Indicadores positivos

Especialista vê com otimismo a volta dos investimentos no mercado imobiliário de BH e região

No ano passado, foram comercializados na capital e Nova Lima 1.765 apartamentos, número 181,95% superior às 626 unidades lançadas

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Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

As vendas de imóveis residenciais novos superaram os lançamentos pelo segundo ano consecutivo nas cidades de Belo Horizonte e Nova Lima. No ano passado, o número de apartamentos vendidos foi de 1.765 unidades, 181,95% superior às 626 unidades lançadas. Os dados são do Censo Imobiliário realizado pela Bureau de Inteligência Corporativa (Brain) para o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG).

Com a obtenção desses dados, José Francisco Cançado, vice-presidente da Área Imobiliária do Sinduscon-MG, ressalta com otimismo a volta de investimentos para o mercado imobiliário nessas regiões. “A expectativa é positiva e há indicadores positivos sobre isso. Com uma leve queda da inflação, da taxa de juros e uma volta tímida do número de empregados, o mercado começa a criar um ‘caldo’, que são importantes fatores para os investidores”, observa.

O número de vendas acima do número de lançamentos de imóveis reforça a tendência da baixa de estoque nessas cidades. Em dezembro, havia 3.664 unidades residenciais disponíveis para comercialização, o menor patamar da série histórica registrada, desde outubro de 2015. Para se ter uma comparação, em dezembro de 2016, existiam 4.768 unidades em estoque. Portanto, em 2017, o estoque de unidades de apartamentos novos disponíveis para comercialização reduziu-se 23,15%. “Os apartamentos vendidos saíram dos estoques anteriores, o que reforça a percepção de que estamos num limite de estoque muito baixo. E isso pode ser um atrativo para que os investidores imobiliários voltem ao mercado nessas regiões, para lançar mais empreendimentos”, salienta o vice-presidente da Área Imobiliária do Sinduscon-MG.  

As vendas também apresentaram redução na comparação referente aos dois últimos anos. De janeiro a dezembro do ano passado, 1.765 unidades foram vendidas, enquanto no mesmo período de 2016 esse número era de 3.534. Redução de 50,06% comparada ao mesmo período de 2017. Essa queda pode ser explicada pela redução dos lançamentos: 2.406 unidades em 2016 e 626 em 2017, queda de 73,94%. “Houve uma retração nos lançamentos. Como os empreendedores tinham dúvidas com a economia, lançaram pouco. Temos média de venda de 3 mil unidades, mais ou menos, todos os anos. E esse número nos surpreendeu negativamente”, analisa.

METRO QUADRADO

"Os apartamentos vendidos saíram dos estoques anteriores, o que reforça a percepção de que estamos num limite de estoque muito baixo. E isso pode ser um atrativo para que os investidores imobiliários voltem ao mercado nessas regiões, para lançar mais empreendimentos" - José Francisco Cançado,vice-presidente da Área Imobiliária do Sinduscon-MG
Como consequência da queda nos lançamentos e das unidades em estoque, o preço médio do metro quadrado de apartamentos novos cresceu 3,30% em 2017. Índice que se comparado à inflação medida pelo IPCA/IBGE, que foi 2,95%, teve alta real de 0,34%. “Começa a faltar imóvel, o preço volta a subir. Fator que acaba empurrando o mercado a voltar. Mas estamos estabilizados, o setor só subiu 0,34% acima da inflação”, pontua José Francisco.

“A combinação de fatores favoráveis alimentam as expectativas mais positivas para 2018: taxa básica de juros abaixo de 7%, inflação projetada abaixo de 4% e o desemprego, embora ainda muito elevado, está com sinalização de queda. Além disso, o baixo número do estoque de unidades novas disponíveis para comercialização pode incentivar novos lançamentos. Somado a esses fatores, destacamos também que no 4º trimestre de 2017, as vendas foram maiores do que no 3º trimestre do ano, começando a mostrar uma reação do mercado imobiliário”, avalia o vice-presidente da Área Imobiliária do Sinduscon-MG.

CARACTERÍSTICAS

Dos 626 apartamentos novos lançados em 2017 nas cidades de Belo Horizonte e Nova Lima, 38,8% eram do padrão standard, cuja faixa de valor gira entre R$ 215.001 e R$ 400 mil; 14,1% estavam na faixa de R$ 400 mil até R$ 700 mil; 20,9% custavam de R$ 700 mil até R$ 1 milhão; 10,9% na faixa de R$ 1.000.001 até R$ 2.000.000 e 5,1% acima de R$ 2.000.001. Desses apartamentos novos lançados nessas cidades, no ano passado, 40,3% estavam localizados na região Oeste e 31,5% na região Centro-Sul.

“Esses números foram bastante naturais e orgânicos. O padrão standard é um mercado que tem os preços mais baixos. É como uma pirâmide e a base tem mais demanda. E esses números refletem com bastante propriedade a renda da população. A única surpresa foi com os apartamentos que custavam entre R$ 700 mil e R$ 1 milhão, que chegaram a 20,9%, que pode ter sido um reflexo de lançamentos específico”, finaliza.

MERCADO

O mercado imobiliário vem sofrendo com a situação econômica do país. Para José Francisco Cançado, é um momento de muitos sacrifícios e de recessão dolorosa. “No ano passado, tivemos um sinal de crescimento, e os empreendedores ficaram esperançosos com o retorno da economia, já que o mercado imobiliário é muito atrelado à economia. Se a economia vai bem, o imobiliário acompanha essa estabilidade e volta a se aquecer, uma vez que o mercado de construção cria uma série de demandas que são benéficas à economia”, ressalta

O mercado imobiliário apresenta uma característica própria: demora um pouco a se estabelecer e gerar novos empreendimentos. “Quando os empreendedores decidem voltar ao mercado, ele demora, ao menos, dois anos, desde a compra do terreno, a aprovação do projeto, construção e entrega. É um período longo, é um ciclo”, finaliza.

* Estagiário sob a supervisão da editora Teresa Caram
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