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Marcos - 12 de Novembro às 14:22
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Craques internacionais

Irmãos Campana criam linha para casa e sonham fazer trabalho para população

Confira a entrevista exclusiva com a dupla de designers brasileiros mais conhecida do mundo

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postado em 11/11/2014 08:00 / atualizado em 09/11/2014 19:56 Isabela Teixeira da Costa /Estado de Minas
Humberto e Fernando Campana imersos no novo trabalho 'Cabana', feito de fibra de coco - Fernando Laszlo/Divulgação Humberto e Fernando Campana imersos no novo trabalho 'Cabana', feito de fibra de coco
A dupla de designers brasileiros mais conhecida no mundo sem dúvida nenhuma é formada pelos irmãos Campana. Ambos são do interior de São Paulo – Humberto nasceu em Rio Claro e se formou em direito; Fernando, o mais novo, nasceu em Brotas e fez arquitetura. E foi justamente o advogado quem gostava de criar peças, objetos e algum mobiliário - o irmão se uniu a ele. Dessa união, surtiu um efeito mágico. Em um destrói e constrói, eles foram criando peças de materiais simples, sempre buscando compor objetos de uso cotidiano com um olhar diferenciado. A criatividade exacerbada dos irmãos Campana só poderia gerar o sucesso que gerou. Explodiram no mundo e são os únicos brasileiros com peças no acervo do MoMA, em Nova York, e no Museu de Artes Decorativas de Paris, ao lado dos mais grandiosos nomes de design no mundo. Hoje, continuam esbanjando a sua criatividade, tendo no seu portfólio, além de todos os trabalhos premiados, uma linha casa com peças que unem beleza e conforto, e ainda sonham em poder, um dia, fazer uma interferência criativa em um parque ou praça, para oferecer uma qualidade de vida maior à população. Os irmãos Campana deram uma entrevista exclusiva ao caderno Feminino&Masculino, falando da exposição que inauguraram, no último domingo, na Suécia, com peças desenvolvidas com fibra de coco, um pouco do trabalho da linha casa e contando dos projetos que vêm por aí.

Quando e como começou a parceria com a Trousseau?

Humberto - Nossa parceria começou em 2012, quando a Trousseau nos contatou e convidou para desenvolver uma linha de cama.
Cadeira 'Favela', concebida em 1991 a partir de lascas de compensado sarrafeado - Fernando Laszlo/Divulgação Cadeira 'Favela', concebida em 1991 a partir de lascas de compensado sarrafeado
Como vocês receberam o convite? Foi muito inusitado?

Fernando -
Nunca tínhamos trabalhado com produtos têxteis para casa até desenvolver a primeira coleção para a Trousseau, em 2012. Foi uma excelente oportunidade para explorar outro universo e nos expressar em uma mídia diferente.

Quantas coleções vocês já fizeram?

F+H - Criamos quatro coleções para a Trousseau: Classic e Soft Repitle, em 2012, e as coleções Sushi e Cabana, neste ano.

Quantos itens compõem a atual coleção? Quais são eles?

F - Cada uma das coleções está disponível em duas opções de cores e inclui lençóis, fronhas, capas de almofada, edredons e toalhas.

O processo criativo desse tipo de itens é muito diferente? É mais demorado que o normal?

F - Na verdade não. Acredito que o design é algo que tem a intenção de fazer com que a vida das pessoas se torne mais confortável. Pode ser um móvel, mas também pode ser uma linha de cama, por exemplo. Pode ser qualquer coisa. Podemos trabalhar em diversas disciplinas do design. Qualquer coisa que tenha um significado para a vida das pessoas é design.

É mais difícil a transferência do projeto do papel para o tecido?

H - Não e acreditamos que obtivemos sucesso, ficamos muito contentes com o resultado. A Trousseau realmente nos ajudou a traduzir o nosso universo dentro de suas peças.

Poltrona 'Banquete Alligator', em couro - Fernando Laszlo/Divulgação Poltrona 'Banquete Alligator', em couro
Como é o desenvolvimento para estamparia e bordados?

F - O objetivo foi de nos mantermos fiéis às texturas e traduzir os volumes e padrões de nossos móveis em uma linha de cama em escala bidimensional.

Tiveram que buscar nova matéria-prima para adaptar a criação?

F - Novos processos foram desenvolvidos, a fim de alcançar os resultados desejados.
H - E muitos itens são costurados e finalizados à mão, devido à complexidade do processo de produção e porque isso é uma das características de nosso trabalho.

Vocês apenas criam e entregam a imagem ou acompanham a produção?

F+H - Toda vez que colaboramos com uma marca, trabalhamos lado a lado, desde o primeiro momento da colaboração até o último.

É uma edição limitada?

F+H - Não, não é uma edição limitada.
Linha 'Cabana', desenvolvida para a Trousseau - Fernando Laszlo/Divulgação Linha 'Cabana', desenvolvida para a Trousseau
Pode-se dizer que as peças são uma obra de arte?

F+H - O interessante deste século é que não existem mais fronteiras como, por exemplo, entre a arte e o design, permitindo uma maior liberdade de expressão.

Do primeiro prêmio para cá, vocês percebem uma mudança muito grande no trabalho?

F+H - Nós temos quase 30 anos de experiência profissional, por isso é óbvio que amadurecemos e evoluímos em nosso trabalho. Mas os fundamentos ainda estão na reinterpretação da história, confrontando, misturando e fundindo o passado e o presente, mantendo, inclusive, as características relevantes filtradas por nossa visão, que vem de um país jovem, cuja história ainda está em construção.

A cadeira Vermelha é a marca registrada de vocês, concordam? Mas de tudo o que já criaram, qual a peça de que vocês mais gostam?

F - A poltrona Vermelha foi o ponto de virada em nossa carreira e é a minha peça favorita.
H - Para mim, é o armário Cabana.

Qual o mais novo projeto de vocês? Falem um pouco dele. Para quando é?

F+H - A coleção Capacho. Começamos a procurar por maneiras de utilizar o tapete de fibra de coco Capacho em 2012, enquanto trabalhávamos na cenografia de nossa exposição Barroco Rococo, apresentada no Le Musée des Arts Décoratifs, em Paris. Em seguida, decidimos criar uma coleção de móveis para a Firma Casa, misturando capacho com madeira, criando frames em formas geométricas que viraram portas, gavetas e prateleiras. Ambos, material e forma, se tornaram o fio condutor das peças.

E o próximo da fila?

F - A exposição Campanas/Woods, em Bildmuseet (parte do câmpus de Arte da Universidade de Umeå), na Suécia. A abertura oficial foi no dia 2 de novembro.

Tem alguma coisa que ainda não fizeram e gostariam muito de fazer?

Irmãos Campana - Gostaríamos muito de trabalhar em um jardim ou parque que ajudasse a recuperar uma área degradada da cidade, fazendo com que os moradores se sentissem mais valorizados. Um belo espaço de cidadania.

Tags: design

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