O engenheiro civil Roberto Rocha de Melo avalia que os gastos mais impactantes nas reformas de edifícios são provocados por infiltrações, seja em cerâmicas de fachada ou em mantas asfálticas aplicadas sobre pilotis, um sistema com pilares e laje que sustenta uma construção. Ele explica que muitas vezes os moradores priorizam a reforma na fachada, porque ela pode gerar problemas de infiltração em quartos ou salas, provocando maior desconforto.
"Enquanto na estrutura pilotis a infiltração atinge apenas a garagem, o transtorno é menor. Mas se cai sobre os carros, a reforma, apesar de cara, é inevitável", avalia. Um novo sistema de impermeabilização, na opinião do engenheiro, tem de ser bem feito e, em alguns prédios, pode custar até R$ 100 mil.
A manta asfáltica de três ou quatro milímetros usada sobre a laje de pilotis, mesmo com proteção adequada, segundo Melo, costuma ter vida útil de 15 anos. "Se for usada a manta dobrada, pode durar 30 anos sem problema, mas fica muito caro e por isso a maioria das construtoras não usa".
O engenheiro alerta que alguns fatores podem comprometer a sobrevivência do sistema de impermeabilização dos prédios, como o cultivo de plantas com raízes profundas em sacadas. "Quando a manta dá problemas, seja pelo desgaste natural do tempo ou por outro fator, é preciso arrancar tudo". Os donos do imóvel podem tentar adiar a reforma colocando telhas ou calhas, mas, com o tempo, a mistura de água com cimento calcifica.