Edificação feita em fábrica

Peças em estrutura de aço leve vão possibilitar montagens prediais de alto padrão

Inovação para projetos residenciais e comerciais promete revolucionar o setor construtivo

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postado em 05/05/2019 07:00 Elian Guimarães /Estado de Minas
Produção de casas de aço no sistema light steel frame permite reduzir tempo de execução da obra e desperdício de materiais  - Steel Frame/Divulgação Produção de casas de aço no sistema light steel frame permite reduzir tempo de execução da obra e desperdício de materiais

Realizar obras pode trazer transtornos que vão dos custos iniciais que não batem com o preço final até a destinação de resíduos e número de mão de obra a ser contratada, sem contar o prazo de entrega, que nem sempre coincide com o cronograma preestabelecido. A inovação e a tecnologia no canteiro de obras prometem revolucionar o setor da construção.

A iniciativa de produzir na fábrica casas e imóveis comerciais vem da empresa metalúrgica CMC Módulos
Construtivos, do Grupo Lafaiete, que em breve lançará a inovação industrial possibilitando a construção de casas de aço no sistema light steel frame, envolvendo inúmeros materiais à estrutura em aço extremamente leve.

O sistema diminuirá o tempo de execução da obra e o desperdício de materiais, além de focar na sustentabilidade. O projeto, financiado no modelo EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), é adequado para edifícios não muito altos e residências e prédios de até quatro andares.

Segundo Vanderley John, coordenador do projeto e da unidade EMBRAPII Poli-USP, a tecnologia trará soluções para dois problemas da atualidade: aumento da produtividade, resultado da industrialização, e redução do impacto ambiental, consequência do uso de componentes leves que colaboram na redução de perdas nos canteiros de obras. “A EMBRAPII tem viabilizado somar experts com grande experiência de mercado com o conhecimento atualizado da universidade para desenvolver soluções inovadoras. Esse apoio é o que viabiliza o desenvolvimento de soluções mais avançadas com redução do risco associado à inovação.”

De acordo com Vanderley, o sistema permite entregar a casa inteira, em módulos 3D de soluções flexíveis. “Será possível construir a casa dos sonhos, que será entregue rapidamente a um custo fixo e sem alteração do previsto no projeto.” O comprador pode contratar o próprio arquiteto, que produzirá a edificação conforme suas diretrizes e conforto, e a empresa entrega a casa pré-fabricada. As paredes vêm prontas, com todo o sistema hidráulico e elétrico já embutidos, e as partes são apenas encaixadas e fixadas com parafusos. “Um sistema completamente racionalizado, sem desperdício ou geração de resíduos”, garante Vanderley Jonh.

A tecnologia estará disponível para públicos com maior poder aquisitivo, mas “não descartamos a possibilidade de, futuramente, com maior produção, os preços cheguem a outros consumidores de menor renda”, prevê o coordenador do projeto.

SUSTENTABILIDADE


Imóveis como esses já são utilizados no Japão e Canadá, por exemplo, e trazem como principais benefícios a velocidade de execução da obra, redução de desperdício de materiais e precisão dimensional, além de ser sustentável, pois utiliza aço galvanizado 100% reciclável. Edison Tateishi, diretor de operações do Grupo Lafaiete, afirma que a edificação feita em fábrica é algo novo no Brasil. “A empresa está sempre em busca de inovação para acompanhar o que tem sido discutido e desenvolvido ao redor do mundo. Além disso, firmou parcerias com instituições sólidas como a Universidade de Alberta, USP e a EMBRAPII, sempre focada em desenvolver soluções de qualidade.”

A EMBRAPII, organização vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, atua por meio da cooperação com instituições de pesquisa científica e tecnológica, públicas ou privadas, tendo como foco as demandas empresariais. Atualmente, há 42 unidades credenciadas pelo país.

As empresas que têm um projeto avaliado como inovador devem se associar a uma das unidades, que avaliam os projetos, analisam questões como viabilidade técnica e interesse de mercado. Caso aprovados, os gastos para desenvolvimento são divididos em três partes. A EMBRAPII fica responsável por um terço do investimento, a unidade disponibiliza mão de obra e equipamentos, e a empresa financia o restante.

“O processo é ágil, flexível e sem burocracia. Assinado o contrato, o recurso já é liberado. Essa rapidez é necessária quando trabalhamos com inovação, e o objetivo da EMBRAPII é incentivar que a indústria nacional invista em projetos de PD&I, tornando-a cada vez mais competitiva”, conclui Jorge Guimarães, diretor-presidente da EMBRAPII.
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