançamentos ao longo do ano foi pouco expressivo. “Isso mostra dificuldade no financiamento e alto índice de burocracia para aprovação dos projetos e licenciamento ambiental, um dos nossos maiores desafios”, avalia.

 “O estoque baixo eleva o preço dos imóveis novos a índices superiores à inflação. De janeiro a outubro deste ano, o preço médio do metro quadrado em BH e Nova Lima (R$ 7.873) subiu 4,39%, enquanto a inflação nesse período, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE), foi 2,21%. Mesmo assim, ainda é o momento ideal para comprar um imóvel. Caso a recuperação esperada se confirme, podem faltar unidades na região e haverá ainda mais impacto no preço”, explica Ieda Vasconcelos. “Esse preço superior faz com que o estoque caia. Um menor patamar de estoque faz com que o preço cresça. O que prejudica o número de unidades vendidas são os problemas macroeconômicos mencionados anteriormente”, complementa a assessora econômica do Sinduscon-MG. 

Já para 2018, o Sinduscon-MG acredita que as perspectivas para o setor da construção civil e para o MCMV são positivas. Depois de quatro anos sucessivos de quedas (2014 a 2017), com retração acumulada de 25,86%, a expectativa é de crescimento de 2% neste ano, acompanhando a tendência nacional de retomada econômica.

TERCEIRA FASE

O programa habitacional MCMV está em sua terceira fase. A primeira compreendeu o período de 2009 a 2012. A segunda fase correspondeu ao período de 2012 a 2016, e a terceira de 2016 até outubro de 2017. No total do Programa, já foram contratadas 4.956.366 unidades em todo o país. Em Minas Gerais, foram 524.098 unidades, o que correspondeu a 10,6% do total. As informações são do Sinduscon-MG, em parceria com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Segundo o estudo, o total das contratações do MCMV de 2009 a 2017, realizadas pela Caixa Econômica Federal, correspondeu a 4.271.735 unidades habitacionais nas três fases do programa. Em Minas, a Caixa contratou 470.244 unidades, e em Belo Horizonte, foram 32.7115 unidades.

• Linha Pró-Cotista é retomada

A Caixa Econômica Federal retomou a linha de empréstimo imobiliário Pró-Cotista, que havia sido suspensa em junho do ano passado. Voltada para os mutuários trabalhadores com mais de três anos de vínculo com o FGTS e não tenham no local de residência ou de trabalho outro imóvel em seu nome, a linha é uma das mais baratas do país. Com taxa de juros que variam de 7,85% a 8,85% ao ano, permite a liberação de até 80% do valor do imóvel novo ou 70% do valor do imóvel usado.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), Vinícius Costa, além dessas regras, deve-se observar que o limite do valor do imóvel varia dentro do território nacional. “Não podendo ter valor superior a R$ 950 mil para os estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, além do Distrito Federal, e R$ 800 mil para os demais estados”, completa.

Em 2017, foram disponibilizados para a Caixa R$ 6 bilhões para atender às demandas pendentes e as novas demandas, conforme Vinícius Costa. “O valor se esgotou em meados do ano passado, tendo ficado suspensos os contratos pendentes de assinatura, além de ter sido interrompida a contratação de novos financiamentos por essa modalidade. Para este ano, foi liberada a quantia de R$ 4 bilhões, que representa 35% a menos que no ano passado”, observa.

De qualquer forma, por um lado, a medida merece comemoração, já que a linha pró-cotista é muito importante para fomentar o mercado. “Ela atinge uma classe regular (trabalhador formal com contribuição ao FGTS) e oferece condições extremamente vantajosas para quem deseja adquirir imóveis de valor consideravelmente elevado, com taxa de juros bastante atraentes se comparadas, por exemplo, com a linha de financiamento com recursos da poupança”, explica o presidente da ABMH.

Assessora econômica do Sinduscon-MG, Ieda Vasconcelos diz que o número de lançamentos ao longo do ano foi pouco expressivo - Marcos Vieira/EM/D.A Press Assessora econômica do Sinduscon-MG, Ieda Vasconcelos diz que o número de lançamentos ao longo do ano foi pouco expressivo
Por outro lado, Vinícius Costa diz que a notícia deve ser encarada com cautela. Isso porque, infelizmente, há cerca de três anos, o pró-cotista tem sido um problema para os mutuários, pois é cada vez mais comum terminar o crédito antes do prazo previsto. “E essa bola de neve parece não ter fim, uma vez que as novas suplementações, em valor menor neste ano de 2018, podem não ser capazes de atender aos contratos pendentes e às novas demandas dos mutuários candidatos a financiamento. Assim, com uma nova ausência de recursos, as vendas de imóveis tendem a se manter em um patamar baixo ou até mesmo diminuir, já que falta recurso”, explica.

Por isso, antes de adquirir um imóvel é importante que o mutuário, caso tenha direito ao financiamento pró-cotista, faça a análise de crédito previamente, busque junto ao gerente habitacional da Caixa informações sobre os recursos da linha e da viabilidade de se concretizar o negócio para evitar maiores problemas. “Isso porque um financiamento não assinado dentro da linha pró-cotista gera duas situações: rescisão da promessa de compra e venda ou assinatura de financiamento em outra modalidade muito menos benéfica. Em ambas as situações, quem perde é o comprador, seja porque pode ter de arcar com uma penalidade contratual, ou com um financiamento mais caro”, esclarece o presidente da ABMH.

 Portanto, considerando esse histórico recente da linha pró-cotista, bem como a liberação de menos recursos do que no ano passado, antes de fechar um negócio o conselho de Vinícius Costa é não esquecer de se certificar de que há recursos disponíveis para o seu financiamento e que o mesmo será devidamente liberado. 

Quem tem direito

Para se enquadrar na modalidade pró-cotista

» É necessário comprovar, no mínimo, 36 meses de trabalho sob o regime do FGTS (não necessariamente consecutivos) ou saldo em conta vinculada de, no mínimo, 10% do valor da avaliação do imóvel.

» Não pode ser proprietário de imóvel no município (ou região metropolitana) onde mora ou trabalha, nem ser detentor de financiamento no SFH em qualquer parte do país, tanto para imóvel novo como usado.

» O empréstimo pode ser pago em até 30 anos, na aquisição de imóveis de até R$ 950 mil em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. Nos demais estados, o teto é de R$ 800 mil.

*Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
600

Últimas Notícias

ver todas
24 de junho de 2018

No Lugar Certo você encontra o que procura