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Beleza branca vitrificada

Louça milenar volta à cena decorativa na mais desejada versão portuguesa

Loja virtual Delá traz ao Brasil peças exclusivas e tradicionais com o material, produzidas por artesãos da região central de Portugal e com alta herança cultural e histórica

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postado em 04/12/2013 07:00 / atualizado em 03/12/2013 17:11 Mírian Pinheiro /Estado de Minas
Provas da existência das cerâmicas vidradas remontam ao início do século 16  - Delá/Divulgação Provas da existência das cerâmicas vidradas remontam ao início do século 16

Renata Carvalho, psicóloga de 37 anos, e Adriana Poci Déa , advogada, de 28, são, além de cunhadas, admiradoras da faiança portuguesa. Sócias da Delá, loja virtual lançada em 2011, que conta com uma seleção de peças de moda, arte e decoração de diversas regiões da Turquia, China, Portugal, Índia e outros locais, elas acabam de trazer para o Brasil peças exclusivas e tradicionais com o material. São vasos, pratos, tigelas, castiçais, tábuas e outras peças, todas produzidas por artesãos tradicionais da região central de Portugal e com alta herança cultural e histórica.

A bela tradição portuguesa foi descoberta durante uma viagem para a região central de Portugal, quando Renata se apaixonou pela faiança. Ela passou uma semana acompanhando o trabalho primoroso dos artesãos e resolveu trazer um pouco dessa arte tradicional do século 15 para o Brasil.


No país, a indústria de louça de faiança fina teve seu maior desenvolvimento no início do século 20, sendo que seu declínio se inicia na década de 1940, quando a produção de porcelana acelera e se dissemina pelo Brasil. Com a maior oferta de louça de porcelana, mais resistente e durável, e de acabamento mais fino e mais branco, a louça de faiança foi gradualmente sendo preterida, o que levou ao fim de várias das fábricas pioneiras de louça no país. Atualmente, há dificuldade em efetuar pesquisas por meios eletrônicos para obter informações sobre coleções de faiança brasileira em museus brasileiros.

Tecnicamente, a faiança é um tipo de cerâmica branca que tem uma massa menos rica em caulim (tipo de minério) do que a porcelana e é associada a argilas mais plásticas. É porosa, de coloração branca ou marfim, e precisa de posterior vitrificação. As peças de faiança são fabricadas a temperaturas inferiores a 1250 graus e caracterizam-se pela menor resistência do que as porcelanas e o grés. São feitos de faiança aparelhos de jantar, aparelhos de chá, xícaras e canecas, peças decorativas etc.

Versão portuguesa

Em meados do século 17, relatam os historiadores, é possível assistir ao aparecimento da louça muito desenhada, com pequenas figuras, paisagens, fauna, flora e construções de tipo chinês, decorações estas que constituíram mais um motivo ornamental que passou a ser conhecido por ‘desenho miúdo’.
Delá/Divulgação

Registros históricos dão conta de que, no final do século 17, inicia-se na Holanda a manufatura da faiança, que vem substituir a majólica. (Maiólica ou majólica é o nome dado à faiança italiana do Renascimento, inspirada a princípio na tradição hispano-mourisca. O termo, provavelmente advindo da Ilha de Maiorca, no Mar Mediterrâneo, também designa as primitivas faianças europeias executadas segundo a tradição italiana, indo buscar temas diretos à porcelana da China, importada pela Real Companhia das Índias Holandesas.)


Fato é que Camões já falava dela, assim como os cronistas da era de 1500 que também atestam a existência da cerâmica. Mas foi no início do século 16 que começaram a aparecer provas documentais da criação das cerâmicas vidradas, mais propriamente das faianças portuguesas.

A cerâmica fina de Portugal, a típica faiança do século 17, é feita a mão em um longo processo de três fornadas e de pintura minuciosa, com motivos bucólicos, no requintado azul ou em cores. Segundo Renata Carvalho, um testemunho doce de uma herança leve e refinada. Essa cerâmica tem as suas mais profundas raízes nas culturas que ocuparam o Ocidente da Península Ibérica. Quem se debruça sobre essa olaria encontra nela vestígios de antepassados romanos, árabes, visigodos (povo germânico originário do Leste Europeu) e celtas. Tanto os métodos de produção quanto os elementos decorativos e as próprias características das formas e função dos objetos são testemunhos irrefutáveis da sua origem.
Delá/Divulgação

Tags: decoração

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