O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Walter Bernardes de Castro, acredita que “o pacote habitacional anunciado em setembro, aliado a mais incentivos sinalizados pelo governo federal para a construção civil, contribui para gerar um cenário mais otimista em 2007. Esperamos um maior incremento nas atividades do setor e, conseqüentemente, da economia como um todo”, declara.
Segundo o presidente da MRV Engenharia, Rubens Menin, as perspectivas para o setor imobiliário em 2007 são bastante otimistas. Ele diz que a economia estável, a taxa de juros em queda e as medidas do pacote habitacional lançadas pelo governo no último trimestre são alguns dos fatores que impulsionam a aquisição da casa própria no país.
Embora acreditando que juros altos e prazos curtos privilegiavam apenas a faixa da população da ponta da pirâmide, o empresário diz que o conjunto de medidas implementado pelo governo deu novo fôlego ao setor e já começa a popularizar o acesso. Menin afirma que outro ponto importante para o aquecimento do segmento imobiliário é a participação efetiva dos bancos privados no mercado. “Até 2005, a MRV financiava cerca de 70% dos imóveis, já em 2006 os financiamentos não passaram de 30%. Com financiamentos dos bancos privados, representantes das classes média e média baixa terão mais acesso ao crédito. Esperamos aumento na velocidade das vendas”, ressalta.
Outra construtora que está otimista é a MIP Edificações, que prevê expansão de 300% nos próximos quatro anos e espera fechar 2006 com crescimento de 89% em relação a 2005. A ampliação, de acordo com o diretor comercial Marco Antônio Andrade Carneiro, deve-se, em parte, à expansão da área de atuação da construtora. Além dos edifícios, a MIP está investindo em loteamentos e condomínios horizontais, e também já começou a atuar no mercado paulista.
Marcelo Martins, diretor da Patrimar, construtora focada no segmento de luxo, também aponta a solidez da empresa como ponto-chave para o crescimento dos negócios: “O reconhecimento da marca e os bons produtos oferecidos, somados à queda de juros, oferta crescente de financiamentos e relativa estabilidade econômica, levaram a Patrimar a um faturamento 20% maior que o de 2005”.
Já a Habitare deve dobrar seu faturamento este ano, em relação a 2005, faturando R$ 50 milhões. Há mais de 30 anos no mercado, a empresa comercializou em 2006 cerca de 30 empreendimentos. Para o diretor-presidente, Sebastião Sidney Soares, a diminuição dos juros, a facilidade do crédito e a confiança do consumidor na estabilização da economia foram fundamentais para o crescimento da empresa este ano.
Outra preocupação das construtoras tem sido o financiamento habitacional. De acordo com o diretor comercial da MIP, apesar da considerável melhoria no financiamento imobiliário, ainda há burocracia e dificuldade de acesso ao crédito para alguns segmentos da população. Para solucionar esse problema, a empresa, cujos empreendimentos são voltados principalmente para a classe A, oferece financiamento em até 60 meses pela própria empresa. “Na entrega, o morador pode continuar financiando com a MIP ou migrar para o financiamento bancário”, explica Marco Antônio.