Carlo Ancelotti inicia novo ciclo à frente da Seleção Brasileira após a eliminação na Copa do Mundo de 2026
O Brasil enfrenta a Austrália duas vezes em setembro, nos dias 25 e 29, em Townsville e Brisbane, na primeira Data Fifa da Seleção depois da eliminação na Copa do Mundo de 2026. Os dois jogos de Brasil x Austrália abrem oficialmente o ciclo de reconstrução comandado por Carlo Ancelotti, que vai até a Copa do Mundo de 2030, com a Copa América de 2028 definida pelo próprio técnico como meta imediata.
A derrota por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final, encerrou a campanha brasileira com a menor posse de bola da Seleção em uma Copa do Mundo desde que a estatística passou a ser registrada, em 1966, segundo levantamento citado pela imprensa britânica. Ancelotti, 24 dias depois da eliminação, reconheceu publicamente o erro nas substituições daquele jogo. "A autocrítica que eu posso fazer é que eu mudei a estrutura do time depois da parada para hidratação e aí perdemos o controle do jogo", afirmou o treinador italiano, em entrevista coletiva no fim de julho.
Esse tipo de reviravolta tática em jogo eliminatório costuma mexer também com o mercado de apostas esportivas, e não é diferente agora, às vésperas dos primeiros compromissos do novo ciclo. Plataformas especializadas em palpites amistoso Brasil já monitoram o retrospecto recente da equipe, especialmente depois de uma queda que teve repercussão internacional e dividiu opiniões sobre o estilo de jogo adotado por Ancelotti diante dos noruegueses.
A expectativa em torno dos primeiros passos da nova Seleção também aparece refletida nas casas de apostas. Nomes como a Stake Brasil já listam os dois duelos contra a Austrália entre os amistosos mais buscados do calendário de setembro, movimento natural para o primeiro teste de uma equipe em reformulação. Vale reforçar que qualquer mercado de apostas envolve risco e é indicado apenas a maiores de 18 anos, conforme orienta o Ministério da Fazenda ao alertar que aposta não é investimento.
Fim de ciclo para uma geração inteira
A reformulação anunciada por Ancelotti tem nome e sobrenome. O técnico confirmou o fim do ciclo de jogadores acima dos 30 anos que estiveram na Copa, com destaque para três símbolos da geração que se despede da Seleção. "Acho que com essa Copa do Mundo termina uma geração de jogadores muito importantes. Começando por Neymar, passando por Danilo, Casemiro", disse o treinador. Neymar já confirmou publicamente o encerramento da própria trajetória com a camisa amarela, com a frase "meu momento já foi", encerrando um ciclo iniciado há 16 anos, em amistoso contra os Estados Unidos, ainda em 2010.
Nem toda a experiência sai de cena, porém. Marquinhos foi citado nominalmente por Ancelotti como peça de continuidade dentro do processo de renovação. "Vamos manter alguns jogadores importantes, que podem seguir com a linha de trabalho, como o Marquinhos, para dizer um nome. É importante que fique para dar um sinal de continuidade ao trabalho", explicou o italiano, ao detalhar que a intenção não é uma ruptura total, mas uma transição guiada.
O diagnóstico técnico do treinador para o próximo ciclo é específico. Segundo Ancelotti, a Seleção está bem servida de opções ofensivas e defensivas, mas precisa de meio-campistas de nível internacional. Ele citou a Espanha, campeã do Mundial de 2026, como parâmetro de comparação: "A Espanha tem uma geração de meio-campistas muito forte. Tem sete meio-campistas top no mundo. Fabián, Rodri, Pedri, Olmo, Zubimendi, Merino e Gavi." Na lista de 26 jogadores levados à Copa, o Brasil teve apenas cinco atletas da posição, número que Ancelotti pretende ampliar ao longo do novo ciclo, em parceria direta com os clubes formadores.
Entre os nomes já testados que devem ganhar mais espaço no processo de reconstrução, o técnico citou publicamente Estêvão, Rayan, Endrick e o zagueiro Vitor Reis como peças relevantes de olho em 2030. A Fifa também citou publicamente o centroavante Kaio Jorge, do Cruzeiro, como nome a observar no novo ciclo. A conexão com as categorias de base também deve se intensificar, incluindo acompanhamento mais próximo das seleções sub-15, sub-17 e sub-20, de olho tanto no Mundial sub-17 de novembro, no Catar, quanto no ciclo olímpico rumo a Los Angeles 2028.
A campanha do Brasil na Copa começou com um empate por 1 a 1 diante do Marrocos, em Nova Jersey, resultado que expôs fragilidades já na estreia. A Seleção só voltou a engrenar depois de vitórias sobre Haiti e Escócia, seguidas de triunfo por 2 a 1 sobre o Japão nos 16 avos de final, resultado que rendeu elogios pontuais ao trabalho de Ancelotti antes da eliminação para os noruegueses. Vinicius Júnior, artilheiro isolado da equipe na estreia, chegou a marcar o décimo gol pela Amarelinha na 50ª partida com a camisa da Seleção, número que reforça a conexão de longa data entre o atacante e o técnico italiano, com quem soma mais de 200 jogos disputados juntos desde a passagem de ambos pelo Real Madrid.
O dilema dos goleiros e o custo da reconstrução
A renovação prometida por Ancelotti não se limita ao ataque e ao meio-campo. Questionado sobre o futuro dos três goleiros levados à Copa — Alisson, Ederson e Weverton, todos com longa experiência internacional —, o treinador evitou cravar um encerramento de ciclo, mas deixou claro que o processo de observação também vai alcançar a posição. "Temos que observar novos goleiros. Levando em conta as qualidades que segue tendo o Alisson, segue tendo o Ederson. A ideia é fazer uma avaliação muito atenta dos novos goleiros", disse, citando nomes que despontam no Campeonato Brasileiro como parte desse mapeamento.
O contrato de Ancelotti à frente da Seleção, avaliado internacionalmente em cerca de 10 milhões de euros por ano, também voltou a ser tema de debate depois da eliminação, com parte da imprensa e da torcida cobrando resultado mais rápido do que os quatro anos de prazo que separam o Brasil da próxima Copa do Mundo. O próprio técnico reconhece que o cenário é atípico em comparação com a rotina de um clube. "Você não tem tempo como em um clube de reagir, de recuperar. E a derrota fica dentro mais tempo", comentou, ao comparar a pressão vivida no comando de uma seleção nacional com a de uma equipe que disputa competições semanais.
Quem é o adversário do reinício
A escolha da Austrália como primeiro teste do novo ciclo não é aleatória. Os Socceroos também deixaram a Copa do Mundo de 2026 na fase eliminatória, batidos pelo Egito nos pênaltis (4 a 2), depois de um empate em 1 a 1 na prorrogação, resultado que a coordenação de seleções da CBF avaliou como sinal de evolução da equipe oceânica mesmo com a eliminação precoce. "Vamos enfrentar a Austrália, que se classificou na fase de grupos, foi eliminada na segunda fase, mas demonstrou uma evolução muito grande", disse Rodrigo Caetano, coordenador executivo geral de Seleções Masculinas da CBF, ao justificar a escolha do adversário para o início do novo ciclo.
Do lado australiano, o técnico Tony Popovic tratou os duelos como oportunidade de medir a evolução do próprio time contra uma potência do futebol mundial. "Brazil are a world-class football nation, and we look forward to facing them in Australia" ("O Brasil é uma potência mundial do futebol, e aguardamos com expectativa o confronto com eles na Austrália", em tradução livre), afirmou o treinador ao comentar o anúncio dos jogos. O CEO da Football Australia, Martin Kugeler, também destacou o caráter simbólico da visita brasileira ao país, classificando as partidas como uma vitrine para o futebol local diante de uma das seleções mais vencedoras da história das Copas. O governo de Queensland apoiou oficialmente a realização dos dois jogos, movimento que a própria federação australiana credita ao potencial turístico e econômico de receber o Brasil logo após o Mundial.
O retrospecto entre as duas seleções favorece amplamente o Brasil. Foram 11 encontros desde 1988, com um único triunfo australiano, na disputa de terceiro lugar da Copa das Confederações de 2001, além de dois empates. Nos outros oito confrontos, o Brasil venceu, incluindo uma goleada de 6 a 0 em 1997 e outra, também por 6 a 0, em 2013, já em solo brasileiro. O encontro mais recente aconteceu em 2017, em Melbourne, com vitória brasileira por 4 a 0, com direito ao gol mais rápido da história da Seleção, marcado por Diego Souza aos dez segundos de jogo.
Onde e quando acontecem os jogos
O primeiro confronto de Brasil x Austrália está marcado para 25 de setembro, no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville, cidade litorânea no nordeste australiano, com capacidade para mais de 25 mil torcedores. A segunda partida acontece quatro dias depois, em 29 de setembro, no Suncorp Stadium, em Brisbane, arena com capacidade superior a 52 mil pessoas, que já recebeu compromissos da Seleção feminina em 2023 e um amistoso masculino contra a própria Austrália em 2024. Ambos os jogos têm início previsto para as 20h, no horário local.
Depois da passagem pela Austrália, a Seleção segue viagem até Calcutá, na Índia, para o primeiro confronto da história entre as duas seleções, em 3 de outubro, no Estádio Salt Lake, com capacidade para 63 mil espectadores. A convocação para os três compromissos, inicialmente prevista para 7 de setembro, foi adiada em um dia por causa do feriado da Independência do Brasil e deve ser anunciada oficialmente em 8 de setembro.
O calendário de 2026 ainda deve se estender até novembro, com a expectativa de um torneio em Singapura reunindo o próprio país-sede, Japão e Paraguai, em formato semelhante ao da tradicional Copa Kirin, disputada costumeiramente em solo japonês. Caso se confirme, o Brasil fecharia o ano com pelo menos três jogos contra seleções que avançaram ao mata-mata da última Copa do Mundo — Austrália duas vezes e o próprio Japão —, além da possibilidade de cruzar novamente com o Paraguai, cenário que ainda depende da definição final do chaveamento do torneio asiático.
O que a CBF já está observando
Enquanto aguarda a lista oficial, a CBF já colocou observadores em campo. A comissão técnica de Ancelotti designou representantes para acompanhar ao vivo os clássicos das quartas de final da Copa do Brasil, incluindo o confronto entre Grêmio e Internacional, com o objetivo de avaliar peças que possam integrar futuras convocações da equipe principal ou da seleção sub-23, que também mira vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Entre os jogadores da dupla Gre-Nal com passagem recente pela Seleção principal está o goleiro Weverton, presente na campanha do Mundial disputado nos Estados Unidos, no México e no Canadá.
O próprio Ancelotti optou por não fazer observações presenciais no Brasil neste período que antecede a convocação de setembro, priorizando o acompanhamento de jogos na Europa, no início da pré-temporada e das ligas nacionais do continente. A escolha reforça o caráter global do processo de observação que o treinador italiano promete conduzir ao longo dos próximos quatro anos, sempre em conexão direta com os clubes formadores, no Brasil e no exterior.
Um reinício sem pressa, mas sob pressão
Apesar do tom conciliador nas primeiras declarações públicas, Ancelotti reconhece que o ambiente ao redor da Seleção seguirá tenso enquanto os resultados não aparecerem. Questionado sobre a reação crítica recebida depois da eliminação, o técnico foi direto: "A crítica às vezes te deixa mais desperto, te deixa mais motivado." Ele também descartou qualquer influência da pressão popular nas escolhas dentro de campo, incluindo a entrada de Neymar contra a Noruega, decisão que dividiu opiniões entre torcedores e comentaristas esportivos. "Eu nunca vou tomar uma decisão por causa de uma ideia popular. Vou tomar uma decisão pensando que pode ajudar o time a ganhar o jogo", afirmou.
Com contrato válido até 2030, Ancelotti soma 17 jogos no comando da Amarelinha, com dez vitórias, três empates e quatro derrotas, incluindo a passagem completa pela Copa do Mundo. O período que se abre agora, sem a pressão imediata de uma competição oficial pela frente até as Eliminatórias Sul-Americanas de 2027, funciona como uma espécie de laboratório controlado, momento em que o técnico italiano tem margem para testar novos nomes sem o risco associado a jogos decisivos. Os dois amistosos contra a Austrália, justamente por isso, carregam peso simbólico maior do que o resultado em si sugere à primeira vista, servindo como o primeiro capítulo visível de um reinício que só terá seu resultado real avaliado daqui a quatro anos, no gramado do Mundial de 2030.
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