Cautela

Índice de confiança dos empresários da construção civil cai em BH

Índice que começou o ano em níveis elevados apresentou queda de 6,3 pontos em abril e ocorre com a piora da economia. Custo de construção sobe na capital

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
postado em 30/05/2019 14:26 Elian Guimarães /Estado de Minas
"As expectativas estão estruturadas nas reformas em tramitação ainda. No caso da reforma da Previdência, há a expectativa de desafogar o lado fiscal, podendo retomar os investimentos e recuperar o desempenho do mercado" - Daniel Furletti, economista e coordenador do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG)

O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais (Iceicon-MG) registrou 49,9 pontos em abril, queda de 6,3 pontos em relação a março (56,2 pontos). O indicador, que começou o ano em níveis elevados, caiu pela segunda vez consecutiva, acumulando recuo de 13,0 pontos. Ao ficar pouco abaixo da linha de 50 pontos – valor que separa confiança da falta de confiança – o índice mostrou empresários cautelosos, após cinco meses de resultados apontando confiança. Contudo, o indicador foi 0,5 ponto superior ao observado em abril de 2018 e o mais elevado para o mês em seis anos. O Iceicon nacional decresceu 3,4 pontos entre março (59,8 pontos) e abril (56,4 pontos).

O Iceicon-MG é resultado da ponderação dos índices de condições atuais e de expectativas, que variam de 0 a 100 pontos. Valores acima de 50 pontos apontam percepção de melhora na situação atual e expectativa positiva para os próximos seis meses, respectivamente. O indicador de condições atuais caiu 5,3 pontos em abril (42,0 pontos), frente a março (47,3 pontos), a segunda queda consecutiva do índice. A percepção de piora ocorreu principalmente quanto à situação atual da economia brasileira e do estado. O indicador mostrou empresários insatisfeitos com as condições atuais dos negócios pelo segundo mês seguido, ao ficar abaixo dos 50 pontos. O índice foi 2,2 pontos inferior ao verificado em abril de 2018 (44,2 pontos).

Segundo o economista e coordenador do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Daniel Furletti, o setor ainda está em compasso de espera. “O ano começou com grandes expectativas que ainda não foram concretizadas, o que diminui a confiança de investir. O empresário está mais cauteloso na sua tomada de decisão. As expectativas estão estruturadas nas reformas em tramitação ainda. No caso da reforma da Previdência, há a expectativa de desafogar o lado fiscal, podendo retomar os investimentos e recuperar o desempenho do mercado", avalia.

O indicador de expectativas dos empresários da construção para os próximos seis meses também decresceu na comparação com março (60,7 pontos), em 6,8 pontos, registrando 53,9 pontos em abril. Apesar do recuo, as expectativas seguem otimistas pelo sétimo mês seguido. Entretanto que o indicador aproximou-se da linha dos 50 pontos, sinalizando arrefecimento do otimismo dos construtores. O resultado foi 2,0 pontos superior ao de abril de 2018 e o mais elevado para o mês em seis anos.

Segundo Càssia Ximenes, presidente da CMI/Secovi o mercado imobiliário nacional entrou o ano de 2019 com as esperanças renovadas e expectativas em alta com relação ao novo momento econômico que se desenhava para o país. Confiantes, os investidores imobiliários movimentaram o primeiro trimestre. “Estarmos iniciando um novo ciclo virtuoso para o setor e podemos afirmar que estamos em um excelente momento para investir.

Ainda conforme a presidente da entidade na contramão deste otimismo, baseado nas pesquisas do Data Secovi - instituto de pesquisas da CMI/Secovi-MG -, em Belo Horizonte, a possibilidade de aprovação do novo Plano Diretor caiu como um “banho de água fria” para a indústria da construção civil e toda a cadeia produtiva da habitação. “ O projeto, que está para ser votado em segundo turno na Câmara Municipal, engessa a cidade e não atende o sonho de uma cidade evoluída e com mobilidade urbana. O índice único de coeficiente 1 desestimula novos projetos e afugenta novas construções.

Custo da construção 

O Custo Unitário Básico de Construção (CUB/m² - projeto-padrão R8-N -residência multifamiliar, padrão normal, com garagem, pilotis, oito pavimentos-tipo e três quartos) registrou alta de 0,20% em abril e ficou 0,10 ponto percentual acima do mês anterior, cuja variação foi de 0,10%. Dentre os componentes do CUB/m² observou-se, em abril, alta somente no custo com material (+0,51%). Os custos com a mão de obra, com as despesas administrativas e com o aluguel de equipamentos permaneceram estáveis. Nos primeiros quatro meses do ano o CUB/m² aumentou 0,96%.

O custo do metro quadrado de construção em Belo Horizonte, para o projeto-padrão R8-N que em março/19 era R$1.420,58 passou para R$1.423,45 em abril/19. O CUB/m² é um importante indicador de custos do setor e acompanha a evolução do preço do material de construção, da mão de obra, da despesa administrativa e do aluguel de equipamento. É calculado e divulgado mensalmente pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), de acordo com a Lei Federal 4.591/64 e com a Norma Técnica NBR 12721:2006 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Na composição do CUB/m² (projeto-padrão R8-N) a mão de obra representou, em abril, 56,07% do custo total, os materiais de construção responderam por 39,83% e as despesas administrativas/aluguel de equipamentos foram responsáveis por 4,10%.

Em abril, os materiais que apresentaram maiores aumentos em seus preços foram: brita ( 4,17%), areia (4,00%), tinta látex PVA ( 2,16%), fio de cobre ( 1,14%) e aço CA 50 10 mm ( 1,00%).

De acordo com o economista e coordenador do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Daniel Furletti, “o aumento de 0,51% no custo com material de construção em abril foi o maior observado desde agosto/18 ( 0,76%) e surpreendeu. As estimativas para o crescimento da economia nacional estão caindo semanalmente e dados da prévia do PIB, divulgada pelo Banco Central, indica que a economia brasileira encerrou o primeiro trimestre do ano com retração de 0,68%. A economia está com sérias dificuldades de consolidar um processo de recuperação e, neste contexto, aumentos de preços sempre preocupam o setor, que nos últimos cinco anos registrou queda de 27,69% em todo o País. Assim, estamos acompanhando de perto esta evolução nos custos.”
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
600

Últimas Notícias

ver todas
24 de junho de 2019
23 de junho de 2019

No Lugar Certo você encontra o que procura