Obra consciente

Na hora da reforma, algumas medidas podem atenuar conflitos com o condomínio e os vizinhos

No momento de promover melhorias no apartamento, cuidados especiais também garantem o próprio bem-estar

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É preciso seguir regras para incomodar o mínimo possível os moradores do prédio - ABRAVA/Banco de Imagens/Divulgação É preciso seguir regras para incomodar o mínimo possível os moradores do prédio

Poeira, entulho, barulho, burocracias e muita sujeira. A tão sonhada reforma dentro do lar pode render muita dor de cabeça por envolver diferentes processos. Nesse momento, é preciso organização, minucioso planejamento dos passos de cada alteração e, acima de tudo, muita paciência.

 Primeiramente, todas as reformas em uma edificação, mesmo quando realizadas dentro dos apartamentos, devem ser comunicadas ao síndico. “Toda obra deve ser comunicada ao condomínio, mesmo se for algo simples. A partir do momento em que o síndico esteja avisado, ele vai tomar todas as providências em relação ao prédio, como o cadastramento das pessoas autorizadas a entrar no edifício e até mesmo saber qual a magnitude da obra e o quanto vai gerar de incômodo para os outros moradores”, reforça Leonardo Mota, vice-presidente das Administradoras de Condomínios da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG).

As obras de maior complexidade, com alterações nos sistemas construtivos, pontos elétricos e hidráulicos, demolição ou construção de paredes, devem ter responsável técnico e estão sujeitas à norma brasileira ABNT NBR-16.280, de 2015. A norma existe para garantir que as reformas sejam planejadas e conduzidas seguindo padrões estabelecidos e exigir que os profissionais envolvidos assumam a responsabilidade pelo resultado da obra.

Nesses casos, em que um apartamento altera ou compromete a segurança da edificação ou de seu entorno, a obra precisa ser submetida à análise da construtora/incorporadora e do projetista, exigindo laudo técnico assinado por engenheiro ou arquiteto e urbanista e autorização expressa do proprietário. “Casos em que a reforma modificará significativamente a estrutura do prédio, como o ato de quebrar uma parede por exemplo. Em alguns casos, as paredes têm a função de estrutura da construção e é difícil executar mudanças e reformas, por isso, é importante estar atento. Os profissionais que executam essas obras devem assumir a responsabilidade técnica por todo trabalho que realizam”, pontua o vice-presidente.

Leonardo Mota afirma que em algumas reformas é necessário pedir autorização aos órgãos responsáveis, como a prefeitura local. “Todas as vezes que o proprietário do imóvel desejar realizar acréscimos ou diminuir a área do imóvel em relação à planta original, deverá solicitar alvará de Aprovação de Reforma junto à Prefeitura”, pontua.

CONVIVÊNCIA

Toda obra gera transtornos. Em condomínios, as reformas têm consequências para os proprietários e seus vizinhos. “Querendo ou não, as reformas vão gerar incômodo em todo o prédio. O barulho que poderão provocar, o acúmulo de sujeiras e a circulação de pessoas estranhas ao condomínio são alguns dos motivos que podem gerar esse desconforto. Por isso, é importante incomodar o menos possível e sempre avisar sobre as obras que serão realizadas”, pontua.

"Para proteger a saúde, é importante, nas obras em apartamentos, deixar sempre as janelas abertas e o ambiente muito bem arejado" - Henrique Cury, especialista em qualidade do ar e conselheiro do Departamento Nacional de Qualidade do Ar Interno da Abrava
O vice-presidente ressalta que é importante ficar atento ao regulamento para reformas de cada prédio, especificado nas assembleias. “Em prédios de comércio, as reformas devem ser feitas, preferencialmente, fora do horário comercial. Já nos empreendimentos residenciais, devem ser feitas em horários específicos. A fim de respeitar todos os condôminos e lojistas”, comenta Leonardo Mota.

É essencial que, na necessidade de grande mudança dentro dos apartamentos, tudo seja muito bem apresentado para os vizinhos. “Algumas pessoas acham que podem fazer mudanças dentro dos prédios sem comunicar ao síndico. Mas, às vezes, até o ato de colocar um prego na parede incomoda o outro, o que acaba gerando reclamações ao síndico. A preocupação com o vizinho deve ser a primeira coisa a ser analisada. É preciso bom senso e tolerância, já que as obras trazem transtornos”, finaliza.

SAÚDE

Outra medida a ser analisada é sobre a sujeira e a poeira causadas pela reforma. Os procedimentos realizados em obras geram partículas que contaminam ambiente, principalmente o ar. Em época com baixa umidade, esse tipo de problema se agrava, pois as partículas se espalham além do ambiente. De acordo com Henrique Cury, especialista em qualidade do ar e conselheiro do Departamento Nacional de Qualidade do Ar Interno, da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), outro ponto de atenção é em obras realizadas em ambientes fechados. “Esse tipo de poluição fica ainda mais concentrada, comprometendo a saúde do trabalhador, das pessoas no entorno da construção e dos ocupantes do local. É importante, nas obras em apartamentos, deixar sempre as janelas abertas e o ambiente muito bem arejado”, aconselha Henrique Cury.

Vários fatores podem causar doenças nos moradores, como bactérias e micro-organismos encontrados no ar, consequência da poeira causada pelos entulhos. Os produtos usados durante a reforma, como itens de limpeza, fumaça, tinta e cloro, entre outros, podem deixar a saúde do ocupante do local debilitada. “Quanto mais contaminação se tem dentro de casa, mais sobrecarregado fica o sistema imunológico, gerando doenças respiratórias como rinite, sinusite e asma etc. É importante também ficar atento a todos os materiais usados nas obras, verificando todos as químicas desses produtos, evitando problemas futuros”, pontua o especialista.

Henrique Cury ressalta que já existem no mercado soluções que buscam aliar a eficácia do tratamento do ar à sustentabilidade. As tecnologias vão até o problema, promovendo a polarização e a decantação das partículas, depois de deixá-las mais pesadas que o ar. “São tecnologias totalmente ecológicas, que reduzem a poeira e outros materiais particulados que ficam em suspensão no ambiente de uma obra. O uso do ionizador de ambientes e de purificadores de ar é essencial. Além de acabar com a poeira, pó e fumaça, eles reduzem significativamente a transmissão de doenças causadas por vírus e bactéria que têm sua transmissão pelas vias aéreas”, finaliza.

*Estagiário sob a supervisão da subeditora Elizabeth Colares 
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